Não é hora de transformar Flávio Dino em Ciro Gomes

27/01/2020 1 Por Dino Barsa


Publicado por ET URBS MAGNA


Eu insisto neste tema e reforço minha preocupação com as análises feitas pelos “cientistas políticos progressistas” sobre a questão: “Frente Ampla Democrática liderada pelo Flávio Dino (FD)“.

1) Há quem defenda a ideia de que o Maranhão vêm sofrendo ataques do Governo Bolsonaro e, por esta razão, esteja “em desespero”, já que o Maranhão, segundo o analista Breno Altman, não é autossuficiente economicamente. Além disso, sugere que há uma separação da economia e da política que não faz sentido algum e pode levar à uma cilada para a esquerda.

2) Há quem defenda que essa frente ampla é um tiro no pé para a “esquerda brasileira”, pois deixará a esquerda submissa a uma agenda “Neoliberal”, cujos defensores como Rodrigo Maia, FHC e outros tantos do PSDB estiveram à frente do golpe que levou à derrocada da Dilma, como sugere o mesmo Breno Altman (citando, inclusive o documentário “Democracia em Vertigem”) e também sugere Roberto Requião.

É necessária muita reflexão e ponderação diante dos fatos passados e presentes para desenhar um futuro menos degradante.

Em um primeiro momento, sem refletir nas análises dos citados, eu diria até que se trata de um discurso bonito. Certeiro.

E mesmo preocupante associar a agenda neoliberal de certos setores políticos e econômicos se, e somente se, eu acreditasse que a esquerda algum dia governou com sua hegemonia quando elegeu dois dos presidentes desta nação.

Cabe ressaltar também que o FD teve que fazer alianças até com os setores mais neoliberais possíveis para que fosse eleito (e reeleito) Governador do Maranhão. Para quem não sabe, o vice do Flávio Dino é Carlos Brandão, que foi filiado ao PFL, depois PSDB e atual PRB.

Falar que o Estado do Maranhão é um Estado pobre até seria coerente se levássemos em consideração apenas os últimos dados levantados pelo IBGE (2017) sobre o “PIB per capita” do Estado.

Neste caso, o Maranhão ocupa a última posição.

Contudo, se consideramos quanto o Maranhão arrecada para o país, em termos de PIB, o estado salta para a 17ª posição (IBGE, 2017). O que se evidencia, nesse período, é a má distribuição de renda no Estado, levando a uma desigualdade social maior se comparado aos demais estados do país. Isto esclarecido não podemos concluir que o Maranhão seja um Estado pobre ou o mais pobre dos Estados brasileiros.

Podemos concluir que o Maranhão tem a pior distribuição de renda. E nem mesmo a agenda da esquerda do PC do B conseguiu mudar isso até o momento.

Falar em preocupação com política neoliberal e dizer que a esquerda será depreciada, limitada, restrita a essa agenda é, no mínimo, estranho. Estando a esquerda no poder nos períodos de 2003 a 2015 nenhuma política anticapitalista foi adotada.

Políticas públicas foram inseridas na agenda em respeito à Constituição. Nada que fosse um “feito magnífico”, duradouro e inalterável.

Houve a redução da fome e miséria quando Lula esteve presidente, porém com a retomada da agenda conservadora do PMDB do Temer*, os índices de miséria e fome voltaram a assolar a vida de muitos brasileiros.

Portanto, é de estranhar tamanha preocupação (dos citados neste texto) com a agenda neoliberal que está no país desde a eleição do Fernando Collor.

Fernando Henrique Cardoso aprofundou tais mecanismos e Lula e Dilma não evitaram privatizações. Não privatizaram setores estratégicos, mas dizer que não houve privatizações nos governos deles é fechar os olhos para os fatos.

Então, como acusar de submissão algo que já é evidente? Como afirmar que as políticas neoliberais serão extintas nos governos de esquerda quando Lula não desfez acordos das privatizações realizadas no governo FHC?

Lula manteve as grandes corporações “mandando” na economia**. No governo da Dilma (2015)*** medidas neoliberais também foram tomadas.

Qual a estranheza em uma conversa com FHC ou com Luciano Huck para evitar um mal maior de destruição do povo pelo próprio povo que está sendo instigado pelo atual presidente?

Essas análises precisam de mais respaldo e base sobre o que transformou o país com a “aceitação” de um candidato eleito de forma fraudulenta, suja e golpista como foi a eleição de Bolsonaro. Aceitar seu populismo como se fosse algo comum. Em que 30% da sociedade é hipócrita e apoia a insatisfação com o “politicamente correto” porque fere seu modus operandi de viver fazendo humor negro; ferindo o moral alheio; preocupada com o seu próprio status quo.

Aceitar, nessas análises, que há normalidade no que se desenhou o Brasil pós-golpe com teorias absurdas, violação do Estado Democrático do Direito, é que me preocupa. E ainda dizem que a “esquerda” será levada à extinção. Isso é sensacionalismo! É modo drama ativado no mais alto contexto.

Não é hora de transformar Flavio Dino em Ciro Gomes! Ciro Gomes traiu a pátria lavando as mãos (indo para Paris). Marina Silva lavou as mãos quando deixou seu ressentimento contra o PT falar mais alto ao afirmar que votaria em Haddad, mas não “incentivaria” o eleitorado dela a fazer isso!

A esquerda já está capenga faz tempo. É hora de rever essas análises e pensar qual a influência que elas dão a um povo carente de aprendizagem sobre política.

Política é negociar. É saber articular para que os interesses democráticos permaneçam propiciando melhor bem-estar aos que vivem no país! Não adianta fazer campanha e só! Precisa realizar promessas. Dado que mesmo não tendo uma esquerda eficaz no Brasil desde sua descoberta, os únicos que melhor atenderam aos anseios de crescimento e desenvolvimento com políticas públicas foram os governos do PT e mesmo assim, muito aquém dos ideais partidários!

Pensemos com parcimônia e frieza.

Não haverá nenhum dano ao país se o Flavio Dino conversar com setores de centro. Uma das ações da direita é “minguar” a candidatura do oponente, desde que sabido quem é candidato. Fake News estarão aos montes nas redes sociais. Não esqueçamos disso. Diante da iminente potencialidade eleitoral do FD (uma por ser bem articulado politicamente e outra pelo fato do Lula não poder ser candidato, ele aparece no quadro como um candidato em potencial), notícias que levam a desagregar e desarticular as estratégias da esquerda vêm se tornando uma constante, inclusive pela própria esquerda. Haddad foi considerado traidor quando foi conversar com FHC em janeiro de 2019. Nos mesmos moldes, FD está com a mesma visibilidade negativa e não será poupado dessa nova estratégia absurda e difamatória da direita. Haddad chegou no segundo turno bem à frente do terceiro candidato. A visão política da esquerda progressista, hoje, é se desarticular do centro. Isso é nítido em partidos como PSol e PCO. Mas cabe lembrar que quando o PT era mais ideológico, perdeu três eleições e só ganhou quando se aproximou do centro.

Ademais, a direita e os setores conservadores e/ou neoliberais só conseguiram aplicar tais políticas e aprovaram medidas visando reduzir direitos porque eles têm a maioria parlamentar necessária para aprovarem essas medidas.

É isso que precisa explicar àqueles que votam: o presidente do Brasil não tem total poder sobre as decisões. Nada adianta colocar um governo de esquerda com maioria parlamentar conservadora. Seja no Senado, seja na Câmara dos Deputados! Essa é a tecla para mudar a casa. Elejam mais pessoas de cunho progressista e que não defendam políticas neoliberais e verás a mudança que tanto buscam. Enquanto essa tomada de consciência não ocorrer, podem fazer a análise que for. Ela sempre será duvidosa e cheia de meias-verdades.

Articular com os setores de centro é o menor dos nossos problemas!

ESCLARECIMENTOS:

*do qual Roberto Requião também fez parte como membro do PMDB e não levando em consideração as frentes amplas (ou células) que cada partido político possui e que divergem as opiniões.
**essas corporações tiveram menos influência, obviamente. Lula fez “política”. E fazer política é negociar, é propor desenvolvimento e crescimento ao país, é distribuir melhor o que se arrecada.
***ela caiu porque não quis articular com setores do submundo corrupto da política tendo como principais adversários Aécio Neves (que não aceitou a derrota e prometeu não deixar a mulher governar) e Eduardo Cunha (que boicotou todas as medidas de recuperação do crescimento econômico que lhe chegava por parte da presidente. Encontrava-se cheio de interesses escusos e promessas de garantia da própria liberdade).

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