“Lula pode perder? Pode”, escreve Christian Lynch, acrescentando que “a derrota hoje é possível, mas improvável”
Até agora, todos os resultados das pesquisas para o segundo turno da eleição presidencial são iguais aos apurados nas urnas no primeiro turno, mostra o cientista político e historiador Christian Lynch, em uma publicação no Twitter. Os levantamentos não apresentam oscilação de intenções de voto significativas entre os eleitores de LULA ou Bolsonaro. “Se existe uma tendência de queda de Lula e crescimento de Bolsonaro“, ela é “tão mínima, que nem dá para ser detectada“, afirma.
Lynch apresenta como referência, a totalização dos votos, em todo o país, em LULA e em Bolsonaro, no dia 2 de outubro, dia da votação no primeiro turno. Os dois candidatos somaram 108.331.849 votos, cabendo ao candidato do PT, 57.259.504 votos e ao presidente que tenta a reeleição, 51.072.345 votos. Assim, para cada cem votos, LULA obteve 52,8% e Bolsonaro, 47,2%. Em seguida, o cientista mostra os resultados, em votos válidos, das intenções do eleitor, apresentado pelas últimas pesquisas:
“Urna (em base 100), 2/10: L 52,8 / B 47,2; Quaest (likely voter), 19/10: L 52,8 / B 47,2; PoderData, 19/10: L 52,2 / B 47,8; Ipespe (eleitor interessado), 18/10: L 52,5 / B 47,5; e Datafolha, 19/10: L 52,1 / 47,9“, postou Lynch, que, em seguida, apresentou as seguintes observações:
“Como se percebe, a variação nas intenções de voto apurada pelas pesquisas consideradas no agregado têm sido mínimas. Na média, Lula teria caído 0,4%, e Bolsonaro, subido 0,475 %. Na prática, variações inferiores a 1% são na verdade desprezíveis.
O bom senso manda dizer que não é possível, por meio de pesquisas cujas margens de erro são muito maiores, fazer qualquer ilação com esse grau de variação mínima ao longo do tempo. Não é possível a sério sequer detectar a sério hoje que algo esteja acontecendo.
Com esses resultados, não é possível concluir nada por enquanto. Seria preciso esperar as pesquisas da semana que vem para ver se existe uma tendência de queda de Lula e crescimento de Bolsonaro. Se houver, ainda é tão molecular, tão mínima, que nem dá para ser detectada.
É preciso haver muito fato novo em prazo muito exíguo para mudar a estrutura das expectativas. Se esse movimento molecular existir, nessa velocidade, Bolsonaro passaria Lula daqui a dois meses. Mas nem esse movimento se pode seguramente atestar hoje com o material disponível.
Por ora, o que se vê no panorama geral oferecido pelo conjunto das pesquisas é um quadro de intenções de voto estagnado nos mesmos termos do primeiro turno. Pode-se hoje ficar tão aflito como se estava na noite no dia 3. Mas MAIS aflito, não. Ou não por causa dessas pesquisas.
(PS: O quadro do conjunto das pesquisas da semana apresentado no primeiro post foi vil e traiçoeiramente roubado de @dbelemlopes sem nem pedir permissão”.
“Está aqui o original”, mostrou o cientista político, dando retuíte no original de Dawisson Belém Lopes, professor da UFMG:
“Para dar uma noção do tamanho de desafio de Bolsonaro, aqui vão alguns dados: Urna (em base 100), 2/10: L 52,8 / B 47,2 Quaest (likely voter), 19/10: L 52,8 / B 47,2 PoderData, 19/10: L 52,2 / B 47,8 Ipespe (eleitor interessado), 18/10: L 52,5 / B 47,5 Datafolha, 19/10: ?” O resultado do último instituto ainda não havia sido divulgado.
“Lula pode perder? Pode”, escreve o cientista político no final de sua análise. “Há na vida fatores que não se podem detectar ou controlar. Contra os imprevistos, só se pode mensurar a maior ou menor probabilidade de que ocorram ou não. A derrota hoje é possível, mas improvável. Mas, para quem está inseguro, não há remédio possível”.
