Ao mesmo, atos semelhantes eclodem em pelo menos 49 cidades brasileiras, de Norte a Sul, sinalizando uma reação unificada contra o que os organizadores chamam de “congresso da impunidade” – ASSISTA
Brasília, 14 de dezembro 2025
A Avenida Paulista, em São Paulo, se enche de manifestantes erguendo bandeiras vermelhas e faixas com mensagens como “Sem Anistia” e “Golpistas na Cadeia”.
As imagens de um vídeo postado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, na tarde deste domingo (14/dez), mostram uma multidão crescente avançando pela via, carregando balões azuis e bandeiras de movimentos sociais, como o MTST e centrais sindicais.
Avenida Paulista já está ficando cheia! SEM ANISTIA! pic.twitter.com/IGjUh1T8ta
— Guilherme Boulos (@GuilhermeBoulos) December 14, 2025
O cenário, com participantes entoando gritos de ordem contra a impunidade, transmite a energia inicial de uma mobilização que promete paralisar o coração financeiro da cidade, com milhares de pessoas se unindo em defesa da democracia.
O protesto na capital paulista faz parte de uma convocação nacional organizada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, em resposta à aprovação recente do Projeto de Lei da Dosimetria na Câmara dos Deputados.
A proposta, que reduz penas para condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 – quando apoiadores de Jair Bolsonaro invadiram e depredaram sedes dos Três Poderes em Brasília –, é vista por críticos como uma forma disfarçada de anistia aos responsáveis pelo atentado à democracia.
Em São Paulo, o ato teve início por volta das 14h em frente ao MASP, com Boulos, ex-líder do MTST e atual ministro, destacando nas redes sociais a importância de encher as ruas para pressionar o Congresso.
Até o momento, a manifestação segue pacífica, com forte presença de sindicatos, partidos de esquerda e movimentos sociais, apesar de relatos isolados de contra-manifestações bolsonaristas nas proximidades.
Ao mesmo tempo em que a Paulista se transforma em um mar de vermelho, atos semelhantes eclodem em pelo menos 49 cidades brasileiras, de norte a sul, sinalizando uma reação unificada contra o que os organizadores chamam de “congresso da impunidade”.
Em Brasília, manifestantes se concentram na Esplanada dos Ministérios, com faixas criticando o presidente da Câmara, Hugo Motta, por facilitar a aprovação do PL de redução de penas que poderia beneficiar até o ex-presidente Bolsonaro.
Florianópolis, Belo Horizonte e Rio de Janeiro também registram multidões nas ruas, com vídeos circulando nas redes mostrando cartazes como “Congresso Inimigo do Povo” e “Democracia Sempre”.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e entidades como o ANDES reforçam o chamado, alertando para o risco de retrocessos institucionais em um momento de fragilidade política.
A onda de protestos reacende o debate sobre justiça e memória no Brasil pós-8 de Janeiro, com o governo Lula enfrentando pressões internas e externas para barrar o avanço do PL no Senado.
Analistas apontam que a mobilização pode influenciar a pauta legislativa, especialmente após a aprovação do texto na quarta-feira (10/dez), que incluiu emendas polêmicas como a dos “emendas pix”.
Veículos da imprensa, como a Globo News, são acusados por manifestantes de minimizarem a cobertura, o que só parece impulsionar a presença nas ruas.
A expectativa é de que o dia 14 marque um divisor de águas na luta contra a anistia, consolidando a resistência popular em um país ainda marcado pelas cicatrizes do golpe frustrado de 2023.

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