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Novos áudios revelam articulação para golpe de Estado: “É guerra civil agora ou depois”

    As mídias obtidas pela Polícia Federal revelam comunicações de militares envolvidos em planos para um golpe que visavam manter Jair Bolsonaro na Presidência e até matar o Presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes

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    Áudios obtidos pela Polícia Federal revelam comunicações de militares envolvidos em planos para um golpe que visavam manter Jair Bolsonaro na Presidência e até matar o Presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

    A investigação resultou na Operação Contragolpe, que prendeu cinco pessoas, incluindo quatro militares, e foi divulgada pelo Fantástico da TV Globo e o UOL divulgou na noite desta segunda-feira (25/11).

    Os 52 áudios mostram a participação do general Mário Fernandes e conversas com outros militares, como Mauro Cid e Reginaldo Vieira de Abreu.

    Não, pode deixar. Vou conversar com o presidente. O negócio que ele tem essa personalidade às vezes, né? Ele espera, espera, espera, espera para ver até onde vai e ver os apoios que tem. Só que, às vezes, o tempo tá curto, né? Não dá para esperar muito mais passar, né? Dia 12 seria teria que ser antes do dia 12, né, mas com certeza não vai acontecer nada. E, sobre os caminhões, pode deixar que eu vou comentar com ele porque o Exército não pode. Papa mosca de novo, né, a área militar, ninguém vai se meter até porque a manifestação é pacífica, né? Ninguém tá fazendo nada ali”.

    Mauro Cid a Mário Fernandes

    Em conversa com Mário Fernandes, ao citar uma suposta resposta popular à vitória de Lula, o coronel Roberto Criscuoli falou em “guerra civil agora ou guerra civil depois“. No áudio ele diz que uma decisão tem que ser “tomada urgente” e o [então] presidente [Bolsonaro] “não pode pagar pra ver“.

    “Ô Mário, bom dia. Mário, eu tava até conversando agora com o pessoal aqui, cara. Se nós não tomarmos a rede agora, depois eu acho que vai ser pior. Na realidade vai ser guerra civil agora ou guerra civil depois. Só que a guerra civil agora tem um significativo, o povo tá na rua, nós temos aquele apoio maciço. Daqui a pouco nós vamos entrar numa guerra civil, porque daqui a alguns meses esse cara vai destruir o exército, vai destruir tudo. Aí o povo vai dizer assim, agora que mexeram com você, vocês vão pra rua. Se você resolve tomar… Então vai ficar feio. Porque ele vai destruir todo o exército. Ele vai mandar todos os 4 estrelas embora. Vai ficar com os G. Dias (general Gonçalves Dias) e alguns outros aí. Cara, não vai ficar legal, cara. É melhor ir agora. O povo tá na rua e pedindo, que, daqui a pouco, nós vamos ir por interesse próprio. Aí não vale. Aí eu não vou. Aí eu não vou. Então é a hora de ir agora, cara. Também concordo com esse texto que tu mandou. Pô, tô dentro. Mas tem que ir agora que o povo está pedindo. Não porque vão mandar os generais pra reserva. Então eu acho que essa decisão tem que ser tomada urgente, cara. E o presidente não pode pagar pra ver também, cara. Ele vai destruir o nosso país, cara. O argentino já esteve aqui com o chapéu na mão, cara. Vai esperar virar uma Venezuela pra virar o jogo, cara? Democrata é o cacete. Não tem que ser mais democrata mais agora. Ah, não vou sair das quatro linhas. Acabou o jogo, pô. Não tem mais quatro linhas. Agora o povo da rua tá pedindo, pelo amor de Deus. Vai dar uma guerra civil? Vai dar, eu tenho certeza que vai dar, porque os vermelhos vão vir feroz. Mas nós estamos esperando o quê? Dando tempo pra eles se organizarem melhor? Pra guerra ser pior? Irmão, vamos agora. Fala com o 01 aí, cara. É agora. Hoje eu tô dentro, amanhã eu não tô mais não. Amanhã é o que eu quero dizer daqui a pouco. Por interesses outros eu não vou. Nem eu e nem a turma daqui. Um saco cheio de explicar pro civil que as coisas tão sendo tomadas, que tem um cara lá que tá fazendo isso, tem um pessoal que vai falar, tem um pessoal que tá acusando, tamo pegando prova. A porra, não dá mais, cara. Não dá mais. Não é mais pra ter prova não, quer mais prova do que já teve? E o povo tá na rua pedindo? Vambora, pô! Pau!

    Criscuoli durante conversa com Mário Fernandes

    Mário Fernandes, ao conversar com um militar, menciona um “clamor popular” semelhante ao de 1964 para persuadir o Alto Comando das Forças Armadas a apoiar um golpe, sugerindo que a mobilização da massa inicie a ação golpista.

    “Tá na cara que houve fraude, porra. Tá na cara, não dá mais pra gente aguentar essa porra. Tá foda. Tá foda. E outra coisa: nem que seja pra divulgar e inflamar a massa, pra que ela se mantenha nas ruas, e aí, sim, talvez seja isso que o Alto Comando, que a Defesa quer. O clamor popular, como foi em 64. Porque, como o senhor disse mesmo, boa parte do Alto Comando, pelo menos do Exército, não tá muito disposto, né? Ou não vai partir pra intervenção A não ser que o start seja feito pela sociedade. Pô, Geraldo, reforça isso aí. Eu tô fazendo meu trabalho junto à brigada e o pessoal de divisão da minha turma, cara. Força, kid preto. Um bom final de semana e que esse final de semana e a próxima semana nos tragam um acalento. A gente tá precisando”.

    Mário Fernandes em conversa com um militar sobre os planos golpistas

    O general Hélio Osório de Coelho expressa seu desejo para que o presidente Jair Bolsonaro tome uma “ação enérgica” contra os “bandidos criminosos, comunistas“, demonstrando indignação pela vitória de Lula e afirmando que está disposto a “morrer por essa nação“.

    “Eu sou capaz de morrer, cara, pelo meu país, sabia? Pelo meu presidente, cara. Sou capaz de morrer por essa nação a ter que viver sob jugo de bandidos criminosos, entendeu? Comunistas. Eu sou capaz de morrer, cara, por essa nação. Só pode ter certeza disso. Não só eu, mas milhares e milhares de pessoas. Entendeu? Eu não consigo vislumbrar meus sobrinhos, minhas sobrinhas, os filhos pequenos de meus amigos, das minhas amigas, ficando sob o jugo desse vagabundo. Não consigo imaginar. Eu prefiro ir pra guerra. Eu prefiro ir pro campo de batalha. Entendeu? Viver a pátria livre ou morrer pelo Brasil. Entendeu? Aprendi isso na caserna. Honrar a minha bandeira. Honrar o meu presidente. Então eu… tô pedindo a Deus pra que o presidente tome uma ação enérgica e vamos sim pro Vale Tudo. Eu tô pronto a morrer por isso. Porque o que adianta viver sem honra? O que adianta andar na rua de cabeça baixa e não poder bater no peito que um dia eu lutei pela liberdade?”

    General em diálogo com Mário Fernandes

    Mário Fernandes afirmou a Marcelo Câmara que pediu a Bolsonaro para reintegrar o general Walter Braga Netto ao Ministério da Defesa no final de seu governo, buscando que ele apoiasse os planos golpistas devido à sua insatisfação com o Alto Comando das Forças Armadas.

    Cara, eu tô aloprando por aqui. E eu queria que tu reforçasse também, pô. Eu falei com o Cordeiro ontem, falei com o presidente. Porra, cara, eu tava pensando aqui, sugeri o presidente até… Porra, ele pensar em mudar de novo o OMD, porra. Bota de novo João Braga Neto lá. João Braga Neto tá indignado, porra. Ele vai ter um apoio mais efetivo. Reestrutura de novo, velho. Ah, não, porra, aí vão alegar que eu tô mudando isso pra dar um golpe. Porra, negão. Qualquer solução, c///aveira, tu sabe que ela não vai… acontecer sem quebrar ovos, sem quebrar cristais. Então, meu amigo, parte pra cima, apoio popular é o que não falta. E, porra, tem que tomar cuidado, cara. Ontem eu fiquei preocupado com a saúde do presidente. Ele tem que se cuidar, cara. E levantar a cabeça, porra. Partir pra cima. Ainda que seja caindo, porra, ele vai cair de pé, porra.

    Mário Fernandes a Marcelo Câmara

    O coronel Vieira de Abreu reclama com Fernandes sobre a ausência de Bolsonaro em um evento com seus apoiadores.

    Pô, eu pedi o pessoal ir lá pra casa do presidente, lotaram, ficaram três horas lá, ele nem apareceu. Deve tá com vergonha, né? Aí pedi o pessoal ir lá pra casa do Arthur Lira. Aí, pô, eu tô com vergonha de pedir. Porra, puta merda. Ele que tenha coragem moral, pelo menos até quinta-feira falar que não quer mais, né? O pessoal pelo menos passar o Natal em casa”.

    Coronel Vieira de Abreu, em mensagem ao general Fernandes

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