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Na frente de Bolsonaro, Gonet diz que denunciado liderou orcrim que tentou golpe e deve ser condenado (vídeo)

    Segundo o procurador-geral da República, o ex-presidente e aliados documentaram suas intenções em manuscritos, arquivos digitais e trocas de mensagens, evidências que, para ele, demonstram a “marcha da ruptura democrática” – ASSISTA E SAIBA MAIS

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    O procurador-geral da República, Paulo Gonet, abriu o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (25/mar), acusando-o de liderar uma organização criminosa com o objetivo de subverter a ordem democrática e se manter no poder após as eleições de 2022.

    Em um discurso de 30 minutos, Gonet detalhou o que classificou como um plano golpista estruturado, que envolveu militares e aliados próximos, culminando nos eventos que antecederam os ataques de 8 de janeiro de 2023.

    O PGR afirmou que Bolsonaro, ao lado do general Walter Braga Netto, seu candidato a vice-presidente em 2022, encabeçava uma articulação que incluía a elaboração de uma minuta de decreto para um golpe de Estado, além de planos como o “Punhal Verde Amarelo”, que previa assassinatos de figuras como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.

    Segundo Gonet, a organização criminosa documentou suas intenções em manuscritos, arquivos digitais e trocas de mensagens, evidências que, para ele, demonstram a “marcha da ruptura democrática”.

    A denúncia apresentada por Gonet aponta cinco crimes atribuídos a Bolsonaro e outros sete acusados do chamado “núcleo crucial”: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

    Ele destacou que a tentativa de golpe, mesmo não consumada, é um “fato punível descrito em lei”, rebatendo argumentos da defesa de que a ausência de sucesso anularia a responsabilidade penal.

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    O julgamento, que começou às 9h30 e deve se estender até quarta-feira (26), é conduzido pela Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin (presidente do colegiado), Cármen Lúcia, Luiz Fux e Flávio Dino.

    Após a fala do PGR, os advogados dos acusados tiveram 15 minutos cada para suas sustentações orais, seguidos pelos votos dos ministros, que decidirão se aceitam a denúncia, transformando Bolsonaro e aliados em réus.

    Presente na primeira fila do plenário, Bolsonaro acompanhou a sessão ao lado de seus advogados, Celso Vilardi e Paulo Bueno Cunha. Antes do início, ele declarou esperar “justiça”, mas voltou a questionar a imparcialidade das investigações da Polícia Federal e a validade da delação de Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens, que implicou o ex-presidente na trama.

    A expectativa é de uma decisão unânime para o recebimento da denúncia, o que abriria uma ação penal e marcaria um ponto de inflexão no caso. O discurso de Gonet foi descrito como “devastador” por observadores, reforçando a gravidade das acusações e a solidez das provas colhidas.

    O julgamento, que ocorre em sessões extraordinárias, reflete a prioridade do STF em concluir o processo ainda em 2025, evitando interferências no calendário eleitoral de 2026.

    Se aceita a denúncia, a próxima fase incluirá a coleta de depoimentos e produção de provas, antes de um julgamento final sobre condenação ou absolvição.

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