Os novos líderes da República africana, no poder desde julho de 2023, prometeram estudar a história recente a fim de elaborar um cronograma para a República europeia pagar ‘dívidas da exploração de seus recursos naturais‘
No século XIX, os franceses iniciaram a colonização do Níger, que obteve sua independência no ano de 1960. O idioma oficial do país, o francês, é uma das heranças desse processo de ocupação. Em julho de 2023, o país sofreu um golpe militar, se juntando a Mali e Burkina Faso, também ex-colônias francesas no chamado Sahel.
A região é uma faixa de extensão entre o deserto do Saara, ao norte, a savana do Sudão, ao sul, o Oceano Atlântico, a oeste, e o Mar Vermelho, a leste. O local é assolado por conflitos e tem grande presença de grupos terroristas.
O novo líder do país e do conselho militar do Níger é Abdourahamane Tiani (foto), desde que assim se autoproclamou em transmissão feita na TV estatal do país, naquele mês do ano passado. Ele era chefe da guarda presidencial, responsável por destituir Mohamed Bazoum, no cargo desde abril de 2021 após vencer a eleição presidencial local.
Tiani disse na semana passada à imprensa do país que: “a França pilhou incontrolavelmente nossos recursos por mais de cem anos durante o período de domínio colonial e neocolonial” e agora exige ser compensado pelo país liderado pelo atual presidente Emmanuel Macron (foto).
Segundo Abdourahamane Tiani, os franceses exploraram por mais de um século os recursos naturais do Níger, na condição de sua colônia e neocolônia e prometeu estudar toda a história recente da África para desenvolver um cronograma de reembolso das dívidas acumuladas. O novo líder não colocou a França na Justiça, como o título pode sugerir.
Em janeiro, o Ministério das Relações Exteriores da França informou que sua embaixada no Níger foi fechada “até novo aviso“. O país africano também declarou na semana passada que está formando uma confederação com o Mali e o Burquina Fasso em oposição a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental).
