Apesar de o Presidente ter reiterado que o país está pronto para sediar o evento, mesmo assim, o recado ainda é tratado como dúvida
Após o afastamento de Rogério Caboclo da presidência da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), fica o suspense sobre a participação da Seleção na Copa América, que começa no próximo domingo, 13 de junho. Na terça-feira (8), jogadores prometeram um posicionamento sobre o assunto. Mas não é segredo que tanto o grupo quanto o técnico Tite não querem participar da disputa, que ainda pode não mais ser realizada no Brasil e, com isso, representar uma derrota para Bolsonaro, que se movimentou para trazer o torneio para o país, em plena terceira onda da pandemia de covid-19.
Oito vice-presidentes da CBF, segundo o Uol, não foram consultados sobre a mudança de sede para o Brasil, uma vez que Caboclo teria tratado o assunto diretamente com Bolsonaro aumentando a instabilidade da realização no país. O vice mais velho da entidade, Antônio Carlos Nunes de Lima, 82 anos, assume o comando da confederação por 30 dias.
Na sexta-feira o capitão Casemiro, em entrevista à TV Globo após o jogo contra o Equador, transmitiu a opinião sobre a equipe brasileira não participar da CA, ainda que sem mencionar a decisão: “Nosso posicionamento todo mundo sabe, mais claro impossível, Tite deixou claro nosso posicionamento e o que nós pensamos da Copa América. Queremos falar. Não queremos desviar o foco, porque isso para nós é a Copa do Mundo. Mas queremos falar, expressar a nossa opinião, se é certo ou não, cada um vai determinar, mas queremos expressar nossa opinião, sim”.
O jornalista André Rizek, do SporTV, revelou que Caboclo havia prometido a Bolsonaro substituir Tite, que vem sendo atacado nas redes sociais por apoiadores bolsonaristas com a hashtag ‘#TiteComunista’, por Renato Gaúcho após a disputa de terça.
Além disso, Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Pandemia no Senado, divulgou carta em que insta os jogadores brasileiros a boicotarem a Copa América no Brasil, que até este domingo somava 473.404 mortes confirmadas por covid-19:
“A seleção é motivo de orgulho. Disputar a Copa pode até gerar troféu. Não disputar, em nome de vidas, significará sua maior conquista. Impossibilitado de apelar ao bom senso do presidente da República e da CBF, enviei nota aos atletas e à Comissão Técnica”, afirmou.
A movimentação de jogadores para um possível boicote à Copa América é revelada pelo GE.com, segundo o qual Neymar teria entrado em contato com líderes de outras seleções com a possibilidade de uma ação geral contra o torneio, mas nem todos concordaram, principalmente pelas questões financeiras – só pela participação cada seleção recebe US$ 4 milhões.
Segundo a Folha de São Paulo, Ricardo Gareca (treinador da seleção peruana), Sergio Agüero (jogador da seleção argentina) e Luis Suárez (jogador da seleção uruguaia) também são contra a viagem ao Brasil. E Lionel Messi teria dito ao presidente da AFA (Associação de Futebol Argentino), que jogar o torneio seria “inconveniente“.
Mas nada oficial indica que o torneio não vá acontecer ou possa ser adiado. O colunista Marcelo Rizzo, do Uol, disse que, mesmo se estiverem desfalcadas por um possível boicote de jogadores, as associações prometem jogar a competição, apesar de o jornalista Andrei Kampff, também do Uol, ter informado, na sesta-feira (4), que a Conmebol já começava a repensar a realização da Copa América e que os impactos de um possível adiamento ou até cancelamento estariam sendo analisados pela entidade sul-americana.
No entanto, o presidente Jair Bolsonaro participou na noite de sábado (5) de uma reunião do Conselho da Conmebol, para discutir a realização ou não do torneio no país, e reiterou que o Brasil está pronto para sediar a Copa América. Mesmo assim, o recado ainda é tratado como dúvida, depois que os capitães das dez seleções que vão jogar a Copa América, teriam se recusado a participar do encontro, enquanto cartolas de Brasil, Argentina e Uruguai relataram que enfrentam resistências internas. Uma nova reunião de Conselho da Conmebol para este domingo (6), visa acertar os últimos detalhes sobre o torneio.
O apresentador José Luiz Datena afirmou hoje, domingo (6), que a Copa América não deve mais ser realizada no Brasil. A notícia foi dada, na manhã deste domingo, na Rádio Bandeirantes. Enquanto o apresentador Milton Neves entrevistava o ex-zagueiro Neto, sobrevivente da tragédia envolvendo a Chapecoense em 2016, o colega pediu um espaço para confirmar a informação.
Apesar de pedir cautela, já que o cancelamento ainda não é oficial, ele afirmou que a notícia da não realização do torneio teria sido passada por fontes que já foram ligadas ao Governo Federal.
A informação do cancelamento, por sua vez, foi negada pela Conmebol. “A Copa América se joga no Brasil. O presidente Jair Bolsonaro participou de uma reunião ontem à noite e deu todo o apoio do governo brasileiro ao torneio“, afirmou em nota.
Antes da realização da Copa América, as seleções ainda têm os compromissos das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022. Os jogos terminam na terça-feira (8), alguns dias antes da data em que está marcado o início do torneio – 13 de junho.
Após críticas do técnico Lionel Scaloni, Associação de Futebol Argentino (AFA) confirmou a participação da seleção argentina na Copa América no Brasil por meio de uma nota oficial nas redes sociais, na tarde deste domingo (6). “A seleção argentina confirma sua participação na Copa América 2021, como reflexo de seu espírito esportivo ao longo de toda a história“, diz uma parte do comunicado oficial.
Comunicado de la @afa sobre @CopaAmerica 2021. pic.twitter.com/wvcaGdSiqO
— AFA (@afa) June 6, 2021
Com El País, Folha, Uol e Terra

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