Ditadura fora da história urbana: sentença histórica atende ação popular e derruba nomes de Castelo Branco e Benito Mussolini na Grande São Paulo.
Brasília, 29 de novembro 2025
A Prefeitura de São Bernardo do Campo (SBC), localizada na Grande São Paulo, recebeu uma ordem judicial para alterar os nomes de duas avenidas que remetem à ditadura militar brasileira de 1964 e o nome de uma vila com referência direta ao fascismo.
A administração municipal tem 180 dias para cumprir a medida, segundo a Folha de S. Paulo, e a decisão atinge as seguintes localidades:
- Avenida 31 de Março (bairro Taboão): Nome que marca o início do regime militar em 1964.
- Avenida Humberto de Alencar Castelo Branco (bairro Assunção): Homenagem ao primeiro presidente do regime militar.
- Vila Mussolini: Referência ao ditador italiano Benito Mussolini (1883-1945).
A sentença judicial é resultado de uma ação popular movida por Jaime Luís Fregel Colarte Castiglioni, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB local.
No processo, o advogado argumentou que a manutenção desses nomes nas vias afronta os princípios constitucionais cruciais para a democracia.
Os princípios violados incluiriam “a dignidade da pessoa humana, o Estado democrático de Direito, a cidadania e o pluralismo político”.
Além disso, a permanência dessas homenagens seria uma violação “da função educativa dos bens públicos e do direito fundamental à memória e à verdade”.
Jaime Castiglioni também sustentou que a omissão da Prefeitura em alterar os nomes, mesmo após apelos da sociedade, configurava um ato lesivo “à moralidade administrativa e ao patrimônio histórico-cultural”.
Apesar da ordem, a decisão ainda cabe recurso. A Prefeitura de São Bernardo do Campo informou por meio de nota que irá recorrer e que irá adotar as providências cabíveis após o julgamento do recurso.
O governo municipal, contudo, não explicou por que é contrário à determinação da Justiça quando questionado.
O autor da ação, Jaime Castiglioni, manifestou que a sentença é a prova de que “a persistência na defesa da Constituição dá resultados”.
Ele criticou o fato de que, por anos, cidadãos tentaram a correção por via política, mas foram barrados por “desculpas burocráticas e falta de vontade política”.
Para ele, o Poder Judiciário está finalmente !alinhando os símbolos da cidade aos valores democráticos”.
Jaime enfatizou que “a vitória não é só minha, é de todos que acreditam que os espaços públicos devem celebrar a liberdade, e não a opressão”.
O advogado ainda destacou que esta decisão é um marco, pois demonstra que “o Poder Judiciário pode intervir para proteger a memória e a dignidade coletiva em situações onde as outras esferas de Poder se omitem”.

RECEBA NOSSAS ÚLTIMAS NOTÍCIAS EM SEU E-MAIL








Fomos nós* q entramos com esta ação judicial aki em SBCampo
*Enfrente (corrente dentro do PSOL)
O fascismo é para ser destruído
Rodovia Castelo Branco no São Paulo com 315 km á muito que já devia ter mudado de nome.
Onde vamos chega, o que será do povo brasileiro se o Brasil cair nas mãos dessa direita.
Os comentários estão fechados.