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Netanyahu altera rota de voo para EUA por risco de prisão no TPI devido a crimes de guerra em Gaza

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    O primeiro-ministro
    O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu a bordo de seu avião oficial / Foto: Avi Ohayon/EFE


    Viagem diplomática de Israel ganha contornos de tensão internacional com desvio aéreo inédito e isolamento crescente em meio a mandados judiciais globais



    Jerusalém, 26 de setembro de 2025

    O primeiro-ministro Benjamín Netanyahu alterou drasticamente a rota de seu voo oficial rumo aos Estados Unidos, evitando os espaços aéreos de países europeus signatários do Tribunal Penal Internacional (TPI), como França e Espanha.

    A viagem, que partiu do Aeroporto Ben Gurion em Tel Aviv na madrugada de 25 de setembro, adicionou cerca de 600 quilômetros ao trajeto habitual, prolongando o tempo de voo e optando por um caminho mais ao sul, sobre o Mar Mediterrâneo, passando brevemente por Grécia e Itália, antes de cruzar o Estreito de Gibraltar e o Atlântico Central.

    Essa manobra, rastreada por sites como Flightradar24, é interpretada como uma precaução contra a possibilidade de um pouso de emergência que poderia resultar em sua prisão imediata, em cumprimento a um mandado emitido pelo TPI em novembro de 2024, conforme mostra matéria de Trinidad Deiros Bronte, no El País.

    O mandado acusa Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant de crimes de guerra e contra a humanidade durante a ofensiva israelense em Gaza, incluindo o uso da fome como método de guerra, privação de água, remédios e combustível à população civil.

    De acordo com o painel de juízes do TPI, sediado em Haia, há “motivos razoáveis para acreditar” que os líderes israelenses foram responsáveis por ações que causaram mais de 65 mil mortes no enclave palestino desde outubro de 2023, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza.

    Israel, que não é signatário do Estatuto de Roma, rejeita as acusações como “absurdas e falsas“, enquanto os Estados Unidos, também não membros do TPI, continuam a oferecer apoio incondicional a Netanyahu, incluindo sanções contra procuradores e juízes da corte como retaliação.

    Essa não é a primeira alteração em rotas de voo de Netanyahu motivada pelo mandado. Em fevereiro, após uma cirurgia de próstata, o embaixador israelense nos EUA, Yechiel Leiter, revelou que o avião oficial, batizado de Asas de Sião, estendeu o percurso para sobrevoar bases militares americanas na Europa, como Sigonella na Sicília e Rota em Cádiz, garantindo atendimento médico sem risco de detenção.

    Na ocasião, Leiter afirmou: “Acabava de ser operado, viajou com dois médicos e lhe disseram que poderia ter que aterrizar para receber tratamento. Mas se aterrizasse em qualquer lugar da Europa, poderia ser arrestado como criminal de guerra.”

    Desta vez, a decisão de evitar até a França — que havia aprovado o sobrevoo, mas foi contornada — coincide com tensões recentes: o presidente Emmanuel Macron reconheceu o Estado palestino em 22 de setembro, intensificando o atrito diplomático.

    Fontes internacionais confirmam o padrão de evasão. O jornal israelense Haaretz, citado em diversas reportagens, destacou que esta é a primeira rota completamente desviante da Europa desde o mandado, com um diplomático francês anônimo revelando que Paris havia autorizado o trânsito, mas o avião optou pelo desvio.

    A CNN enfatizou o contexto de “ameaça de prisão por crimes de guerra”, notando que o TPI obriga 124 países signatários, incluindo Brasil, a cumprir a ordem — embora exceções como Hungria e Argentina tenham se recusado publicamente.

    O El País detalha o isolamento de Israel: além de França e Espanha, nações como Austrália, Canadá e Reino Unido reconheceram a Palestina, enquanto uma comissão da ONU acusa Israel de genocídio em Gaza.

    Ao embarcar, Netanyahu declarou à imprensa: “Viajar a Nova York para contar ‘a verdade’ do seu país e criticou a ‘aqueles dirigentes que, em lugar de denunciar aos assassinos, violadores e queimadores de crianças [Hamas], querem dar-lhes um Estado no coração da Terra de Israel’.”

    O jornalista israelense Anshel Pfeffer, em postagem no X, resumiu a ironia: “Pocas coisas ilustram tanto como Netanyahu ha levado a Israel ao isolamento diplomático como a rota que seu avião (sem jornalistas) está tomando esta manhã rumo a Nova York, cuidadosamente traçada para evitar sobrevoar países onde poderia ser arrestado por uma ordem do TPI.”

    A viagem ocorre para o discurso de Netanyahu na Assembleia Geral da ONU em Nova York, onde ele se reunirá pela quarta vez com o presidente Donald Trump desde janeiro, discutindo “as grandes oportunidades que nossas vitórias trouxeram e nossa necessidade de concluir os objetivos de guerra”.

    A 80ª Assembleia Geral da ONU, que começou na terça-feira (23/set), prossegue até o final da semana em Nova York. Netanyahu chegou e discursa nesta sexta-feira (26/set) às 10h de Brasília, abrindo a sessão de discursos do dia.

    O secretário-geral da ONU, António Guterres, criticou duramente a situação em Gaza em seu discurso inicial, sem usar a palavra “genocídio”, mas alertando para violações contínuas do direito humanitário.

    A EFE rastreou o voo de Netanyahu em tempo real, confirmando o desvio para “supostamente evitar mandado de prisão por acusação de crimes de guerra”.

    O Times of Israel citou fontes anônimas ligando a mudança a “problemas relacionados ao mandado do TPI por crimes de guerra em Gaza”. O Middle East Eye observou que Itália, França e Grécia permitiram sobrevoos anteriores, mas o desvio atual reflete oposição crescente ao “genocídio em Gaza”.

    Essa estratégia aérea reflete não apenas preocupações de segurança, mas o dilema global: enquanto Netanyahu busca aliados em Washington, seu governo enfrenta sanções e críticas na ONU, com planos para controle total de Gaza dividindo até lideranças internas de Israel.

    A viagem, sem jornalistas a bordo para “razões técnicas de segurança”, como reportado pelo Jerusalem Post, sublinha como o conflito em Gaza transformou uma simples ida à Assembleia Geral da ONU em um exercício de evasão internacional.



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