📷 Prints mostram publicação da NEWMAX onde o autor argumenta que o Brasil é a próxima investida de Trump na América Latina / Reprodução
| Brasília (DF)
24 de junho de 2026
Um alto negociador do Planalto afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende interferir no processo eleitoral brasileiro de outubro de 2026.
A declaração, obtida pela colunista Daniela Lima no UOL, surge após Trump republicar em sua rede Truth Social um texto que trata a disputa presidencial brasileira como seu “próximo desafio” geopolítico.
O artigo de John Gizzi para a Newsmax argumenta que a América Latina está vivenciando uma onda conservadora impulsionada pelas ideias e pela influência de Donald Trump, totalizando oito vitórias da direita na região nos últimos sete anos.
O texto destaca as recentes vitórias eleitorais de Abelardo de la Espriella na Colômbia e de Keiko Fujimori no Peru como os exemplos mais novos desse realinhamento geopolítico voltado para pautas de lei e ordem, antissocialismo e nacionalismo econômico.
O autor lista outros seis países onde esse movimento triunfou (El Salvador, Argentina, Equador, Honduras, Bolívia e Chile), mas aponta que o cenário ainda enfrenta resistência em regimes de esquerda como Venezuela, Cuba e Nicarágua.
O Brasil é apontado explicitamente pelo autor como o principal cenário geopolítico a ser observado no futuro imediato da região. O artigo destaca os seguintes pontos sobre o país:
Mudança Definitiva no Mapa Político:
Gizzi conclui a análise sobre o país afirmando que, caso o Brasil se junte oficialmente a essa lista de nações que migraram para a direita, o mapa político da América Latina será transformado de maneira drástica e definitiva em comparação com a década passada.
O Peso-Pesado da Região:
O Brasil é descrito como a maior nação da América Latina e o principal “peso-pesado” político do continente, tornando qualquer mudança em seu comando altamente impactante.
A Próxima Eleição Presidencial:
A futura disputa presidencial brasileira é classificada como “a disputa de maior consequência no hemisfério”.
Estratégia da Direita:
O texto afirma que os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro estão se organizando e se reunindo em torno de seu filho com o objetivo claro de destituir o atual presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva.
Debate Institucional:
O artigo menciona que o cenário político brasileiro já está gerando debates intensos quanto à integridade do sistema eleitoral e se o processo será conduzido de forma considerada livre e justa por todos os lados envolvidos.
Leia a íntegra traduzida para o português:
O Palácio do Planalto interpretou a postagem como sinal claro de intenção de influência externa.
Um auxiliar de Luiz Inácio Lula da Silva na área internacional resumiu: “Ele vai tentar interferir no processo eleitoral aqui. É só o começo.”
Trump construiu nas últimas semanas um roteiro detalhado de intenções na América Latina.
Após elogiar inicialmente a “química” com Lula, o tom mudou para hostilidade.
O ponto de virada coincidiu com a visita de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca.
Dias depois, os Estados Unidos classificaram o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas de alcance internacional.
Vieram também ameaças de novo “tarifaço” ligado ao Pix e críticas à política brasileira de combate ao desmatamento.Trump chegou a inventar uma figura fictícia chamada “Bolsonaro Júnior”, alegando que ela teria sido presa por estar bem nas pesquisas — informação desmentida publicamente.
Flávio Bolsonaro, que se apresenta como pré-candidato à Presidência, inscreveu-se em audiência pública nos Estados Unidos para debater punições ao Brasil pelo Pix e pela política ambiental.
Ele cobrou publicamente a ausência de Lula no debate.
O governo brasileiro reagiu com firmeza.
O mesmo alto negociador do Planalto explicou à coluna: “O governo já tem um canal direto com os americanos. […] Audiência pública, como o Flávio sabe, ele é senador, é para trazer associações civis e entidades privadas para um debate. Governos falam com governos. Estados falam com Estados. Não é jogo para plateia. É questão grave, séria e de implicação para a economia nacional.”
Desde a ameaça de sobretaxa, já ocorreram duas reuniões bilaterais.
Novas estão marcadas até 15 de julho de 2026, data em que os americanos decidirão sobre eventuais sanções.
Uma vitória de candidatos alinhados ao bolsonarismo nas eleições de outubro seria interpretada por Trump como triunfo pessoal.
O Planalto trabalha para ampliar articulações internacionais e proteger a legitimidade do pleito.
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FAQ Rápido
O que exatamente disse o negociador de Lula?
Que Trump tentará interferir nas eleições brasileiras usando Flávio Bolsonaro como ponte e que isso representa apenas o início de uma estratégia mais ampla.
Por que Trump mudou o tom em relação ao Brasil?
Após a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca, vieram a classificação de facções criminosas como terroristas e ameaças de tarifas. O Planalto vê relação direta entre os eventos.
Qual o risco para a democracia brasileira?
Qualquer tentativa de influência externa no processo eleitoral representa ameaça à democracia e à soberania nacional, independentemente de qual lado venha.
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