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“Nunca um presidente chegou tão fraco a 68 dias das eleições”, diz Míriam Leitão

    “Nunca houve um presidente tão sem limites no uso da máquina para se manter no poder”, escreve a jornalista do Globo

    Bolsonaro sequestrou a data nacional de 7 de setembro (…). Ao convocar o seu grupo para ocupar as ruas, está afastando o resto do país e mais uma vez mostrando que governa apenas para a sua facção“, escreve a jornalista Míriam Leitão, no jornal O Globo. “Nunca um presidente chegou tão fraco a 68 dias das eleições, nunca houve um presidente tão sem limites no uso da máquina para se manter no poder“, acrescenta a colunista.

    Há mais conservadores no Brasil do que muitos imaginavam“, diz Leitão após mencionar pesquisa mostrando que seguidores que pensam como o presidente não são em quantidade inexpressiva, “mas não são o maior grupo“, observa. “Foi para eles que Jair Bolsonaro quis falar na convenção. O grupo é uma boa base, mas não é suficiente para garantir a reeleição“.

    Nem todos dessa fatia do eleitorado, apesar da identidade com sua agenda, votam em Bolsonaro. Mas no lançamento da candidatura ele tentou garantir o voto dos aderentes à agenda conservadora. Por isso, voltou a alimentar os fantasmas que assustam as famílias tradicionais, de que seus filhos estariam em perigo de cooptação sexual nas escolas, caso ele não ganhe a eleição. Bolsonaro chama isso de ideologia de gênero“, escreve a jornalista.

    Michele Bolsonaro estrapolou quando “voltou a repetir que seu marido é um “escolhido de Deus” e que a reeleição não é pelo poder, é “para o propósito de libertação” do Brasil“, embrou a colunista do jornal. A explícita manipulação da fé das pessoas se soma ao sequestro dos símbolos e datas nacionais“, argumenta Leitão sobre a convocação feita por Bolsonaro a “seus seguidores para sair às ruas no dia 7 de setembro e desta forma” impondo “ao país a impossibilidade de uma comemoração plural do bicentenário da independência“.

    Bolsonaro, como sempre, mentiu e enganou em seu discurso. Atribuiu ao seu governo, por exemplo, o crescimento das fontes de energia limpa. Ele, na verdade, até tentou tirar os incentivos à energia solar fotovoltaica, mas foi impedido de fazê-lo por forte oposição do país. Tentou surfar no vento da eólica como se não fosse uma ampliação que já vem acontecendo há muitos anos no Brasil e cujo principal mérito é da própria indústria“, mostra Míriam Leitão.

    Bolsonaro lançou pontes para além da sua bolha ideológica. Há um grupo, nessa segmentação do eleitorado, que precisa do Estado, seja em benefícios sociais, seja em oferta de emprego público. Representa 29%. E está majoritariamente com Lula porque tem o recall. Em pesquisas qualitativas, brotam as memórias do “tempo do Lula”, em que várias conquistas familiares aconteceram e havia uma sensação de viver e comer melhor”, destacou.

    Para capturar votos nesse grupo é que Bolsonaro lançou o aumento do Auxílio Brasil e, na convenção, se comprometeu a manter os R$ 600″, aponta a jornalista sobre a manobra que o presidente faz com um benefício criado a poucos dias da eleição. “Isso significa sair de um gasto de R$ 90 bilhões para R$ 145 bilhões. Com esse movimento, ele quer acabar com a crítica de que é eleitoreiro”.

    Bolsonaro ainda pode crescer, e Lula pode cair um pouco, mas, na visão de um grande especialista em pesquisas de opinião, “por mais que um caia, ainda tem muito voto, por mais que o outro suba, ainda é pouco para ganhar. Um tem piso para cair, outro tem teto para subir”. Agora é o momento decisivo para todos os candidatos. Pedras ainda se movem no tabuleiro”, pontua Leitão.

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