O deputado mostra trecho do famigerado vídeo em que o general sugeriu usar agentes infiltrados na campanha do hoje Presidente, mas foi “interrompido por Bolsonaro, que ficou com medo da conversa vazar” – ASSISTA
O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) mostrou, em sua conta oficial na plataforma social de microblogging ‘X’, um trecho do famigerado vídeo da reunião ministerial realizada em 2022, pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), que motivou a ‘Operação Tempus Veritatis‘, deflagrada pela PF (Polícia Federal), por determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes.
Nas imagens, o então ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), que tinha a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) sob sua jurisdição, sugeriu ao então ocupante do Palácio do Planalto o uso de agentes do órgão, infiltrados na campanha do então candidato à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é hoje o Comandante Supremo das Forças Armadas, conforme estabelecido no art. 142 da Constituição Federal.
A gravação do encontro estava em um dos computadores do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, que segue preso. O vídeo é uma das provas e outros elementos que motivaram Moraes a determinar a operação da Polícia Federal ‘Tempus Veritatis‘, na quinta-feira (8/2), que investiga a tentativa de golpe de Estado no Brasil.
O ministro da Supremo autorizou a divulgação das imagens pela imprensa e vários recortes foram feitos, mostrando todo o esquema para tentar deter o avanço de Lula nas pesquisas, bem como impedí-lo que assumir a Presidência.
“Eu já conversei ontem com o Victor [Felismino Carneiro], novo diretor da Abin. Nós vamos montar esquema para acompanhar o que os dois lados vão fazer “, diz Heleno a Bolsonaro. “O problema todo disso é que se vazar qualquer coisa – muita gente se conhece nesse meio; se houver qualquer acusação de infiltração desse elemento da Abin, em qualquer um dos lados, … (a fala é interrompida)
Bolsonaro diz a Heleno: “General, eu peço que o senhor não fale, por favor. Peço que o senhor não prossiga mais na sua observação, aqui”. E eleva o tom, grosseiramente, repetindo: “Eu peço que não prossiga na sua observação“.
“Se a gente começar a falar ‘não vazar’, esquece! Pode vazar“, explica Bolsonaro a Heleno. “Então, a gente conversa particular na nossa sala, sobre esse assunto, o que, por ventura, alguém tá fazendo“, completa, o que prova, segundo Glauber Braga, que “não tem outro caminho” senão a responsabilização.
“Essa turma tem que ser responsabilizada. Heleno, Braga Netto, Bolsonaro e companhia. Já passou da hora. Depois desse vídeo, ele [Bolsonaro] não tem mais o que alegar. Os caras fizeram isso. Que respondam“, afirmou Glauber.
Assista:
