“O Brasil acabou”, diz Chico Alves sobre “apoio” de Bolsonaro ao garimpo ilegal

25/11/2021 0 Por Redação Urbs Magna
“O Brasil acabou”, diz Chico Alves sobre “apoio” de Bolsonaro ao garimpo ilegal

Vista aérea de balsas de garimpo ilegal no Rio Madeira em foto de Bruno Kelly / Reuters | “Contamos nada menos que 300 balsas. Eles estão lá há pelo menos duas semanas e o governo não fez nada“, relatou Danicley Aguiar, integrante do Greenpeace Brasil, em matéria dos jornalistas Bruno Kelly, Anthony Boadle e Phillippe Watanabe, da Folha de S. Paulo


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

Para o jornalista, a imagem do ‘Arquipélago ilegal do garimpo’ no Rio Madeira, revelado esta semana, foi a gota d’água por resumir que exploradores agora “afrontam o mundo à luz do dia” porque têm como seu “principal apoiador o homem que está sentado na cadeira de presidente da República

O Brasil acabou“, escreve o colunista do UOL, Chico Alves, após olhar as imagens do ‘Arquipélago ilegal do garimpo’ no Rio Madeira, revelado esta semana, em que exploradores agora “afrontam o mundo à luz do dia“. Para o jornalista, isso é como a gota d’água porque, segundo escreve, o “principal apoiador” das atividades criminosas é o presidente do brasil, Jair Bolsonaro, “o homem que está sentado na cadeira de presidente da República“.

Cerca de 300 balsas do garimpo ilegal estão ocupando o Rio Madeira, no município amazonense de Autazes, a 113 quilômetros de Manaus, com bombas a motor para sugar o ouro do leito fluvial sob a vista de todos, “sem pressa“, escreve Alves, pois “apesar dos danos ambientais, da contaminação das águas, da sonegação e de outros delitos que cometem“, eles “não precisam fugir” e “ninguém os reprime“.

Eles estão lá há pelo menos duas semanas e o governo não fez nada“, disse Danicley Aguiar, do Greenpeace Brasil, à Folha de S. Paulo.

Chico Alves explica a cena: “Atadas umas às outras, as dragas são como ilhas artificiais. Parte delas forma uma barreira que fecha praticamente todo o leito do rio“.

É proposital“, prossegue o colunista. “Em áudio revelado pelo jornalista André Borges, do Estado de S. Paulo, os bandidos dizem que pretendem resistir a operações de fiscalização do Ibama e ICMBio“.

Veja abaixo e leia mais a seguir:

GREENPEACE

Somente após a divulgação das imagens na imprensa, porém, o Ministério da Justiça deu sinal de vida, diz Chico Alves.

Informou que a Polícia Federal está acompanhando o caso para adotar “medidas cabíveis com a maior brevidade possível”. Isso mesmo: depois de 15 dias de uma ação criminosa gigantesca, o ministério tem coragem de usar a palavra “brevidade” para se referir a uma operação que ninguém sabe quando vai ser deflagrada — se é que vai ser.

O Ministério Público Federal, por sua vez, só agora cobra que sete instituições — ente elas Ibama, a superintendência da PF no Amazonas e o Exército — atuem de forma integrada para reprimir os garimpeiros ilegais no prazo de… 30 dias (!), escreve o colunista, indignado com o prazo longo:

O Ministério Público Federal (MPF) expediu recomendação pedindo a adoção emergencial de ação coordenada de repressão e desarticulação ao garimpo ilegal de ouro na calha do rio Madeira e afluentes, no município de Autazes (AM), em atuação integrada de órgãos e autarquias federais e estaduais competentes, no prazo de 30 dias”, diz a matéria no portal do MPF.

Os bandidos podem ficar tranquilos“, ironiza o jornalista. “assim como estão tranquilos os mineradores que invadem terras indígenas, como as reservas ianomâmis, deixando rastro de devastação e contaminação dos rios por mercúrio, sem que qualquer autoridade os incomode“.

Também se sentem à vontade os desmatadores da floresta“, finaliza explicando que “somente este ano, os marginais derrubaram 15 mil quilômetros de cobertura verde da Amazônia“.

Com o desmonte do Ibama pelo governo Bolsonaro — o déficit é de 3 mil servidores —, o previsível fracasso das operações do Exército e a autorização direta ou indireta que o presidente da República sempre deu — inclusive proibindo a destruição dos equipamentos dessas quadrilhas —, o banditismo ambiental faz o que quer“, escreve Chico Alves.

O colunista afirma ainda que “os criminosos se sentem seguros. Alguns bandos se gabam de ter o apoio de parlamentares federais e estaduais, governadores e prefeitos. Há também a parceria com os empresários que lucram com a devastação”.

Não existe mais obediência às regras“, diz o colunista, “nem quem exija seu cumprimento“.

As próprias autoridades e os homens de negócio se associam ao crime, sem subterfúgios, à frente dos brasileiros que observam a tudo pelos sites e emissoras de TV sem esboçar reação“, lamenta.

Em resumo, é o fim da institucionalidade. O Brasil acabou“, enfatiza Chico Alves.

A partir dessa constatação, a tarefa que nos resta é recolher os escombros do país que sonhamos para tentar construir um similar. É preciso criar uma cópia daquela nação cheia de futuro, esperança e alegria que várias gerações imaginaram e agora sabemos que nunca existiu.

Pelo menos hoje conhecemos melhor o nosso lado abominável. Isso permite a reconstrução em bases mais sólidas que antes.

Mas que seja rápido.

A Amazônia por muito tempo foi vista como um lugar do passado e recentemente passou a ser tratada como a garantia do futuro. Com o ritmo acelerado da devastação, corre o risco de não ser nem uma coisa e nem outra”.

Mourão diz que vai resolver

Após a repercussão da notícia em várias mídias, o vice-presidente Hamilton Mourão disse, nesta quinta-feira (25/11) que a Polícia Federal e a Marinha vão agir.

A PF [Polícia Federal] e Marinha já estão se preparando para agir“, disse no Palácio do Planalto.

O general deu duas hipóteses para esse fenômeno no local: surgimento de ouro nessa nova região ou atuação conjunta com narcotráfico.

Temos tido vários informes que o narcotráfico aí, essas quadrilhas que agem aqui no Centro-Sul do país, na ordem de proteger suas rotas, subiram para lá“, disse.

E uma das formas de [essas quadrilhas] se manterem é apoiando ações dessa natureza. Até porque se o ouro é extraído ilegalmente é um ativo que eles podem trocar por droga

Cinco fileiras de balsas no rio
Fileiras de balsas de mineração no rio Madeira – Bruno Kelly – 23.nov.2021/Greenpeace/AFP

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, disse, também hoje, que “em poucos dias” uma operação envolvendo agentes da Polícia Federal, da Força Nacional e do Exército começará a atuar na região.

Terminando o planejamento operacional e nos próximos dias estaremos lá“, afirmou à imprensa. “Muito em breve teremos resultado”, afirmou, sem entrar em detalhes, conforme noticiou a Folha.

Comente