‘Na UTI só tem caso de covid entre não vacinados e arrependidos’, diz ex-futura ministra da Saúde

12/01/2022 0 Por Redação Urbs Magna
‘Na UTI só tem caso de covid entre não vacinados e arrependidos’, diz ex-futura ministra da Saúde

Ludhmila Hajjar, médica intensivista. Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

Os imunizados dificilmente passam do atendimento ambulatorial‘, afirmou a médica cardiologista Ludhmila Hajjar, que foi cotada para assumir Ministério da Saúde em 2021

“As UTIs estão atualmente só com casos de covid entre os não vacinados. Os imunizados dificilmente passam do atendimento ambulatorial”, disse a médica cardiologista intensivista Ludhmila Hajjar, que foi cotada em 2021 para assumir o Ministério da Saúde, no lugar do general Eduardo Pazuello, mas, na ocasião, recusou o convite de Bolsonaro. Hajjar também alertou para os danos da doença entre profissionais da saúde.

A médica disse ao jornal O Globo que a diferença do impacto da contaminação pela variante Omicron é “brutal” entre imunizados e os que não fecharam o ciclo de vacinação. Hajjar disse ainda que vê cada vez mais pacientes internados, que chegam com a forma grave da doença, arrependidos de não terem tomada a vacina, mas já é tarde demais.

Segundo a intensivista fez um alerta para a importância da vacinação porque o vírus da covid-19 ainda é relativamente novo e, por isso, pode surpreender.

Ela enfatizou que no caso da Omicron “a doença tem apresentado comportamento semelhante” nos sistemas de saúde público e privado. “A variável mais expressiva em relação ao perfil da doença, tem sido, definitivamente, o não vacinado.”

Ludhmila disse, contudo, que crê no fim da pandemia em razão do alto nível de infecção pela doença atualmente, conforme divulgado por médicos de Israel, os doutores Zvika Granot e Amnon Lahad, ambos da Universidade Hebraica de Jerusalém. Eles disseram que o surgimento da variante Omicron significa o final da pandemia de coronavírus no mundo. Segundo os especialistas do país do Oriente Médio, “um estado pós-pandêmico como o de outras variantes de gripe e outros vírus provavelmente estará próximo”, o que significa dizer que a nova cepa não é “um desastre para a saúde” e pode até sinalizar o fim das infecções via Sars-Cov-2 no planeta.

Sobre o tema, a doutora Hajjar afirmou que “temos pela primeira vez a junção de dois fatores: uma variante altamente prevalente infectando muita gente imunizada. Isso faz com que um número alto de pessoas se infecte com a forma branda da doença, o que é bom para a imunização. Não podemos, no entanto, baixar a guarda com a vacinação“, disse.

COLAPSO

Segundo a médica, “em uma semana os sistemas de saúde deverão entrar em colapso no Brasil” pelo aumento no número de infecções, levando as pessoas a se encaminharem aos ambulatórios, e a quantidade de profissionais da saúde afastados por também estarem contaminados pela covid-19.

A maioria dos médicos e enfermeiros foi imunizada com duas doses da CoronaVac e reforço da Pfizer. A CoronaVac foi importantíssima no início, frente à inexistência de outras. Mas ela não protege como as outras em relação a novas variantes. Muitos de nós seremos infectados. De uma forma mais branda em relação ao que se viu há um ano, quando não havia imunizantes no Brasil. Mesmo assim, seremos afastados.”

Ludhmila explicou que apenas na sua área em uma das unidades de saúde em que atua, o Hospital das Clínicas, em São Paulo, já tem 56 profissionais afastados por estarem com a doença.

A médica ainda definiu como “perigoso” a possível permissão para profissionais da saúde vacinados com a dose de reforço trabalharem mesmo contaminados.

Temos contato físico muito próximo dos pacientes, o risco de transmissão é alto ainda mais quando se trata da ômicron, que tem uma taxa muito alta de contaminação. Reduzir o tempo de quarentena acho responsável e isso poderá ajudar para cobrir desfalques. Mas ao menos sete dias de afastamento seria prudente.

A intensivista finalizou dizendo ser contra o fim da obrigatoriedade no uso de máscaras em ambientes abertos visto o atual cenário da doença no país e no mundo.

Nesse momento, com o número de infectados em ascensão, com o surgimento de novas variantes, ainda com desigualdade na aplicação das vacinas, eu sou contra abolir uso de máscaras, medidas simples, disponível e efetiva contra a covid-19.”

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