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Motta anuncia comissão externa e Alcolumbre instala CPI após chacina no Rio

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    Alexandr Wang
    Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, respectivamente


    Ação conjunta do Congresso acelera investigações sobre violência policial e avanço de quadrilhas armadas na metrópole carioca, impulsionando reformas no combate ao narcotráfico e grupos paramilitares locais



    Brasília, 29 de outubro 2025

    Em uma resposta paralela e urgente à tragédia que abalou o Rio de Janeiro, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) sinalizou a criação de uma comissão externa para monitorar as operações policiais e as ações contra o crime organizado no estado, enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) determinou a instalação da CPI do Crime Organizado para 4 de novembro.

    As medidas, anunciadas nesta quarta-feira (29/out) visam trazer transparência e fiscalização ao caos gerado pela Operação Contenção, a ação mais letal da história fluminense, que deixou pelo menos 132 mortos nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital fluminense.

    “Vamos acompanhar de perto para garantir transparência e evitar mais perdas inocentes”, declarou Motta em sessão plenária, segundo relatos da VEJA.

    A iniciativa, pressionada por deputados de esquerda como Talíria Petrone e Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), inclui diligências nos complexos afetados a partir de 30 de outubro e oitivas com vítimas e organizações civis.

    Vinculada à Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a proposta visa fiscalizar falhas como a ausência de câmeras corporais em agentes e investigações prévias, ecoando críticas de que a operação foi “sem critério, sem planejamento”, nas palavras de Petrone, segundo O Dia.

    Paralelamente, Alcolumbre atendeu ao requerimento de fevereiro do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), com 31 assinaturas iniciais (sem apoio da bancada petista), para investigar a estruturação, expansão e funcionamento de milícias e facções, incluindo o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), com ênfase em alianças regionais e infiltrações em estruturas públicas.

    “É hora de unir instituições para proteger a população da violência que ameaça o país”, afirmou Alcolumbre em nota oficial, conforme noticiado pelo g1.

    O colegiado também avaliará o modus operandi dessas redes, como o uso de drones para ataques e rotas de cocaína para a Europa, identificando soluções legislativas para o combate.

    A ação, liderada pela Polícia Militar do Rio de Janeiro (PM-RJ) e pelo Ministério Público Estadual (MPE-RJ), visava desmantelar a expansão do Comando Vermelho (CV), facção que controla territórios inteiros com drones, fuzis e barricadas.

    Mas o saldo de civis abatidos reacendeu debates sobre execuções sumárias e a ineficácia de abordagens repressivas, transformando a tragédia em catalisador para ações no Congresso Nacional.

    A crise no Rio de Janeiro não surge do nada: ela é herdeira de um ciclo vicioso de violência que remonta aos anos 1970, quando o Comando Vermelho nasceu nas prisões fluminenses como resistência ao sistema carcerário opressivo, evoluindo para uma potência que “fagocita” facções locais no Norte e Nordeste, segundo o jornalista Rafael Soares em entrevista à BBC News Brasil.

    As milícias, por sua vez, emergiram nos anos 1980 como “polícia mineira” – grupos de ex-policiais que cobravam taxas de proteção na Baixada Fluminense para barrar o tráfico, mas se tornaram exploradores de serviços clandestinos como gás e internet, dominando 75,8% dos territórios cariocas até 2023, conforme dados do Instituto Fogo Cruzado citados pela Exame.

    Historicamente, chacinas policiais pontuam essa narrativa. Em 1990, a Chacina de Acari ceifou 11 jovens de uma favela, levados por supostos agentes; em 2007, a Chacina da Baixada matou 29 em ações de extermínio; e em 2021, a operação no Jacarezinho registrou 28 mortes, a mais brutal até então, como documentado pela Wikifavelas.

    Essas tragédias, agravadas pela repressão punitiva que fortalece o crime ao criar “geografias do medo”, contrastam com a expansão das “narcomilícias” – híbridos de tráfico e extorsão que, nos últimos anos, incorporaram drogas e aliaram-se a policiais corruptos, conforme análise do O Globo.

    A megaoperação de 2025, com mandados contra suspeitos de outros estados, expõe como o CV explora desarticulações milicianas para avançar na Zona Oeste carioca, gerando retaliações como ônibus incendiados e bloqueios de vias.

    O governador Cláudio Castro (PL-RJ) acusou o governo federal de “abandono”, enquanto o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), sob Ricardo Lewandowski, rebateu afirmando ter atendido 11 pedidos de Força Nacional desde 2023, segundo o Brasil de Fato.

    O Governo do Brasil agendou uma reunião com Castro e Lewandowski, acompanhado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

    O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, coordenaram o encontro onde será reiterado que o governo fluminense não solicitou apoio federal para a operação, mas que a União está à disposição para ajudar, dentro dos limites legais e constitucionais, oferecendo vagas em presídios federais e enfatizando a necessidade de inteligência e compartilhamento de esforços para combater o crime organizado.

    O Congresso acelera a PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), que reformula o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), garante repasses contínuos e amplia o papel da Polícia Federal.

    O relator Mendonça Filho (União-PE) antecipou o parecer para novembro, com votação em dezembro, a pedido de Motta: “É hora de parar de disputar protagonismo”, declarou à VEJA.

    A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) cobra urgência, enquanto o governo Lula pressiona por um projeto antifacções com endurecimento de penas e confisco de bens.

    ONGs como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública questionam a letalidade: “Enxugamos gelo, derramando sangue”, resume o deputado Reimont (PT-RJ).

    A tragédia reforça a necessidade de inteligência integrada e investimentos sociais, rompendo o ciclo que transforma favelas em zonas de guerra.

    Com a CPI e a comissão externa, o Brasil pode ter a chance de finalmente virar a página – ou repetir erros do passado. A investigação parlamentar pode redefinir a segurança nacional.



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    3 comentários em “Motta anuncia comissão externa e Alcolumbre instala CPI após chacina no Rio”

    1. Precisamos nos unir contra o extermínio dos inocente. Neste caso, mesmo dos criminosos, os quais deveriam ser presos e condenados conforme as leis.

    2. Vania Barbosa Vieira

      Será que o Congresso acordou sobre sua responsabilidade na governabilidade do país?🤔🤔🤔
      Espero que sim.

      1. Eu também espero que sim, pois só se preocupavam em se blindar das roubalheiras e destruir projetos do Lula que beneficiam o povo. Mesmo assim, o povo brasileiro precisa fazer uma limpeza no congresso em 2026, expurgando os fascistas.

    Os comentários estão fechados.

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