Uma reviravolta sem precedentes na opinião pública dos EUA reflete um divisor de águas nas relações internacionais, com implicações profundas para o futuro
Brasília, 10 de outubro de 2025
Uma nova pesquisa revelou que, pela primeira vez desde os anos 1980, mais americanos expressam simpatia pelas causas da Palestina do que das de Israel.
O estudo, conduzido pelo New York Times/Siena College, aponta que 35% dos americanos agora se inclinam a favor dos palestinos, contra 34% que ainda apoiam os israelenses.
Essa mudança, descrita como “um divisor de águas” por analistas, reflete um profundo rearranjo nas atitudes do público norte-americano, especialmente entre os mais jovens e os democratas.
A pesquisa, realizada entre 4 e 7 de outubro com 1.029 eleitores registrados, destaca um contraste notável entre gerações e partidos políticos.
Entre os democratas, a simpatia pelos palestinos atinge impressionantes 59%, enquanto os republicanos mais jovens, com menos de 50 anos, mostram uma divisão significativa, sendo 41 pontos percentuais menos propensos a apoiar Israel do que os republicanos mais velhos.
Essa lacuna geracional dentro do partido republicano sinaliza uma transformação que pode ter reverberações de longo alcance na política americana.
O criador de conteúdo, trader do mercado de ações e analista político Ryan Rozbiani, em seu post no X, descreveu o momento como “um ponto de virada histórico”, ecoando a opinião de outros observadores que veem essa mudança como irreversível.
A guerra em Gaza, que completou dois anos desde os ataques de 7 de outubro de 2023, desempenhou um papel crucial nessa reorientação.
Imagens de devastação, relatos de sofrimento humano e a percepção de um conflito desproporcional moldaram a narrativa pública, levando a um declínio na popularidade de Israel nos EUA.
Essa tendência foi corroborada por outros estudos, como o da Pew Research Center, que registrou um aumento nos sentimentos negativos em relação a Israel, especialmente entre democratas e jovens.
O The Guardian relatou que essa mudança na opinião pública pode levar a um reposicionamento gradual na política externa americana, embora o impacto imediato seja limitado devido à estrutura de apoio bipartidário a Israel, historicamente reforçada por grupos como o American Israel Public Affairs Committee (AIPAC).
No entanto, sinais de enfraquecimento da influência do AIPAC, combinados com a ascensão de candidatos mais críticos a Israel, como Zohran Mamdani e El-Sayed em Michigan, sugerem que o vento está mudando.
O presidente Donald Trump, que recentemente mediou um acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, enfrenta um desafio único. Embora o plano de cessar-fogo, aprovado pelo gabinete israelense liderado por Benjamin Netanyahu, tenha sido saudado como um passo para a paz, a opinião pública americana parece cada vez mais inclinada a priorizar um fim permanente ao conflito.
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Uma pesquisa citada por Ryan Rozbiani indica que 51% dos americanos consideram a negociação de um cessar-fogo permanente “altamente importante”, enquanto 31% o veem como “alguma importância”, totalizando mais de 80% de apoio a uma solução pacífica.
Essa mudança na opinião pública não é apenas um reflexo das dinâmicas do conflito, mas também de uma crescente conscientização sobre as questões palestinas, facilitada pela disseminação de informações através das redes sociais e pela cobertura jornalística independente, como a de Al Jazeera.
A BBC News destacou que, apesar da contínua ajuda militar de bilhões de dólares dos EUA a Israel, a narrativa está se alterando, com implicações que podem levar anos para se concretizarem plenamente.
Para os republicanos, a divisão interna é particularmente notável. Enquanto os eleitores mais velhos continuam a apoiar Israel por razões históricas e religiosas, os mais jovens, influenciados por uma visão mais globalizada e crítica, estão reavaliando essa aliança.
Como apontou Curt Mills – jornalista conservador, diretor executivo da The American Conservative, 36 mil seguidores no X, cujas publicações focam em política externa e conservadorismo paleoconservador, “os republicanos mais jovens são 41 pontos menos propensos a apoiar Israel”, um dado que pode forçar o partido a ajustar sua postura no futuro.
Essa reviravolta na opinião pública americana não apenas reflete um momento de transição, mas também levanta questões sobre o futuro das relações entre os EUA e Israel.
Com a possibilidade de um cessar-fogo permanente ganhando tração, e a simpatia pelos palestinos crescendo, o cenário está montado para um debate renovado sobre a política externa dos EUA na região.
Como observou George Galloway – político e apresentador britânico, ex-deputado por sete mandatos e defensor de causas anti-imperialistas, como a Palestina, “esta é a mudança de opinião mais significativa em uma questão de grande importância em minha vida”.
The most significant opinion shift on a matter of great importance in my lifetime https://t.co/XJjOo7GseT
— George Galloway (@georgegalloway) October 10, 2025








Ufa! Até que enfim o povo americano está ficando menos alienado!🎊🎊🎊
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