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Zambelli tem extradição autorizada pelo MP da Itália: saiba quando a deputada foragida chega ao Brasil

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    A deputada
    A deputada licenciada Carla Zambelli chega para audiência no Tribunal de Apelações de Roma |27.8.2025| Foto: TV Globo


    Parlamentar bolsonarista presa em Roma enfrenta deportação iminente após parecer judicial favorável da capital italiana


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    Ministério Público da Itália é favorável à extradição de Carla Zambelli

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    Brasília, 22 de outubro de 2025.

    O Ministério Público da Itália emitiu nesta terça-feira (22/out), um parecer favorável à extradição da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil.

    A decisão, confirmada pela Advocacia-Geral da União (AGU), representa um avanço expressivo no processo iniciado meses atrás, quando a parlamentar bolsonarista buscou refúgio na Europa para evitar o cumprimento de uma pena de 10 anos de prisão imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

    Presa desde julho na penitenciária feminina de Rebibbia, nos arredores de Roma, Zambelli agora aguarda o veredicto final da Justiça italiana e do Ministério da Justiça do país europeu, que pode demorar semanas ou meses, mas sinaliza o esgotamento de suas estratégias de defesa.

    O caso ganhou tração internacional ao expor as tensões entre soberania judicial e tratados bilaterais.

    De acordo com fontes diplomáticas, o parecer do MP italiano reforça a validade do pedido brasileiro, baseado em crimes como invasão de sistemas informáticos e falsidade ideológica – delitos alinhados à Convenção de Budapeste sobre cibercrimes, da qual tanto o Brasil quanto a Itália são signatários.

    "O risco de fuga é considerado máximo," destacou um laudo médico encomendado pela corte romana, rejeitando argumentos da defesa sobre fragilidades de saúde da deputada, como fibromialgia e depressão severa.

    A AGU, atuando em nome do governo brasileiro, celebrou o passo como "decisivo para o cumprimento da lei."

    Para contextualizar o drama que culminou nesse momento, é essencial revisitar o histórico de controvérsias que moldaram a trajetória de Zambelli.

    Em maio de 2025, a Primeira Turma do STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, condenou a parlamentar por unanimidade a 10 anos e oito meses de reclusão em regime fechado, além de multa de R$ 2 milhões por danos morais coletivos e perda do mandato – esta última efetivada apenas após trânsito em julgado.

    O crime?
    Orquestrar, ao lado do hacker Walter Delgatti Neto (condenado a oito anos), uma invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023.

    O objetivo era inserir um mandado de prisão falso contra o próprio Moraes, simulando uma ordem judicial assinada digitalmente pelo ministro: "Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faça-se o L", dizia o texto em tom satírico.

    Essa ação, descrita pelo STF como uma "ligação umbilical" entre a deputada e o hacker com "objetivos antirrepublicanos," não foi um incidente isolado.

    Zambelli, conhecida por sua proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, acumulava outro processo no Supremo: em setembro, foi sentenciada a cinco anos e três meses por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, após apontar uma pistola para um manifestante em São Paulo, véspera do segundo turno das eleições de 2022.

    "Fui vítima de perseguição política," declarou a deputada em entrevistas à imprensa italiana, ecoando narrativas de asilo político que sua defesa tentou sustentar na Corte Interamericana de Direitos Humanos – pedido recente para soltura por alegadas violações de garantias judiciais.

    A fuga de Zambelli começou em junho, dias após a condenação inicial. Utilizando sua dupla cidadania (brasileira e italiana, obtida por ancestralidade), ela deixou o país via Argentina e Estados Unidos, instalando-se em um apartamento alugado nos arredores de Roma – uma "clandestinidade dourada," como descreveu o jornal Corriere della Sera.

    A estratégia mirava na suposta imunidade contra extradição para cidadãos italianos, mas especialistas em direito internacional, como o procurador Augusto Aras, citam precedentes como o de Henrique Pizzolato (ex-mensaleiro extraditado em 2015 apesar da cidadania italiana).

    Em 29 de julho, a bolha estourou: o deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Verde, denunciou seu endereço às autoridades, levando à prisão preventiva pela polícia de Roma.

    Desde então, audiências sucessivas – em agosto e setembro – mantiveram-na detida, com a Corte de Apelação rejeitando habeas corpus e prisão domiciliar por "fortes indícios de risco de fuga."

    Em 9 de outubro, a Justiça italiana elevou o risco de evasão ao "grau máximo," negando pela terceira vez pedidos de liberdade. Paralelamente, no Brasil, o gabinete de Zambelli em Brasília continuou operando com verbas públicas, acumulando gastos que contrastam com sua licença médica expirada em 5 de outubro – o que pode precipitar cassação no Conselho de Ética da Câmara.

    Manifestações bolsonaristas estão marcadas para 2 de novembro em Roma, convocadas pela defesa para pressionar contra a deportação. Nas redes sociais, o tema explode em polarizações: perfis conservadores gritam "perseguição ideológica," enquanto progressistas celebram como vitória contra a impunidade.

    O desfecho dessa saga transcende fronteiras, questionando a accountability de figuras públicas em era digital.

    Com o Brasil de olho em Roma, o retorno de Zambelli pode reacender debates sobre seletividade judicial – ou, para críticos, reforçar a tese de que ninguém está acima da lei.



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    2 comentários em “Zambelli tem extradição autorizada pelo MP da Itália: saiba quando a deputada foragida chega ao Brasil”

    1. REINALDO GONCALVES DA CRUZ

      Zambelli zombou da justiça brasileira ao fugir para ITÁLIA, deu mal tá voltando desmoralizada, mãos que quando saiu

    Os comentários estão fechados.

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