Parlamentares da base do governo pedem punição de deputados aliados de Bolsonaro por ocupação da Mesa Diretora, em ato que paralisou o Congresso e gerou acusações de violação ao decoro parlamentar
Brasília, 08 de agosto de 2025
A Câmara dos Deputados, em Brasília, foi palco de um protesto que marcou o retorno das atividades legislativas após o recesso.
Deputados bolsonaristas, em resposta à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, ocuparam a Mesa Diretora do plenário Ulysses Guimarães, impedindo o funcionamento da Casa por cerca de 30 horas.
O grupo, liderado por nomes como Júlia Zanatta (PL-SC), Marcel van Hattem (PL-RS), Marcos Pollon (PL-MS), Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Zé Trovão (PL-SC), usou faixas, correntes e até esparadrapos na boca para protestar, exigindo a votação de um projeto de lei que anistia os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e o impeachment de Moraes.
O ato foi considerado uma tentativa de subverter a ordem democrática, gerando forte reação dos governistas. Líderes dos partidos PT, PSB e PSOL, representados por Lindbergh Farias (RJ), Pedro Campos (PE) e Talíria Petrone (RJ), protocolaram um pedido à Mesa Diretora da Câmara para suspender os mandatos dos cinco deputados por seis meses, acusando-os de quebra de decoro parlamentar.
O documento destaca que a ocupação da Mesa, com uso de força física e objetos simbólicos, cerceou o direito de outros parlamentares e interrompeu o funcionamento constitucional do Legislativo, configurando uma “afronta à separação dos Poderes”.
Um caso que chamou atenção foi o de Júlia Zanatta, que levou sua filha de quatro meses ao plenário, sentando na cadeira do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), o que motivou denúncias ao Conselho Tutelar por expor a criança a um ambiente de tensão.
A crise só foi resolvida na noite de quarta-feira (6/ago), após intensas negociações mediadas pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que permitiram a Hugo Motta retomar sua cadeira.
Apesar das alegações do líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), de que a oposição conseguiu garantias para pautar a anistia e o fim do foro privilegiado, governistas negam qualquer concessão sob pressão e destacam o isolamento do bolsonarismo, com apoio de 17 partidos à retomada do plenário.
Motta prometeu punições, afirmando que a presidência da Casa é “inegociável” e que os deputados envolvidos podem enfrentar processos no Conselho de Ética.
A oposição insiste em pautas como a anistia aos golpistas, enquanto os governistas reforçam a necessidade de proteger as instituições democráticas.
Motta, sob pressão, busca equilibrar a retomada dos trabalhos legislativos com a resposta aos atos considerados antidemocráticos, enquanto o STF segue no centro das disputas.
A decisão sobre as suspensões agora depende da Mesa Diretora, que analisa imagens do protesto para determinar as próximas medidas.








