Thomas Gould ficou emocionado com as mortes em Rafah (Gaza), após ataques de Israel, que deixaram “uma criança sem cabeça” e gritou durante sessão: “Que Netanyahu queime no inferno como aquelas crianças queimaram!” – ASSISTA e entenda a decisão da Irlanda em reconhecer o Estado da Palestina
Durante uma sessão do ‘Dáil Éireann‘, o Parlamento da Irlanda, o deputado Thomas Gould chorou em seu discurso ao se lembrar das últimas imagens dos ataques realizados pelos israelenses à cidade de Rafah, na Faixa de Gaza, onde disse ter visto uma impressionante cena de uma “criança sem cabeça” e de vários palestinos em chamas.
O parlamentar desejou “que Benjamin Netanyahu queime no inferno da mesma forma que as crianças e suas famílias queimaram” no abrigo de deslocados, no enclave.
As declarações de Gould ocorreram na mesma esteira em que a Irlanda, a Espanha e a Noruega reconheceram oficialmente o Estado da Palestina após os países condenarem o contínuo bombardeamento de Gaza, onde milhares de civis foram mortos.
O primeiro-ministro irlandês Simon Harris disse que a decisão é para manter viva a esperança de uma solução de dois Estados ao mesmo tempo em que se reiteram os apelos para que seu homólogo israelense “ouça o mundo“. Assim, na sessão do Parlamento, Thomas Gould caiu em prantos e desejou ver “Netanyahu ardendo no inferno”.
Assista após a transcrição, a seguir:
“Quando você olha as fotografias, as imagens e os vídeos que vêm de lá e você ouve os gritos das pessoas… eles as queimaram vivas e o mundo fica parado, enquanto 15 mil crianças são massacradas e 35 mil homens, mulheres e crianças. É inacreditável o genocídio que está a acontecer… uma criança sem cabeça, e Israel diz que é um erro. Espero que Benjamin Netanyahu queime no inferno da mesma forma que as crianças e suas famílias queimaram. Espero que ele, seus generais e o governo de extrema direita em Israel, que quando seu Deus finalmente o levar ao seu lugar de descanso, ele mereça queimar no inferno, porque o que está acontecendo agora não é só o ‘apartheid’, não é só uma atrocidade. É um crime de guerra… é simplesmente horrível o que eles estão fazendo. “Onde está a alma deles? Onde está a alma do povo israelita que permite que o seu governo faça isto às crianças? Onde está a humanidade deles? O povo israelense, o povo judeu, depois de tudo o que o povo judeu sofreu ao longo das décadas, permitiu que seu governo fizesse isso com outros seres humanos. Mas aos olhos de Netanyahu e deste governo israelense de extrema direita, os palestinos não são seres humanos, mas hoje aqui o povo irlandês diz que reconhecemos a Palestina, reconhecemos que eles são seres humanos como cada um de nós. Que vergonha para Israel. Que vergonha o que eles fizeram e que isso nunca seja esquecido.”
Assista a seguir e leia mais depois:
Uma pancada histórica. Thomas Gould lava nossa alma no melhor discurso que você vai ver sobre o genocídio palestino hoje.
— FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil (@FepalB) May 31, 2024
"Que Netanyahu queime no inferno do mesmo jeito que aquelas crianças queimaram" pic.twitter.com/22TwYobxHx
O primeiro-ministro irlandês falou ao site ‘EuroNews‘ sobre a recente decisão do país de reconhecer o Estado da Palestina. Segundo Simon Harris, “temos de manter viva a esperança e o sonho de uma solução de dois Estados” enquanto outros países não o desejam.
O chefe de Estado disse ainda que a Irlanda acredita besta solução como uma forma de trazer paz e estabilidade ao Oriente Médio.
Simon Harris expressa dúvidas sobre o compromisso do governo Netanyahu como o reconhecimento da Palestina e da crise humanitária em Gaza, além de enfatizar a importância de capacitar vozes moderadas nos “dois Estados”. Mas Harris também condena o Hamas, distinguindo seus membros do povo que os “terroristas” representam.
“Reconhecemos o direito [do Estado de Israel] a viver em paz e segurança, e é perfeitamente aceitável dizê-lo e dizer também que existe um Estado da Palestina e que também reconhecemos a sua necessidade de viver em paz e segurança”, afirmou. O premiê irlandês defendeu a necessidade de quebrar os ciclos de ressentimento e retaliação entre Israel e Palestina. “A posição irlandesa, que visa um cessar-fogo imediato“, é “assegurar que a ajuda humanitária possa fluir e iniciar um processo político“. Segundo Harris, seu posicionamento também está dominando as opiniões em toda a Europa.
Simon Harris defende uma revisão dos “acordos de associação entre a União Europeia e Israel, que têm cláusulas sobre direitos humanos. E estas não foram introduzidas para tornar o documento mais extenso ou preencher espaço. Têm um efeito real, são palavras reais e significativas. E fazem parte de um acordo entre Israel e a União Europeia“. O premiê irlandês disse que “se pode e se deve fazer mais“.
“Não se trata de ser pró-israelita ou pró-palestiniano. Trata-se de ser a favor do direito internacional. Tem a ver com ser a favor dos direitos humanos. Trata-se de ser a favor da paz. E penso que o que está a acontecer em Gaza é inaceitável. E haverá um momento no futuro em que os vossos filhos, netos e bisnetos perguntarão: “O que é que vocês fizeram? O que é que vocês fizeram? Fizeram o suficiente?“, disse Harris.
“Não há futuro para o povo palestino com o Hamas“
Segundo Simon Harris, “o Hamas é uma organização terrorista. Deveria responder pela atrocidade que cometeu no dia 7 de outubro. É difícil descrever a magnitude desse ato. Nunca devemos evitar este ponto quando falamos no reconhecimento da Palestina. O que eles fizeram ao povo de Israel foi desprezível e brutal. E a tomada de reféns até hoje é uma crueldade acrescida ao massacre e ao ataque terrorista que o povo de Israel sofreu e esses reféns devem ser libertados incondicionalmente“.
O premiê irlandês defende “eleições democráticas em todos os países onde acreditamos na democracia e, obviamente, o resultado das eleições democráticas decide os governos dos povos”. Segundo ele, “não há futuro para o povo palestiniano com o Hamas“, disse. “Tivemos uma organização terrorista na Irlanda [o IRA (Irish Republican Army)], que tentou, por vezes, apoderar-se da nossa bandeira e sugerir que falava em nome do povo, mas não o fez. Aquilo que nos permitiu ter paz foi um processo de paz, que conduziu à situação bem sucedida que temos hoje”.
“Países de todo o mundo, incluindo a Irlanda, devem estar prontos para ajudar nesse processo. Mas não podemos chegar a esse processo enquanto não houver uma cessação da violência. Por isso, a violência tem de acabar. É preciso pôr fim à catástrofe humanitária, a ajuda tem de fluir e, depois, é necessário levar a cabo um processo de paz político. E como parte desse processo político de paz, a segurança de Israel é absolutamente vital“, disse Harris. “O povo de Israel tem o direito de viver em paz e segurança. O povo da Palestina tem o direito de viver em paz e segurança, e a comunidade global tem o direito de apoiar e ajudar a chegar a um processo de paz que garanta isso para ambos os Estados“.
Simon Harris preocupado com a “ascensão da extrema direita”
“A ideia de que o que está a acontecer agora é sustentável ou que, de alguma forma, garante a segurança de Israel é uma visão extremamente desajustada. É um beco sem saída em todos os sentidos da palavra. Se quisermos alcançar a paz, temos de entrar num processo de paz político que reconheça a existência de dois Estados. (…) A única forma de conseguir a paz em qualquer região é através de um processo político“, afirmou o premiê da Irlanda.
”Estou definitivamente preocupado com a ascensão da extrema-direita em toda a União Europeia. Preocupam-me os elementos que vemos em relação à extrema-direita aqui na Irlanda“, declarou o primeiro-ministro irlandês.”E é por isso que acredito que é muito importante que os centristas saiam à rua e tentem ganhar o maior número de votos e convencer o maior número de pessoas, no período que antecede as eleições europeias, porque acredito que o centro precisa de se manter, agora mais do que nunca, tanto aqui na Irlanda, como na União Europeia. Não quero ver nenhuma viragem para a direita“.
