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    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Colorado (US)
    28 de agosto de 2026

    Uma equipe de cientistas dos Estados Unidos está voando propositalmente para dentro de nuvens formadas por incêndios florestais para entender um fenômeno que ainda intriga a meteorologia: as tempestades de fumaça conhecidas como pirocumulonimbo.

    A missão, batizada INSPYRE, usa dois aviões de altitude extrema e equipes terrestres espalhadas pelo oeste da América do Norte durante todo o verão americano de 2026.

    O que é a missão e por que ela existe

    A INSPYRE — sigla em inglês para “Experimento de Fumaça Injetada e Pirocumulonimbo” — é conduzida pela NASA em parceria com o Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos, a Fundação Nacional de Ciência e o Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica (NCAR).

    A campanha, que começou em julho e segue até 11 de setembro de 2026, mobiliza o avião ER-2 — versão modificada do histórico avião-espião U-2 da Guerra Fria — para observar as nuvens à distância, e o Gulfstream V, operado pela NSF/NCAR a partir de sua base em Broomfield, no Colorado, para atravessar fisicamente as colunas de fumaça e coletar amostras de ar.

    O pirocumulonimbo se forma quando o calor extremo de um incêndio de grandes proporções empurra fumaça, vapor e partículas para cima com força suficiente para criar uma tempestade completa, com raios e ventos próprios — um fenômeno que pode gerar tornados de fogo e piorar drasticamente as condições de combate às chamas no solo, segundo detalha a CNN International.

    O que os cientistas já descobriram este verão

    Em 3 de agosto de 2026, a equipe registrou um de seus primeiros voos de coleta bem-sucedidos, atravessando um pulso de fumaça de alta altitude gerado pelo incêndio Widemouth 2, em Utah, um dos maiores do estado neste ano, iniciado por um raio em 27 de julho, conforme relatou a própria NASA.

    O incêndio chegou a produzir três pirocumulonimbos em um único dia — incluindo um raro exemplar formado de madrugada, sem o calor solar que normalmente alimenta esse tipo de convecção.

    O engenheiro atmosférico David Peterson, principal investigador da missão, explicou à equipe de reportagem da CNN que a coluna de fumaça gerada pelo fogo funciona como uma “bolha quente” que desencadeia a tempestade, o que faz o incêndio literalmente “se alimentar de si mesmo”.

    Peterson também descreveu a área de pesquisa como pouco compreendida, afirmando à emissora local Denver7 que o fenômeno “ainda não é bem compreendido” nem bem previsto pelos modelos meteorológicos atuais.

    Por que isso importa além do combate a incêndios

    O maior risco identificado pelos cientistas não está apenas no solo. Uma vez que a fumaça atinge a estratosfera — camada da atmosfera acima de onde se forma a maior parte do clima —, as partículas podem permanecer suspensas por meses ou até anos, circulando por todo o planeta e influenciando o equilíbrio de radiação da Terra, de acordo com reportagem da NBC News sobre uma missão anterior semelhante.

    Estimativas científicas citadas pela NASA indicam que incêndios florestais podem já ser responsáveis por até 25% do carbono negro e dos aerossóis orgânicos encontrados na baixa estratosfera do planeta.

    A prática de voar diretamente para dentro dessas nuvens não é inédita: em 8 de agosto de 2019, um avião DC-8 da NASA já havia atravessado um pirocumulonimbo formado sobre um incêndio no estado de Washington, durante a missão conjunta FIREX-AQ com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), episódio registrado à época pela Fox News como a primeira amostragem detalhada da história desse tipo de fenômeno visto do ar.

    O avanço dessas missões reflete uma mudança de escala no próprio problema: incêndios florestais que antes eram tratados como eventos locais de combate ao fogo hoje são reconhecidos, pela ciência atmosférica americana, como fontes de impacto climático comparáveis a erupções vulcânicas.

    Entender esse mecanismo tem relevância direta para qualquer país sujeito a grandes queimadas, já que a fumaça injetada na estratosfera não respeita fronteiras nacionais.

    FAQ Rápido

    O que é a missão INSPYRE?
    Uma campanha científica da NASA e de outras agências dos Estados Unidos que usa aviões para voar dentro e sobre nuvens de pirocumulonimbo geradas por incêndios florestais, entre julho e setembro de 2026.

    Por que os cientistas voam para dentro dessas nuvens?
    Para coletar amostras diretas de fumaça e gases, medindo como esse material se comporta ao ser injetado na estratosfera — algo que não pode ser feito apenas por satélite.

    Esse fenômeno afeta o clima global?
    Sim. A fumaça que atinge a estratosfera pode circular pelo planeta e permanecer lá por meses ou anos, influenciando o equilíbrio de radiação da Terra, segundo estimativas da NASA.

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