📷 Testemunhas e agências internacionais nos escombros do terremoto que abalou a Venezuela no final de junho de 2026 descrevem a região como uma “zona de guerra” | Foto EFE/Henry Chirinos
| Caracas (VE)
29 de junho de 2026
A Venezuela voltou a tremer na manhã desta segunda-feira (29/jun). Uma nova réplica de magnitude 4,2, segundo a Fundação Venezuelana de Pesquisas Sismológicas (Funvisis), atingiu a região costeira central do país, gerando pânico entre a população e interrompendo temporariamente as operações de resgate, segundo fontes locais como Notimerica, El Cooperante e El Nacional.
O epicentro foi localizado no mar, a 10 quilômetros a leste de La Guaira, com profundidade superficial de apenas 2,9 quilômetros.
Este novo tremor ocorre quase cinco dias após dois terremotos devastadores, de magnitudes 7,2 e 7,5, terem atingido o país em rápida sucessão, na quarta-feira (24/jun), com menos de um minuto de intervalo.
O saldo oficial da tragédia, atualizado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, é de 1.450 mortos, 3.150 feridos e 12.721 famílias desabrigadas. No entanto, a cifra de desaparecidos é alarmante.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que haja mais de 50 mil pessoas com paradeiro desconhecido, enquanto outras fontes mencionam números ainda maiores.
OPERAÇÕES DE RESGATE EM MEIO AO CAOS
A janela crítica de 72 horas para encontrar sobreviventes com vida já se encerrou formalmente, o que torna as operações de resgate ainda mais dramáticas, segundo o El Nacional.
Apesar disso, equipes de mais de 20 países, incluindo Brasil, Estados Unidos, México, França, Turquia e Reino Unido, estão mobilizadas.
O contingente internacional soma mais de 2.600 profissionais de resgate, apoiados por 137 cães farejadores e dezenas de veículos especializados.
Em meio à tragédia, pequenos milagres mantêm viva a esperança. No domingo (28/jun), equipes francesas e americanas resgataram com vida um homem e seu filho de 11 anos que estavam soterrados desde os primeiros tremores.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, confirmou que 33 pessoas foram resgatadas desde o início da emergência.
OS DESAFIOS DA RECONSTRUÇÃO E A CRÍTICA AO GOVERNO
A destruição material é colossal. O governo venezuelano informou que 774 prédios desabaram ou foram seriamente afetados, sendo que 189 ruíram completamente.
Os danos, segundo uma avaliação preliminar do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), somam US$ 6,7 bilhões, o equivalente a aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
A resposta do governo, no entanto, tem sido alvo de duras críticas. Moradores de La Guaira, uma das regiões mais castigadas, reclamam da lentidão no socorro e da burocracia.
A militarização da área e a exigência de salvoconductos para o acesso de equipes de resgate e imprensa geraram indignação.
A ex-presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Cecília Sosa, criticou publicamente a atuação do governo de Delcy Rodríguez, apontando a falta de bombeiros suficientes para o resgate, que depende majoritariamente de voluntários e equipes estrangeiras.
As réplicas, que já somam mais de 400 desde o evento principal, conforme a Notimerica, continuam a atormentar a população.
A de magnitude 5,1, registrada pelo Serviço Geológico Colombiano na madrugada de segunda-feira (29/jun), e a de 4,2, confirmada pela Funvisis, são um lembrete constante da instabilidade geológica da região e impõem ainda mais dificuldades às frágeis estruturas que ainda resistem, publicou o Canal 12 Misiones Bluradio.
O governo anunciou a suspensão das aulas por mais uma semana em todo o território nacional para permitir a avaliação estrutural das escolas, reporta o El Cooperante.
O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio, embarcou para Caracas para coordenar o apoio logístico e a distribuição da ajuda humanitária brasileira, disse a CBN.
Segundo o portal brasileiro, a Força Aérea Brasileira (FAB) já enviou quatro aviões com equipes de resgate, incluindo bombeiros de São Paulo e Minas Gerais, e também realizou a repatriação de 15 brasileiros que estavam retidos no país.
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