Climatologista detalha a ameaça do metano no Ártico e prevê a perda de grande parte da floresta Amazônica se o aquecimento ultrapassar 2 graus Celsius
Brasília, 14 de outubro 2025
Em face da dificuldade global em reduzir os combustíveis fósseis — embora alguns países, como o Brasil, estejam dispostos a diminuir o desmatamento — o climatologista Professor Carlos Nobre rejeita a ideia de que a COP de Belém possa decretar o fim da meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
Segundo o professor, durante entrevista na segunda-feira (13/out), no programa Roda Viva, da TV Cultura, embora o Acordo de Paris (Cor de Paris) tenha estabelecido 1,5°C como ideal e admitido a possibilidade de chegar a 2°C, a ciência subsequente demonstrou de jeito nenhum que 2°C seria aceitável, reforçando a urgência em manter o limite de 1,5°C.
A rápida redução das emissões é crucial. Caso as emissões líquidas só sejam zeradas em 2050, as temperaturas ultrapassarão 2°C, podendo chegar a 2,5°C, conforme indicam alguns estudos.
Amazônia e Permafrost: Os Pontos de Não Retorno
Chegar a 2,5°C implica atingir múltiplos pontos de não retorno. Uma das consequências mais devastadoras seria a perda de 70% da Amazônia, um processo que se iniciaria após 2050.
Outro risco alarmante é o degelo do permafrost, o solo congelado que se estende pelo norte da Sibéria, norte do Canadá e norte do Alasca.
Esse degelo já começou. O permafrost contém uma quantidade gigantesca de metano congelado, um gás com efeito estufa 28 a 30 vezes mais poderoso que o gás carbônico na retenção de calor.
Se a temperatura global atingir 2°C até 2100, os estudos preveem a libertação de mais de 200 bilhões de toneladas desses gases do solo congelado.
Além disso, a ultrapassagem deste limite levaria à extinção dos recifes de corais e de muitas outras espécies. Nobre salienta que, mesmo com os recordes de temperatura atuais, já há espécies sendo extintas em todo o mundo.
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O Cenário de 4°C: Planeta Inabitável
Caso as emissões não sejam reduzidas rapidamente e o planeta atinja 3°C a 4°C em 2100, um cenário que é totalmente possível, grande parte da Terra ficará inabitável para os humanos.
Neste cenário extremo, nas regiões equatoriais ao nível do mar, a combinação de temperatura e humidade atingirá um nível que o corpo humano não consegue resistir, sendo incapaz de perder calor.
Os impactos de 3°C a 4°C em 2100 incluem:
Regiões equatoriais: Temperaturas extremas o ano todo; Região Sudeste: Cerca de 100 a 120 dias com temperaturas insuportáveis; Latitudes médias: Entre 70 e 90 dias de calor extremo durante o verão.
O consenso científico é veemente: nós não podemos deixar de jeito nenhum isso acontecer.
O professor Carlos Nobre alerta: se passarmos de 1.5°C, vamos perder 70% da Amazônia e descongelar o permafrost (liberando gás metano 30x mais potente!).
— Roda Viva (@rodaviva) October 14, 2025
A COP-30 precisa acelerar as metas ou o planeta se tornará inabitável até 2100. #SomosCultura #Amazônia #COP30 pic.twitter.com/k0tC6nJDaC







