Parlamentar bolsonarista presa em Roma enfrenta deportação iminente após parecer judicial favorável da capital italiana
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Ministério Público da Itália é favorável à extradição de Carla Zambelli
Brasília, 22 de outubro de 2025.
O Ministério Público da Itália emitiu nesta terça-feira (22/out), um parecer favorável à extradição da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil.
A decisão, confirmada pela Advocacia-Geral da União (AGU), representa um avanço expressivo no processo iniciado meses atrás, quando a parlamentar bolsonarista buscou refúgio na Europa para evitar o cumprimento de uma pena de 10 anos de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Presa desde julho na penitenciária feminina de Rebibbia, nos arredores de Roma, Zambelli agora aguarda o veredicto final da Justiça italiana e do Ministério da Justiça do país europeu, que pode demorar semanas ou meses, mas sinaliza o esgotamento de suas estratégias de defesa.
O caso ganhou tração internacional ao expor as tensões entre soberania judicial e tratados bilaterais.
De acordo com fontes diplomáticas, o parecer do MP italiano reforça a validade do pedido brasileiro, baseado em crimes como invasão de sistemas informáticos e falsidade ideológica – delitos alinhados à Convenção de Budapeste sobre cibercrimes, da qual tanto o Brasil quanto a Itália são signatários.
"O risco de fuga é considerado máximo," destacou um laudo médico encomendado pela corte romana, rejeitando argumentos da defesa sobre fragilidades de saúde da deputada, como fibromialgia e depressão severa.
A AGU, atuando em nome do governo brasileiro, celebrou o passo como "decisivo para o cumprimento da lei."
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Para contextualizar o drama que culminou nesse momento, é essencial revisitar o histórico de controvérsias que moldaram a trajetória de Zambelli.
Em maio de 2025, a Primeira Turma do STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, condenou a parlamentar por unanimidade a 10 anos e oito meses de reclusão em regime fechado, além de multa de R$ 2 milhões por danos morais coletivos e perda do mandato – esta última efetivada apenas após trânsito em julgado.
O crime?
Orquestrar, ao lado do hacker Walter Delgatti Neto (condenado a oito anos), uma invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023.
O objetivo era inserir um mandado de prisão falso contra o próprio Moraes, simulando uma ordem judicial assinada digitalmente pelo ministro: "Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faça-se o L", dizia o texto em tom satírico.
Essa ação, descrita pelo STF como uma "ligação umbilical" entre a deputada e o hacker com "objetivos antirrepublicanos," não foi um incidente isolado.
Zambelli, conhecida por sua proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, acumulava outro processo no Supremo: em setembro, foi sentenciada a cinco anos e três meses por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, após apontar uma pistola para um manifestante em São Paulo, véspera do segundo turno das eleições de 2022.
"Fui vítima de perseguição política," declarou a deputada em entrevistas à imprensa italiana, ecoando narrativas de asilo político que sua defesa tentou sustentar na Corte Interamericana de Direitos Humanos – pedido recente para soltura por alegadas violações de garantias judiciais.
A fuga de Zambelli começou em junho, dias após a condenação inicial. Utilizando sua dupla cidadania (brasileira e italiana, obtida por ancestralidade), ela deixou o país via Argentina e Estados Unidos, instalando-se em um apartamento alugado nos arredores de Roma – uma "clandestinidade dourada," como descreveu o jornal Corriere della Sera.
A estratégia mirava na suposta imunidade contra extradição para cidadãos italianos, mas especialistas em direito internacional, como o procurador Augusto Aras, citam precedentes como o de Henrique Pizzolato (ex-mensaleiro extraditado em 2015 apesar da cidadania italiana).
Em 29 de julho, a bolha estourou: o deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Verde, denunciou seu endereço às autoridades, levando à prisão preventiva pela polícia de Roma.
Desde então, audiências sucessivas – em agosto e setembro – mantiveram-na detida, com a Corte de Apelação rejeitando habeas corpus e prisão domiciliar por "fortes indícios de risco de fuga."
Em 9 de outubro, a Justiça italiana elevou o risco de evasão ao "grau máximo," negando pela terceira vez pedidos de liberdade. Paralelamente, no Brasil, o gabinete de Zambelli em Brasília continuou operando com verbas públicas, acumulando gastos que contrastam com sua licença médica expirada em 5 de outubro – o que pode precipitar cassação no Conselho de Ética da Câmara.
Manifestações bolsonaristas estão marcadas para 2 de novembro em Roma, convocadas pela defesa para pressionar contra a deportação. Nas redes sociais, o tema explode em polarizações: perfis conservadores gritam "perseguição ideológica," enquanto progressistas celebram como vitória contra a impunidade.
O desfecho dessa saga transcende fronteiras, questionando a accountability de figuras públicas em era digital.
Com o Brasil de olho em Roma, o retorno de Zambelli pode reacender debates sobre seletividade judicial – ou, para críticos, reforçar a tese de que ninguém está acima da lei.








A LEI do retorno é infalível
Zambelli zombou da justiça brasileira ao fugir para ITÁLIA, deu mal tá voltando desmoralizada, mãos que quando saiu
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