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    PP, União, PL e Republicanos são os “reis” do novo orçamento secreto, revela estudo

    — calculando —
    Câmara dos Deputados

    📷 Câmara dos Deputados / Foto: Agência Senado / Flickr [recorte] || Arte Urbs Magna

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    13 de julho de 2026

    A Câmara dos Deputados indicou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão sem revelar o verdadeiro autor da destinação, aponta relatório divulgado nesta segunda-feira (13/jul) pela Transparência Brasil.

    O mecanismo, batizado de “emendas de liderança”, reproduz a lógica do extinto orçamento secreto e concentra recursos em partidos do Centrão e da ultradireita.

    Segundo o levantamento, reproduzido pela revista VEJA, a Câmara indicou 1.341 emendas de comissão nesse formato apenas em 2025 — o equivalente a 16% do total de recursos desse tipo.

    As indicações aparecem assinadas pela liderança partidária, sem identificar qual deputado ou deputada de fato solicitou o repasse, informação que consta apenas em atas de reuniões de bancada mantidas fora do acesso público, em desacordo com a legislação de transparência vigente.

    Quem lidera o esquema

    Sete legendas usaram o mecanismo: PP, União Brasil, Republicanos, PL, Avante, Podemos e Solidariedade. À frente da lista aparece o PP, de Ciro Nogueira, com R$ 427,7 milhões distribuídos em 464 indicações — 34% do total mapeado pelo estudo.

    Completam o topo o União Brasil, de Antônio Rueda, o PL, presidido por Valdemar Costa Neto — que hoje não ocupa mandato nem na Câmara nem no Senado —, e os Republicanos, de Marcos Pereira.

    Boa parte dos recursos, R$ 818,1 milhões, saiu da Comissão de Saúde, hoje dominada pelo PL.

    Grande parte dessa verba foi direcionada para execução direta, principalmente para a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) — apelidadas no relatório de “estatais do Centrão” — e superintendências regionais do Ministério da Agricultura e Pecuária.

    Como o esquema contorna a decisão do STF

    O relatório da Transparência Brasil classifica o mecanismo como uma manobra que opera “em lógica semelhante às extintas emendas do relator-geral do orçamento, popularmente conhecidas como orçamento secreto”.

    As emendas de comissão ganharam peso justamente depois que o Supremo Tribunal Federal declarou o orçamento secreto inconstitucional, em 2022, por falta de rastreabilidade sobre quem pedia e quem recebia os recursos.

    No fim de 2024, o ministro Flávio Dino determinou o bloqueio das emendas de comissão até que a Câmara e o Senado adotassem regras de identificação nominal dos parlamentares responsáveis por cada indicação.

    O novo relatório sugere que parte das lideranças partidárias driblou essa exigência ao formalizar os pedidos em nome da bancada, e não do deputado individual.

    O dado mais revelador do estudo não é o valor em si, mas a composição partidária da lista: nenhuma legenda de esquerda aparece entre as que mais usaram esse expediente.

    Sob a ótica deste portal, isso reforça um padrão observado desde a criação do orçamento secreto original, em 2019 — o de que mecanismos de baixa transparência orçamentária tendem a nascer e se perpetuar nas mãos das mesmas bancadas fisiológicas, independentemente de qual governo ocupe o Palácio do Planalto.



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