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No G20, Lula pautará ‘Proteção à Amazônia’, ‘Fome e Desigualdade’ e ‘Reformas na ONU’

    O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), discursa durante cerimônia de diplomação, em 12 de dezembro de 2022, antes de assumir seu terceiro mandato, na sede do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em Brasília | Foto / AFP 12.12.2022

    Eu vou lá para discutir uma coisa que me incomoda: desigualdade de gênero, racial, no acesso à saúde e à educação. É preciso que esse mundo seja mais justo“, disse Lula, na sexta

    O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), parte rumo a Nova Déli, capital da Índia, logo após as festividades do 7 de Setembro, e lá participará da 18ª Cúpula do G20.

    Na ocasião, o Brasil assumirá a presidência do Grupo formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia pela primeira vez na história.

    Lá, o estadista deve pautar os seguintes temas: 1.proteção à Floresta Amazônica e contenção das mudanças climáticas; 2.combate à fome e desigualdade; e 3.nova governança global, com reformas em organismos multilaterais, como a ONU (Organização das Nações Unidas), como informa o portal de notícias ‘Metrópoles.

    Semana que vem irei para a Índia, no encontro do G20. Um encontro importante para o Brasil. Eu vou lá para discutir com ele uma coisa que me incomoda: a desigualdade. Desigualdade de gênero, racial, no acesso à saúde e à educação. É preciso que esse mundo seja mais justo”, adiantou Lula, na sexta-feira (1/9), via aplicativo ‘X‘ (ex-‘Twitter‘).

    Demandas de valor socioeconômico no G20

    Os três principais temas na agenda brasileira convergem para o fim da desigualdade – não apenas financeira e de acessos, mas também sobre a responsabilização pelas mudanças climáticas, e por mais equidade nos debates internacionais entre países.

    São demandas distintas. O ‘fim da fome’ e a proteção da Amazônia, por exemplo, são apresentados em termos absolutos por recurso retórico. Ao cabo, são processos: nunca estarão concluídos. Progressivamente, é possível reduzir a fome e as desigualdades, bem como ampliar a proteção ambiental. E é isso o que importa”, avalia o internacionalista Antonio Jorge Ramalho da Rocha.

    O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) pondera, entretanto, ao citar retrocessos durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que “a orientação política e o engajamento das lideranças importam, para o bem e para o mal, como aprendemos”.

    Exemplo disso também é a reforma do Conselho de Segurança da ONU, demanda defendida pelo presidente Lula, com ainda mais afinco, neste terceiro mandato. Segundo Rocha, trata-se de um processo “discreto, absoluto, que depende da vontade dos Estados que o constituem”.

    Não se vê, no horizonte, consenso dos países que detêm o poder de veto no sentido de realizar essa reforma. Interessa-lhes preservar a organização como está, mesmo anacrônica e carente de representatividade”.

    Nova governança global

    A proposta de mudança no espaço de caráter decisório da ONU, o Conselho de Segurança, que difere de outros braços da agência voltados para “recomendações”, dialoga com o conceito de nova governança global, reiterado em diversas ocasiões por Lula, como parte da retórica diplomática brasileira.

    O conceito representa a busca por organismos multilaterais mais equilibrados e inclusivos, em especial pela integração do chamado Sul Global.

    Ou seja, uma reforma do contexto global marcado pela hegemonia dos Estados Unidos e da Europa Ocidental.

    O Brasil é membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU desde 1/1/2022.

    Para encerrar conflitos ou auxiliar na recuperação pós-catástrofes, a instância pode ordenar operações militares internacionais, aplicar sanções e criar missões de paz.

    O Brasil já foi responsável por uma dessas missões, no Haiti, iniciada em 2004.

    O órgão é atualmente composto por 15 membros com direito a voto.

    Cinco permanentes têm direito a veto.

    São eles: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.

    Os demais 10 assentos são distribuídos de acordo com a região.

    Na prática, o órgão centraliza debates em nações europeias, e o poder de veto impede o avanço de discussões em que há divergência.

    Por exemplo, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, em que a UE demanda ações mais enérgicas e a Rússia veta, impede que os debates avancem.

    Outro ponto é que os discursos não englobam outros pontos de vista (de países da América Latina e da África, por exemplo).

    Além disso, a liderança brasileira no G20 se ampara na expansão do Brics – anteriormente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul –, que ampliará o peso do Sul Global na agenda diplomática ao incluir seis novos membros: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Argentina, Egito, Irã e Etiópia.

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