Ao mesmo tempo, o senador afirmou, em entrevista ao jornal, que pedidos de impeachment contra o ministro não passam de “posicionamento político” sugerindo que método é usado para arregimentar eleitores nas Regiões do Brasil em que o bolsonarismo ainda se mantém
Perguntado pela Folha de S. Paulo se o projeto que anistia condenados pelo 8 de janeiro “pode avançar ou imbicar para um perdão” ao ex-presidente inelegível Jair Bolsonaro (PL), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) respondeu que ele mesmo é “autor de um projeto” para torná-lo novamente apto para disputar as eleições de 2026:
“Esse é um processo completamente diferente, porque o presidente Bolsonaro não tem nada a ver com o 8 de janeiro. São processos distintos“, disse o aliado do candidato que em 2022 perdeu a reeleição para o hoje Presidente pela terceira vez, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“O projeto que está tramitando não tem nada a ver com ele [Bolsonaro]. Ainda bem que ele não está condenado a nada pelo 8 de janeiro“, acrescentou Nogueira, que imediatamente ouviu das entrevistadoras que a “tendência” é a de que o inelegível também “seja indiciado” pelos atos antidemocráticos.
Nogueira não gostou do que ouviu do jornalista e disse que “não tem por que isso acontecer“. E que indiciar o inelegível neste caso “é o mesmo absurdo que tirar os direitos políticos enquanto tem uma reunião com embaixador“.
“Ele vai ser nosso candidato em 2026, se Deus quiser. O próprio processo de anistia é uma opção. E o recurso no TSE [Tribunal Superior Eleitoral], que pode habilitá-lo. As pessoas não vão entender que uma pessoa fica inelegível na reunião com embaixador. Todo mundo acha que o Bolsonaro vai ser candidato. O próprio TSE vai ser compelido a rever essa posição“, afirmou Nogueira, ao jornal.
O senador ainda ouviu das autoras da entrevista, Julia Chaib e Marianna Holanda, que “o processo de inelegibilidade deve, inevitavelmente, acabar no STF [Supremo Tribunal Federal]” e questionou se Nogueira “vê chance de o Supremo alterar a decisão [de manter Bolsonaro fora das urnas]” e o senador respondeu que “sim“, mas somente se os ministros “se despirem das suas ideologias“.
Sobre o impeachment de um ministro do STF, como é o caso do desejo dos bolsonaristas explicitado nas redes sociais, Ciro Nogueira disse que isso é “posicionamento político” que “não tem chance (…) não tem essa possibilidade“.
No mesmo sentido, o senador respondeu outro questionamento afirmando que os ministros do STF têm “excesso de protagonismo” e que eles precisam encerrar o inquérito das fake news, acrescentando que “ninguém vai se eleger senador, fora do Nordeste, sem se manifestar por conta do impeachment“, dando entender que o citado “posicionamento político” seria usado como arma para arregimentar eleitores nas Regiões em que o bolsonarismo é mais forte. “Vai ser uma loucura, você não tem ideia do que vai acontecer“.
“Não tem sentido um inquérito ficar aberto cinco anos“, disse o senador, que apelou para o ministro Alexandre de Moraes “encerrar esse inquérito“: “Eu faço um apelo a ele, é bom para o próprio Supremo. Tenho certeza que os ministros não apoiam isso publicamente para não ser contra o ministro Alexandre. Mas eu não conheço ninguém que defenda isso“.
Jair Bolsonaro acredita que pode reaver o direito de se candidatar à Presidência em 2026 através de decisões favoráveis do TSE, embora essa expectativa seja vista como um aceno para sua militância.
O ex-presidente enfrenta dificuldades jurídicas e sua inelegibilidade, decorrente de condenações em 2023, persistirá até 2030, enquanto sua defesa recorre ao STF.
Há um ceticismo considerável sobre as chances de reverter sua situação, com a opinião de especialistas sugerindo que as possíveis mudanças no cenário político são mais teóricas do que práticas.
Apesar disso, Bolsonaro tem feito mobilizações populares e participa de eventos para demonstrar força política, tentando replicar atos de apoio em todo o país. Propostas de alteração da sua situação também estão em trâmite no Congresso, mas enfrentam obstáculos.
