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No Altas Horas, Felca diz que é ameaçado por pedófilos, mas são eles que devem ter medo (vídeo)

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    Felipe Bressanim
    Felipe Bressanim Pereira, o Felca – youtuber, influenciador digital e humorista que ficou recentemente mais conhecido por um vídeo viral em que ele denuncia a adultização de crianças e adolescentes nas redes sociais reação e sátiras -, é entrevistado no programa Altas Horas |16.8.2025| Imagem reprodução rede Globo


    O escândalo de adultização que levou à prisão de Hytalo Santos chocou o Brasil pela exploração de menores nas redes sociais, desencadeando investigações e debates no Congresso sobre proteção digital de jovens – ASSISTA



    Brasília, 17 de agosto de 2025

    No último dia 6 de agosto, o youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, lançou um vídeo intitulado “Adultização”, que rapidamente se tornou um marco na luta contra a exploração de crianças e adolescentes nas redes sociais.

    Com mais de 41 milhões de visualizações no YouTube, o conteúdo expôs práticas de sexualização infantil, destacando o caso do influenciador Hytalo Santos, que já estava sob investigação do Ministério Público da Paraíba (MPPB) desde 2024.

    A denúncia culminou na prisão preventiva de Hytalo Santos e de seu marido, Israel Nata Vicente, no dia 15 de agosto, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, por suspeitas de tráfico humano, exploração sexual infantil e trabalho infantil artístico irregular.

    Durante sua participação no programa Altas Horas, da TV Globo, no sábado, 16 de agosto, Felca revelou que a indignação foi o motor de sua ação.

    “Se você não sente indignação, não é um ser humano. Eu, como senti e tinha um público, simplesmente liguei a câmera e falei”, declarou o youtuber de 26 anos.

    Ele afirmou estar preparado para reações adversas, incluindo ameaças e processos judiciais, mas enfatizou que o medo deve recair sobre os responsáveis pelos crimes, não sobre quem os denuncia.

    “Pedófilos que se incomodaram pessoalmente por quebrar o esquema de pedofilia deles vão se sentir atacados e bater de frente, mas, sinceramente, quem tem que ter medo são eles, não uma pessoa que está denunciando”, completou.

    O impacto do vídeo foi imediato. Após a viralização, a conta de Hytalo Santos no Instagram, que contava com mais de 17 milhões de seguidores, foi desativada, assim como a da adolescente Kamylinha, associada a ele.

    O MPPB, em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Polícia Civil, intensificou as investigações, resultando em medidas judiciais como a suspensão dos perfis de Hytalo nas redes sociais, a proibição de contato com menores e a desmonetização de seus conteúdos.

    A Justiça da Paraíba também autorizou buscas em endereços ligados ao influenciador, apreendendo computadores e celulares.

    O caso ganhou proporções políticas. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou a criação de um grupo de trabalho para discutir o PL 2628/2022, que propõe medidas para proteger menores no ambiente digital. “Esse é um tema urgente, que toca no coração da nossa sociedade”, afirmou Motta.

    Além disso, o STF reforçou a necessidade de responsabilização das plataformas digitais, com o ministro Alexandre de Moraes declarando: “O que não pode no mundo real, não pode no mundo virtual”.

    A SaferNet registrou um aumento de 114% nas denúncias de exploração sexual infantil online entre 6 e 12 de agosto, com 1.651 denúncias únicas, comparadas a 770 no mesmo período de 2024.

    O Disque 100 também reportou mais de mil registros desde a publicação do vídeo, evidenciando a magnitude do problema. Especialistas, como Cristina Cordeiro, do Instituto Liberta, destacaram a dificuldade de remover conteúdos nocivos sem regulamentação adequada. “O vídeo que ele produziu não só foi muito assistido, mas gerou debates e movimentou o Ministério Público, a classe política e as famílias”, afirmou.

    Hytalo Santos negou as acusações, alegando que os menores, chamados por ele de “crias”, formam uma “família não tradicional” com consentimento das mães. Sua defesa reiterou sua inocência e colaboração com as autoridades, mas a Justiça justificou a prisão preventiva pela suspeita de destruição de provas e intimidação de testemunhas.

    O caso expôs a vulnerabilidade de menores em comunidades como Bayeux (PB), onde Hytalo recrutava jovens de áreas com alta vulnerabilidade social, com 33% dos domicílios em locais irregulares e 16 mil famílias beneficiárias do Bolsa Família.

    A exposição de Kamylinha, uma adolescente que vive com Hytalo desde os 12 anos, foi central na denúncia, com vídeos mostrando-a em danças sensuais para públicos adultos.

    Felca também enfrentou ataques, processando 233 perfis no X por calúnia e difamação, com a Justiça de São Paulo autorizando a quebra de sigilo dessas contas. Ele prometeu doar eventuais indenizações para instituições de caridade, reforçando seu compromisso com a causa.

    A denúncia de Felca não apenas trouxe visibilidade a um problema grave, mas também catalisou ações concretas, desde prisões até debates legislativos, destacando a urgência de regulamentar as redes sociais para proteger crianças e adolescentes.



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