Alerj encaminhou pedido de afastamento de deputada à Procuradoria Legislativa, após encontros
“Uma milícia como essa não se estabelece no Rio de Janeiro, dominando quase um terço do território da cidade, sem conexões poderosas. Então, o Zinho tem muito a dizer. E a gente espera que ele fale“, disse Ricardo Cappelli, em entrevista ao ‘Globo‘, na matéria que foi ao ar nesta segunda-feira (25/12), dia de Natal.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça argumentou sobre o fato de o miliciano mais procurado da região ter se entregado à PF (Polícia Federal), após “tratativas entre os patronos” [advogados de defesa de Zinho], conforme disse a organização policial, seis dias depois que uma operação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados à deputada Estadual Lucinha (PSD).
A Alerj encaminhou o pedido de afastamento de Lucinha à Procuradoria Legislativa. Segundo a publicação do ‘Globo‘, a investigação da PF e do MP detectou que ao menos 15 encontros foram realizados pessoalmente em 2021 entre Lucinha, sua assessora e integrantes da milícia, inclusive com a presença de Zinho em alguns deles.
A PF apreendeu documentos e telefones na casa da deputada chamada de “madrinha” por Zinho, diz a matéria. Isso representou um revés para a quadrilha em na mesma semana, a defesa do miliciano fez contato para negociar sua rendição.
Cappelli disse também ao jornal: “Veja, não são coisas isoladas. Fica claro que é um processo com conexões evidentes, de aproximações sucessivas. A Polícia Federal foi se aproximando, se aproximando, e fica claro que Zinho optou por não correr o risco de ter o mesmo destino de seu sobrinho e também de seu próprio irmão, o Ecko. Quando um cidadão como esse, um miliciano como esse, sabe que se tem muita informação sobre ele, percebe que a vida dele começa a correr risco. Até pelo receio de ser assassinado pelos próprios comparsas“.
“Tudo indica que ele considerou se entregar para preservar sua própria integridade. É trabalho de inteligência, que foi fechando o cerco e obrigou o criminoso a se entregar. O criminoso só se entrega quando percebe que essa é a única e a melhor alternativa que lhe resta. Senão, não se entrega. Então, a Polícia Federal atacou o braço político da organização, foi fechando com investigações, com inteligência, foi fechando o cerco nas operações financeiras, recolhendo documentos e recolhendo provas“, avaliou Cappelli.
O Governador o Estado, Cláudio Castro, disse que essa não é apenas “mais uma vitória das polícias e do plano de segurança, mas da sociedade. A desarticulação desses grupos criminosos com prisões, apreensões e bloqueio financeiro e a detenção desse mafioso provam que estamos no caminho certo“.
Cappelli também comemorou a prisão durante a noite, por meio do X (antigo Twitter): “Parabéns à Polícia Federal! É trabalho, trabalho e trabalho“, disse na publicação.
