O portal de notícias editou as duas mídias dos dois parlamentares, introduzindo cortes com argumentos da deputada desmentindo as fake news ditas pelo aliado do ex-presidente, em vídeo viral nas redes sociais – ASSISTA E SAIBA MAIS
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O deputado federal bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) teve sua imagem definitivamente associada a um “mentiroso“, graças a verificações de agências de checagem de notícias, bem como após sua colega de trabalho na Câmara, Erika Hilton (PSOL-SP), produzir um vídeo desmentindo as fake news que o mineiro contou sobre a taxação do PIX.
No fim da semana, o Aos Fatos explicou como a desinformação de Nikolas Ferreira viralizou. O portal de checagem disse que a fake news sobre o tema já circulava e ganhou maior alcance porque o parlamentar foi cuidadoso em não incorrer em desinformação diretamente para viralizar.
O conteúdo foi pensado como parte de estratégia de marketing político. O Aos Fatos disse ainda que uma possível mudança em conteúdos recomendados pela Meta Platforms Inc., também pode ter influenciado no alcance e que uma tendência anterior de desinformação econômica, estratégia política coordenada e novas regras de recomendação de conteúdo no Instagram estão entre as possíveis explicações.
A gravação atingiu quase 300 milhões de visualizações em apenas dois dias (mais do que a população brasileira), o que levou o governo a cancelar, na quarta (15/jan), a norma que obrigava instituições financeiras a informar movimentações acima de R$ 5.000 mensais à Receita Federal.
O vídeo em que Nikolas Ferreira acusa o governo de perseguir pequenos empresários foi disseminado por políticos e influenciadores. A viralização pautou teorias da conspiração que acusam o Instagram de impulsionar o post artificialmente.
Pra piorar sua situação de Nikolas Ferreira, que tem agora sua imagem associada a “mentiroso“, o portal de notícias Metrópoles fez uma montagem com as mídias do bolsonarista e de Erika Hilton, introduzindo cortes com argumentos da psolista desmentindo o bajulador do presidente de honra de seu partido. O jornalista Guga Noblat mostra a compilação feita pelo site brasiliense e diz que “vale ver“.
Assista a seguir e leia mais depois:
Vocês viram o video que compara as falas de Nikolas Ferreira com as da Erika Hilton? Vale ver. pic.twitter.com/UxV6ADfW5S
— GugaNoblat (@GugaNoblat) January 19, 2025
O Aos Fatos explicou, em um passo a passo, como o momento escolhido para a publicação do vídeo, o formato do conteúdo e as mudanças na política da Meta podem explicar o grande número de visualizações.
1. Tendência nas redes
Peças de desinformação sobre a nova norma da Receita Federal já estavam circulando quando o parlamentar publicou seu vídeo. Na semana passada, Aos Fatos desmentiu publicações que alegavam que o governo federal passaria a taxar transações acima de R$ 5.000 feitas via Pix.
Posts que contêm alegações falsas podem ser marcados e ter seu alcance reduzido nas plataformas. O vídeo de Nikolas, porém, aproveitou o embalo do tema sem incorrer diretamente em desinformação. Na gravação, Nikolas não repete a mentira de que a medida do governo resultaria em taxação. Em vez disso, diz expressamente que “o Pix não será taxado”. Na sequência, porém, semeia a dúvida: “Mas não duvido que possa ser”.
Em entrevista ao Jornal Nacional, Ferreira admitiu que tomou cuidado para não desinformar no vídeo. “De fato, eu coloquei que não duvidaria se também o Pix fosse taxado no futuro, mas deixei bem claro que o Pix não será taxado”, afirmou. Para reforçar o argumento de desconfiança no governo federal, Nikolas cita outros exemplos, como a taxação de compras em sites estrangeiros, sancionada por Lula em junho de 2024 após uma série de idas e vindas.
Mesmo contornando as mentiras, a publicação de Nikolas pautou peças de desinformação. Parlamentares e celebridades foram às redes se posicionar contra a suposta taxação do Pix citando o vídeo do deputado como referência. Carlinhos Maia, influenciador com mais de 33 milhões de seguidores no Instagram, publicou um story elogiando a gravação e criticando a falsa cobrança.
Na quinta-feira (16/jan), o deputado mineiro voltou a fazer insinuações em seu perfil no X. Após o governo federal revogar a norma, Nikolas postou trecho de um texto do site da Receita Federal e perguntou aos seguidores: “Isso não é um claro indício de que a Receita queria, no fim das contas, taxar os informais?”
Estratégia política
O vídeo que viralizou não foi uma manifestação espontânea e isolada, mas sim uma estratégia articulada pela oposição para atacar o governo. Segundo O Globo, o deputado teria sido escalado pelo marqueteiro Duda Lima para fazer críticas às novas regras da Receita Federal. A escolha de Nikolas foi motivada por seu alto número de seguidores nas redes sociais e pelo vínculo com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O marqueteiro não participou da elaboração do roteiro do vídeo — feito pelo parlamentar e por sua equipe —, mas ajudou a definir as estratégias de abordagem do tema. “Oposição inteligente se faz nos erros do governo, de maneira clara, objetiva, dizendo a verdade e mostrando como poderia ser melhor. Ninguém precisa inventar nada. Reitero que estou aposentado de campanhas eleitorais”, disse Lima à CNN Brasil.
Após a publicação do vídeo por Nikolas, outros parlamentares do PL (Partido Liberal) também participaram da campanha, entre eles os deputados André Fernandes (PL-CE) e Gustavo Gayer (PL-GO), que atribuíram a revogação da medida como uma vitória da oposição.
Mudança nos algoritmos
No último dia 7, a Meta Platforms Inc., anunciou uma série de mudanças, como o fim do programa de checagem de fatos nos Estados Unidos e regras de moderação mais permissivas. Entre as novidades também está o retorno da recomendação de conteúdo político no feed. Se estiver em vigor no Brasil, a publicação de Nikolas pode ter sido recomendada para pessoas que não seguem o parlamentar, mas que se identificam com o tipo de conteúdo publicado por ele — o que aumentaria o alcance da publicação.
Questionada pelo Aos Fatos, a Meta não negou nem confirmou se já estava recomendando conteúdo político para usuários brasileiros quando o vídeo do deputado viralizou. No entanto, em carta enviada à AGU (Advocacia-Geral da União), a empresa afirmou que as mudanças relacionadas à moderação de conteúdo estão em vigor no Brasil — ao contrário do encerramento da parceria com os checadores, limitado aos Estados Unidos.
O grande alcance do vídeo fez surgir uma teoria da conspiração de que a big tech teria inflado artificialmente o engajamento do conteúdo com robôs ou impulsionamento — promoção de um conteúdo mediante pagamento. Além da possível mudança nas regras de recomendação, não há indício de que outros mecanismos tenham sido usados para ampliar o alcance do conteúdo.
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