Viagem ocorre após desgaste da imagem de Lula entre evangélicos após declarações sobre “genocídio” enquanto o ex-presidente e aliados tentam se aproveitar politicamente da crise diplomática
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), embarcará no dia 18 para Israel, a convite do governo de Benjamin Netanyahu, que também chamou outros gestores de unidades federativas, Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Cláudio Castro (PL-RJ), além do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para quem o premiê enviou carta pessoal, informa Mônica Bergamo, na ‘Folha de S. Paulo‘.
Candidato derrotado em 2022 para o hoje Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Bolsonaro se tornou inelegível, é investigado por tentativa de golpe de Estado e teve o passaporte apreendido durante a ‘Operação Tempus Veritatis‘.
O ex-presidente aguarda resposta do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, quanto à um pedido feito ao magistrado para reaver o documento e ir também, em uma mesma comitiva para Israel, em meio ao conflito promovido pelo Estado contra o Hamas.
O texto da jornalista observa que a viagem ocorrerá no momento em que as declarações de Lula contra Israel se intensificaram, gerando desgaste para o presidente brasileiro entre eleitores evangélicos que se identificam com o país.
O estadista opina que Netanyahu promove um genocídio de mulheres e crianças na Faixa de Gaza e, por conta das afirmações sucessivas, uma pesquisa da Genial/Quaest divulgada na semana passada revelou que a queda da avaliação positiva de Lula foi maior entre os evangélicos, com a rejeição medida neste público chegando a 62%.
Lula chegou a ser declarado “persona non grata” por Netanyahu desde sua primeira fala sobre o tema do “genocídio“, durante discurso na Etiópia, por ocasião de participação em Cúpula dos Países da África. Desde então, Bolsonaro e aliados se aproveitam politicamente da crise diplomática.
Em janeiro, entidades brasileiras que defendem Israel financiaram a viagem de magistrados brasileiros, entre eles o ministro André Mendonça, do STF, mas as críticas internacionais ao premiê vêm aumentando, com seu ápice sendo registrado na semana passada, quando o presidente dos EUA, Joe Biden, afirmou que Netanhyahu está “prejudicando mais do que ajudando” Israel com a sua postura em Gaza.
Biden afirmou que “ele tem o direito de defender Israel, o direito de continuar perseguindo o Hamas, mas ele precisa prestar mais atenção às vidas inocentes que estão sendo perdidas como consequência das ações tomadas“, transcreve a jornalista da ‘Folha‘, ao concluir a matéria.
Cinco meses após o início da campanha de Israel, após o ataque do Hamas, em 7 de Outubro, as autoridades de saúde palestinas dizem que cerca de 31 mil pessoas de seu povo foram mortas.
