Mundurukus em manifestação contra marco temporal são atacados a tiros por caminhoneiros na BR-230
Conflito com indígenas em protesto na Transamazônica chega ao quinto dia – SAIBA MAIS
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Belém, 30 de março de 2025
Os indígenas da etnia Munduruku, acampados desde terça-feira (25/mar) na rodovia BR-230, a Transamazônica, em Itaituba, sudoeste do Pará, enfrentam ataques de caminhoneiros enquanto protestam contra o Marco Temporal.
As manifestações cobram diálogo com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério dos Povos Indígenas. Segundo informações do Brasil de Fato, lideranças indígenas denunciam a truculência dos motoristas, que utilizam pedras e disparos de armas de fogo contra os manifestantes.
O Motivo do Protesto: Rejeição ao Marco Temporal
A mobilização, iniciada na madrugada do dia 25, no km 1.104 da BR-230, é uma resposta à Lei 14.701/2023, que institui o Marco Temporal. Essa legislação determina que os povos indígenas só podem reivindicar terras ocupadas em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição.
Conforme relata o g1 Pará, os Munduruku bloquearam a rodovia com troncos de árvores, exigindo a revogação da lei, que consideram uma ameaça aos seus direitos territoriais e à proteção ambiental.
Protesto indígena na BR-230 — Foto: Foto: Frank Akay Munduruku
Ataques de Caminhoneiros Agravam a Tensão
A situação escalou na noite de quinta-feira (27/mar), quando caminhoneiros dispararam contra os indígenas. Na manhã de sexta-feira (28/mar), alguns motoristas furaram o bloqueio, mas não houve registro de feridos.
Alessandra Korap Munduruku, uma das lideranças, destacou ao O Liberal a ausência de resposta do governo federal: “É o quinto dia e nem a Funai, nem o Ministério nos procuraram.”
Demandas e Contexto do Conflito
Além da revogação da Lei 14.701/2023, os Munduruku criticam a falta de demarcação de terras e a permissão para atividades como mineração em áreas indígenas, previstas na legislação.
O protesto reflete uma luta histórica contra políticas que, segundo os manifestantes, fragilizam seus direitos e favorecem invasões em seus territórios, como apontado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
Repercussão e Impasse
O bloqueio já gerou transtornos no tráfego da rodovia, essencial para o transporte de cargas na região amazônica. Apesar das tentativas de negociação com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os indígenas permanecem firmes.
Até o momento, não há previsão para o fim do protesto, que expõe o crescente embate entre povos originários e interesses econômicos.
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