Ideia da advogada e militante é herdar mais de 1 milhão de votos de Guilherme Boulos em SP e ajudar a renovar a bancada socialista em 2026
Brasília, 15 de dezembro 2025
A advogada Natalia Szermeta Boulos anunciou nesta segunda-feira (15/dez) sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados pelo PSOL em São Paulo, mirando as eleições de 2026.
A iniciativa, costurada em conjunto com movimentos sociais como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) visa herdar os mais de 1 milhão de votos que o marido, o ministro da Secretaria Geral da Presidência Guilherme Boulos, conquistou em 2022, tornando-o o deputado federal mais votado do estado e o segundo do país.
Boulos reafirmou seu compromisso com o governo Lula até o fim do mandato, saindo de cena eleitoral e abrindo espaço para a esposa como ponte para o eleitorado progressista paulistano.
“No próximo ano temos duas importantes tarefas: reeleger o presidente Lula e mudar o Congresso Nacional que hoje se comporta como inimigo do povo”, escreveu Natalia, segundo transcrição em O Globo, sinalizando um tom combativo alinhado à agenda do partido.
Sua trajetória, forjada há mais de duas décadas na base da organização popular, ganha agora projeção nacional.
Como secretária de organização do PSOL, ela dedicou anos a ações de rua, com o “pé no barro”, como descreve em postagens recentes.
Mas seu engajamento remonta a pelo menos 2014, quando já coordenava ocupações e mobilizações no MTST em São Paulo, conforme registros de eventos do movimento que destacam sua liderança em campanhas por moradia digna e contra a fome – um pilar que ecoa nas cozinhas solidárias e atos periféricos que ela ajudou a impulsionar.
A pré-candidatura de Natalia não surge isolada: ela disputará uma vaga na Câmara ao lado da deputada Ediane Maria (PSOL-SP), indicada pelos mesmos movimentos sociais e em busca do segundo mandato.
Essa chapa reforça a aposta do partido em perfis combativos, especialmente após o desafio imposto pela cláusula de barreira – que exige, para 2026, ao menos 13 deputados distribuídos por um terço das unidades da federação ou 2,5% dos votos válidos nacionais.
Em 2022, o PSOL superou o critério em 12 estados; agora, o foco é evitar encolhimento e confrontar bolsonaristas em redutos chave como São Paulo e Rio de Janeiro.
O PSOL em São Paulo vive um momento de transição acelerada. Boulos, que em 2023 somou 2,1 milhões de votos na disputa pela prefeitura contra Ricardo Nunes (MDB), credenciou-se para o ministério federal com sua defesa ferrenha do governo Lula e oposição a manobras congressuais, como a PEC da Blindagem.
Seu afastamento cria um buraco que o partido espera que Natalia ocupe, absorvendo votos do MTST – berço político do marido – e ampliando presença em atos e redes sociais.
“Eu tenho uma longa trajetória de luta, dediquei mais de 20 anos da minha vida construindo na ponta […] a organização popular”, enfatizou ela, ecoando uma militância que, em 2022, já a posicionava como pré-candidata em articulações internas do movimento, embora adiada pela ascensão de Boulos.
Enquanto isso, a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) emerge como a principal puxadora de votos no estado. Primeira mulher trans eleita por São Paulo para a Câmara, ela ganhou holofotes em pautas como o fim da escala 6×1 no varejo, consolidando-se como herdeira natural do carisma boulosista.
Outras transições preocupam: aos 91 anos, Luiza Erundina pondera sobre reeleição, e Ivan Valente, aos 79, prepara Juliano Medeiros como sucessor.
O PSOL investe nessas renovações para manter o fôlego em um cenário polarizado, onde nomes com apelo nas redes e nas ruas podem decidir vitórias contra a extrema-direita.
A jogada de Natalia Szermeta Boulos não é mera sucessão familiar: é uma tática para revitalizar a esquerda paulista, capitalizando o legado de mobilizações que datam de ocupações pioneiras no MTST, como as de 2014 em periferias de São Paulo, onde ela articulou suporte comunitário em meio a despejos e crises habitacionais.
Com o Congresso sob fogo cruzado e as eleições de 2026 se aproximando, sua entrada promete agitar o tabuleiro – e testar se o fogo da base popular pode incendiar as urnas federais.

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