Wilawan Emsawat, de 35 anos, foi presa acusada de seduzir os “renunciadores da vida”, gravar encontros sexuais e chantageá-los. Saiba mais sobre o caso que abalou instituições religiosas
Brasília, 17 de julho de 2025
A polícia tailandesa prendeu Wilawan Emsawat, uma mulher de 35 anos, conhecida pelo apelido “Sika Golf”, acusada de seduzir monges budistas, gravar encontros sexuais e usar as imagens para chantageá-los, obtendo milhões de baht (moeda tailandêsa).
O caso, que chocou a Tailândia, onde mais de 90% da população é budista e os monges são figuras reverenciadas, revelou uma rede de extorsão que resultou na expulsão de pelo menos nove monges seniores do clero budista, abalando a confiança nas instituições religiosas do país.
Wilawan, mãe de três filhos, foi detida na terça-feira (15/jul) em sua residência na província de Nonthaburi, nos arredores de Bangkok, sob acusações de extorsão, lavagem de dinheiro e receptação de bens roubados.
Segundo investigações da Central Investigation Bureau (CIB) da Polícia Real Tailandesa, ela teria recebido cerca de 385 milhões de baht (aproximadamente US$ 11,9 milhões ou R$ 101,7 milhões) nos últimos três anos, grande parte desse valor gasto em jogos de azar online.
Durante buscas em sua casa, a polícia encontrou mais de 80 mil fotos e vídeos comprometedores em seus cinco celulares, além de registros de conversas que indicavam relações íntimas com diversos monges.
O escândalo veio à tona em junho de 2025, quando um abade de um templo renomado em Bangkok abandonou subitamente o monasticismo. As investigações revelaram que ele estava sendo chantageado por Wilawan, que alegava estar grávida de seu filho e exigia 7,2 milhões de baht (cerca de US$ 222 mil) como “auxílio financeiro“.
Outros casos semelhantes surgiram, incluindo o de Phra Theppatcharaporn, ex-abade do templo Wat Chujit Dhammaram, na província de Ayutthaya, que confessou ter transferido 12,8 milhões de baht para Wilawan, sendo 380 mil baht provenientes de fundos do templo.
Os monges budistas da Tailândia, majoritariamente da seita Theravada, seguem regras estritas de celibato, que proíbem até mesmo o toque em mulheres. Eles são discípulos de Siddhartha Gautama, o Buda, fundador do budismo, e seus ensinamentos formam a base dessa religião, sendo seguido por monges e leigos em todo o mundo.
A quebra dessas regras levou à expulsão de pelo menos nove abades e monges seniores, com outros sob investigação. O caso também gerou indignação pública, com o rei Vajiralongkorn revogando honras reais de 81 monges envolvidos no escândalo, citando o “grande sofrimento” causado aos budistas tailandeses.
Wilawan, em entrevista à mídia tailandesa antes de sua prisão, admitiu ter tido relacionamentos com dois monges e um professor religioso, recebendo presentes extravagantes, como um Mercedes-Benz SLK200 e milhões de baht.
Ela nega as acusações de chantagem, afirmando que, em alguns casos, era ela quem dava dinheiro aos monges. No entanto, a polícia considera Wilawan uma “indivídua perigosa” e continua investigando, com mais de 12 templos sob escrutínio.
A repercussão do caso levou a propostas de reformas no clero budista. O Escritório Nacional de Budismo sugeriu penas de até sete anos de prisão e multas de até 140 mil baht (cerca de US$ 4.300) para monges que violarem as regras religiosas, além de penalidades para leigos que se envolvam conscientemente em atos sexuais com monges.
A CIB também criou uma página no Facebook para denúncias de má conduta de monges, sinalizando uma possível reformulação nas instituições budistas do país.
Esse escândalo, que combina sexo, dinheiro e traição, não é o primeiro a abalar o budismo tailandês, que já enfrentou denúncias de tráfico de drogas e outros crimes envolvendo monges.
Contudo, a escala e a audácia do caso de Wilawan Emsawat ampliaram o debate sobre riqueza, privilégios e a necessidade de maior transparência nas instituições religiosas da Tailândia.








