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Mulher é assassinada e tem o coração arrancado pelo marido 4 horas depois de pedir medida protetiva

    Vítima de feminicídio diz ter sofrido abuso sexual de companheiro, em Tupã — Foto: Arquivo pessoal

    Segundo a Polícia Civil, o suspeito do crime invadiu a residência, derrubou o portão com o carro, arrombou as portas do imóvel, desferiu golpes de faca contra a vítima, abriu o abdômen dela e extraiu as vísceras e o coração

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    Milena Dantas Bereta Nistarda, de 53 anos, foi brutalmente assassinada, em mais um caso de feminicídio no país, desta vez com características cruéis, apenas quatro horas depois de pedir medida protetiva contra o marido, Marcelo Nistarda Antoniassi, em Tupã, no interior de SP.

    De acordo com apuração do g1′, o homem de 49 anos foi preso em flagrante pelo crime na residência do casal.

    Por volta das 9h30, Milena foi à delegacia e registrou um B.O. (boletim de ocorrência) por violência psicológica e pediu medida protetiva contra o companheiro. Em seguida, ela retornou para casa e se trancou no imóvel.

    Segundo a Polícia Civil, o suspeito do crime invadiu a residência, derrubou o portão com o carro e arrombou as portas do imóvel. No local, ele desferiu diversos golpes de faca contra a vítima e, por fim, abriu o abdômen dela e extraiu as vísceras e o coração.

    De acordo com a apuração, o homem resistiu à prisão em flagrante por feminicídio, por volta das 13h30, cerca de quatro horas depois da esposa ter pedido uma medida protetiva contra ele.

    A vítima afirmava que era obrigada a manter relações sexuais com o marido e descobriu que seu celular dela rastreado. No registro policial, a vítima contou que era casada havia 29 anos e revelou aos policiais que o casal tinha dois filhos, um homem de 26 anos e uma mulher de 29 anos, sendo a jovem enteada de Marcelo.

    Milena contou que a violência contra ela aumentou há aproximadamente dois meses, quando os filhos do casal saíram de casa para morar em outras cidades. Um foi para Blumenau (SC) e outro para Marília (SP).

    Segundo a vítima, ela se sentia “vulnerável” e o marido a mantinha em “cárcere de forma sutil“, pois “ele sempre arrumava alguma desculpa para ela não sair de casa“. O B.O registrado diz que “por diversas vezes, Milena foi obrigada a manter relação sexual com ele, mesmo contra a sua vontade“.

    No dia do registro, ela disse que descobriu que o marido rastreava o celular dela. Até então, a única denúncia de violência da esposa contra Marcelo era de um caso ocorrido 10 anos atrás, segundo o registro policial.

    O caso foi registrado como violência psicológica, violência doméstica e homicídio qualificado por motivo fútil, à traição ou emboscada, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.

    O Mapa da Violência, do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), revela dados alarmantes sobre a crescente incidência de assassinatos de mulheres no Brasil. Essa análise estatística demonstra um aumento preocupante no número de casos de feminicídio, o que levanta sérias questões sobre a segurança e proteção das mulheres no país.

    É crucial que essas estatísticas sirvam como um alerta para a necessidade de políticas e ações efetivas para prevenir a violência de gênero e garantir a justiça para as vítimas e suas famílias. Entre 2003 e 2013, passou de 3.937 casos para 4.762 mortes. Em 2016, uma mulher foi assassinada a cada duas horas no país.

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