Para a viúva de Marielle Franco, a “verdade” apenas “começou a ser desvelada” e ainda “há luta pela frente”, conforme escreveu a vereadora do PSOL em uma rede social: “E estaremos cada vez mais fortes para enfrentá-la” – LEIA A ÍNTEGRA
Por: Monica Benicio
em seu ‘Instagram‘
“Foram 2.202 dias de espera. 6 anos e 10 dias dessa dor que hoje não acaba, mas que encontra, finalmente, um momento de esperançar justiça e paz.
E isso é apenas uma parte do que Marielle e Anderson merecem.
Nesse domingo chuvoso de março, a verdade começou a ser desvelada.
O que, diante da nossa dor, é o tempo de uma vida inteira depois daquele 14 que marcou mais do que nossas vidas – marcou a nossa carne e o próprio Estado Democrático de Direito.
A Polícia Federal realizou hoje uma operação para prender não um, mas três mandantes do assassinato brutal de Marielle e Anderson.
Se os nomes de integrantes da família Brazão não causam surpresa ao serem revelados, a investigação da PF traz ainda mais um integrante desta odiosa trama: Rivaldo Barbosa, o então chefe da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
O anúncio do seu nome mostra que a Polícia Civil não foi apenas falha, mas cúmplice deste crime.
Rivaldo, que recebeu as nossas famílias logo após Marielle e Anderson serem assassinados, com o sorriso cínico que só as mais corruptas das burocracias podem produzir, nos dizendo que o caso seria uma prioridade máxima para ser solucionado o mais rápido possível.
Seu nome envolto nessa execução brutal só demonstra o tamanho do abismo que vivemos no Estado do Rio de Janeiro, com instituições amplamente comprometidas nas teias mais podres do crime, da corrupção e do mercado de mortes.
Um passo decisivo foi dado, mas a luta por justiça que nossas famílias travam nesses longos seis anos não termina na manhã de hoje.
Não descansaremos até que haja, enfim, uma sentença.
E iremos além.
Não descansaremos até que todos os sórdidos poderes que dominam este Estado sejam, enfim, derrotados.
À Polícia Federal, ao Ministério da Justiça, e ao Governo Federal, ao Ministério Público do Rio de Janeiro e ao Ministério Público Federal, expressamos o nosso mais profundo reconhecimento pelo compromisso de fazer valer este sopro de esperança.
Há luta pela frente, e estaremos cada vez mais fortes para enfrentá-la”.
