Na Rússia, 52% dizem que não estão preparados para tomar a ‘Sputnik 5’ contra covid-19

23/08/2020 1 Por Redação Urbs Magna

Ausência da fase III pode ter gerado o medo e a desconfiança dos russos, surpreendendo autoridades e o chefe da empresa que realizou a pesquisa

Uma nova pesquisa feita por uma empresa de pesquisas estatal russa, divulgada na semana que se encerrou, revelou que apenas 42% do povo querem tomar a vacina ‘Sputnik 5’, anunciada ao mundo como a primeira a ser registrada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, no último dia 11.

Perguntados se estão prontos para receber a droga, 42% dos entrevistados disseram que sim, mas inacreditáveis 52% responderam que não. 

O resultado da pesquisa surpreendeu Valery Fedorov, chefe da WICOM, empresa que realizou as entrevistas com o povo russo, e disse que foi revelador conhecer o pensamento da sociedade da Rússia, quando indagou a si mesmo se o motivo da repulsa popular é por medo e descrédito.

Vale lembrar que o processo de produção da vacina recebeu intensas críticas de profissionais de saúde de vários países do Ocidente devido à velocidade com que foi desenvolvida, sugerindo que sua segurança ainda não foi comprovada, apesar das afirmações das autoridades russas quanto a contratos que teriam sido feitos por 20 nações da América Latina, Oriente Médio e Ásia, sendo solicitados um bilhão de doses da Sputnik V, até o dia em que o anúncio do registro da droga foi feito por Putin.

A vacina, desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya de Moscou, só estará disponível ao público em janeiro de 2021.

No Brasil, o governador do Paraná, estado que anunciou acordo para a produção da ‘Sputnik 5’, disse nesta sexta (22) que “qualquer vacina terá que passar por testes extremamente rigorosos“.

A afirmação foi feita em entrevista à rádio CBN Vale do Iguaçu, quando Carlos Massa Ratinho Júnior falou sobre a descentralização da saúde, o trabalho de retomada econômica no pós-pandemia e de outras ações para manter a atração de investimentos e gerar empregos no estado do Paraná.

Sobre a busca de parcerias com a China e a Russia para a troca de tecnologias e início de estudos sobre imunização, o governador também disse que “há outros estados trabalhando na vacina contra a Covid-19 e queremos colaborar com o Brasil nesta busca para chegarmos a uma vacina segura para os paranaenses e todos os brasileiros”.

Na quinta (20), a Rússia anunciou mais detalhes sobre a polêmica Sputnik V. Pesquisadores esperam que a droga, em duas doses, produza imunidade por dois anos. A fase III, que é como uma ‘prova dos nove’ e nunca foi iniciada naquele país, só começará a ser realizada nesta semana, com 40 mil participantes em 45 centros de pesquisa, segundo o Instituto Gamaleya.

As autoridades dizem que as suspeitas internacionais serão naturalmente dissipadas a partir das publicações dos resuntados da última fase em uma revista científica até o fim do mês.

O governo da Russo reafirma acordos com o mundo para a produção da vacina e, segundo suas informações, a parceria com o governo do Paraná para fabricação da ‘Sputnik 5’ no Brasil está mantida.

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