O Covid-19 e a Fome: de 7,7 bi de pessoas na Terra, quase 1 bilhão não têm o que comer

25/03/2020 1 Por Redação Urbs Magna
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Et Urbs Magna – O coronavírus COVID-19 está afetando 196 países e territórios ao redor do mundo. Pessoas estão morrendo e a cada novo dia os números dos óbitos aumentam aceleradamente. A situação é grave? Sim. Contudo, há outro assunto que é um problema maior e, por causa dele, falaremos do surto pandêmico em paralelo; dimensioná-lo-emos merecidamente ao segundo plano de atenção por sua gravidade menor. E se o leitor perguntar o que pode ser pior que o coronavírus, responderei: a fome.

A fome e o coronavírus na Terra – qual é mais letal?

Nas décadas mais recentes, diante da ininterrupta e crescente dinâmica populacional do planeta cuja população já beira os 8 bilhões de habitantes e que, de acordo com perspectivas da ONU, até o final deste século pode se elevar aos 11 bilhões, uma questão tem sido frequentemente levantada: ‘Temos comida suficiente para alimentar o mundo?

1 bilhão de vidas humanas próximas a nós não têm comida suficiente para comer. Das cerca de 7,7 bilhões de pessoas que vivem atualmente na Terra, mais de uma em cada dez passa fome. A China, que vem sendo considerada o berço do coronavírus, perderá o posto de país mais populoso do planeta (1,43bi) para a Índia (1,35bi) por volta de 2027. E as perspectivas crescem em torno do questionamento do século: ‘Podemos produzir comida suficiente para todos?

Países mais populosos

POSIÇÃOPAÍSLíderPOPULAÇÃO
China1.427.647.789
Índia1.352.642.283
EUA326.766.748
Indonésia267.670.549
Paquistão212.228.288
Brasil209.469.320

Fonte: IBGE

Essa é uma das perguntas que a Comissão de População e Desenvolvimento da ONU tentará responder em sua 53ª sessão, de 30 de março a 3 de abril em Nova York. Delegados de todo o mundo debaterão como alimentar a população em crescimento de maneira saudável, equitativa e sustentável para garantir um futuro saudável para as pessoas e para o planeta.

Intuitivamente, poderíamos argumentar que, simplesmente aumentando a produção de alimentos para acompanhar o crescimento da população, somos capazes de acabar com a fome. Uma análise dos dados dissipará rapidamente esse equívoco. O fato é que já estamos produzindo alimentos mais que suficientes para todos. Entre 1960 e 2015, a produção agrícola triplicou de tamanho, crescendo muito mais rapidamente que a população global.

E, no entanto, 820 milhões de pessoas ainda passam fome, não podendo pagar uma quantidade e variedade suficientes de alimentos. Além disso, o aumento da renda e a urbanização estão contribuindo para alimentos ricos em calorias, mas pobres em nutrientes. Dietas não saudáveis ​​agora são responsáveis ​​por mais mortes e incapacidades de adultos no mundo do que o uso de tabaco.

Aumentar significativamente a produção de alimentos também acarreta o risco de destruir nosso planeta. A produção de alimentos já ocupa 50% das terras habitáveis ​​da Terra, responde por 70% do consumo de água doce e produz cerca de um quarto das emissões globais de gases de efeito estufa. As pressões que a agricultura exerce sobre os ecossistemas da Terra – desde o aquecimento das mudanças climáticas até a perda de biodiversidade, escassez de água e poluição – já estão limitando nossa capacidade de produzir mais alimentos.

E o outro lado da equação? A desaceleração do crescimento populacional, combinada com padrões mais responsáveis ​​de consumo e produção, certamente aliviaria a pressão sobre os ecossistemas, reduziria as emissões de gases de efeito estufa e permitiria ao mundo mais tempo para identificar novas tecnologias para combater as mudanças climáticas e melhorar a produção de alimentos. Mas, apesar de todo o progresso que fizemos na redução do ritmo global de crescimento populacional, ainda é projetado que continue crescendo até o ano 2100.

Isso significa que estamos destinados a um futuro com fome? Não se conseguirmos transformar de maneira sustentável nossos sistemas alimentares e agrícolas em todos os níveis e em todos os países. A boa notícia é que muitos dos esforços para reduzir a desnutrição e promover dietas saudáveis ​​também beneficiariam muito o meio ambiente, do qual a agricultura depende.

Por exemplo, reduzir o consumo de carne vermelha em países de alta renda reduziria as emissões de gases de efeito estufa e abriria espaço para um aumento modesto no consumo de carne em países de baixa renda, além de promover dietas mais saudáveis ​​em ambos os ambientes.

A luta contra a mudança climática e as secas, inundações e falhas de safra que ela causa será crucial para manter a humanidade alimentada nos próximos anos. Atingir sistemas alimentares sustentáveis ​​também exigirá reduzir a perda de alimentos, principalmente através de melhores instalações de armazenamento em áreas desfavorecidas e reduzindo o desperdício de alimentos em países de alta renda. Hoje, cerca de um terço de todos os alimentos que produzimos são desperdiçados ou perdidos, incluindo quase metade de todas as frutas e legumes.

Essas são apenas algumas das questões que os delegados da Comissão de População e Desenvolvimento discutirão este mês. Para mais informações sobre a Comissão e sua 53ª sessão, acesse: Comissão de População e Desenvolvimento da ONU

CORONAVÍRUS NO MUNDO (Atualização 25/03/2020 – 10:00GMT)

PAÍSTotal
de
Casos
Novos
Casos
Total
de
Mortes
Novas
Mortes
Total
de
Recuperados
Casos
Ativos
China81,171+783,277+773,1594,735
Italy69,176+5,2496,820+7438,32654,030
USA54,881+11,100780+22537953,722
Spain42,058+6,9222,991+6803,79435,273
Germany32,991+3,935159+363,29029,542
Iran24,811+1,7621,934+1228,91313,964
France22,304+2,4481,100+2403,28117,923
Switzerland9,877+1,082122+21319,624
S. Korea9,037+76120+93,5075,410
UK8,077+1,427422+871357,520
Netherlands5,560+811276+6325,282
Austria5,283+80928+795,246
Belgium4,269+526122+344613,686
Norway2,866+24112+262,848
Canada2,792+70126+21122,654
Portugal2,362+30233+10222,307
Australia2,317+4308+11182,191
Sweden2,299+25340+13162,243
Brazil2,247+32346+1222,199

Fonte: https://www.covidvisualizer.com/

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