Fala foi registrada durante entrevista à Rádio Cultura de Foz do Iguaçu e comentada por ao menos dois sites de notícias – VEJA
O senador e ex-juiz declarado suspeito pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Sergio Moro (União Brasil- PR), afirmou nesta sexta-feira (20/10), durante entrevista à Rádio Cultura de Foz do Iguaçu, que as mortes de civis na Faixa de Gaza são “danos colaterais de ataques a alvos militares“.
“Cada morte de civil na faixa de Gaza tem que ser lamentada. Agora veja, isso normalmente é resultado de danos colaterais de ataque a alvos militares. Pelo menos é isso que se vê“, disse, conforme transcrição no portal progressista de notícias ‘Brasil247‘.
Mas o portal ‘Carta Capital‘ deu sequência à fala do senador, feita imediatamente após a afirmação polêmica: “Pelo menos é isso que se vê. Naquele caso dos ataques terroristas em Israel, foram ataques direcionados à população civil diretamente”, acrescentou o parlamentar, conforme transcrição deste segundo site de notícias.
Quanto ao ‘Brasil247‘, este portal acrescentou que “Moro demonstrou desprezo pela atuação da diplomacia brasileira, que construiu uma proposta de resolução de cessar-fogo humanitário em Gaza e recebeu 12 votos favoráveis no Conselho de Segurança da ONU“.
O portal progressista diz ainda que “para o ex-juiz suspeito, o Brasil “não é um protagonista” de grande influência no Oriente Médio e, portanto, não deveria “se intrometer” nos conflitos dessa região“. E transcreve essa argumentação:
“O fato de o Brasil estar na presidência do Conselho de Segurança da ONU, é uma presidência rotativa, já esteve 11 vezes anteriores, não nos transforma em uma potência momentânea. No fundo, quem tem ali condições da melhor forma de conduzir a construção da paz são os países árabes e Israel e as grandes potências, que têm uma presença na região como os EUA, Egito, Jordânia“, disse moro.
O ‘Carta Capital‘ mostra ainda que Moro afirmou que não é possível confundir o povo palestino com o Hamas e avaliou que a representação política legítima dessa população é a Autoridade Palestina, de Mahmoud Abbas.
Os “danos colaterais de ataques a alvos militares“
Segundo um porta-voz do Ministério da Saúde palestino, o número de mortes na Faixa de Gaza provocadas pela guerra entre Israel e o grupo radical islâmico Hamas subiu para 4.127, dentre elas, 1.661 eram crianças, conforme mostrou a ‘CNN Brasil‘, nesta sexta-feira (20/10).
Na Cisjordânia, o número de mortes desde o início da guerra subiu para 81, segundo a pasta. Por lá, as tensões seguem aumentando enquanto palestinos morrem em confrontos tanto com as forças israelenses como com os colonos.
Os colonos, conforme o direito internacional, são civis israelenses que vivem em colonatos ilegais na Cisjordânia e foram acusados de praticar atos de violência – agressão física, danos materiais e assédio – contra os palestinianos.
Falta combustível nos hospitais de Gaza
A escassez de combustível, água e eletricidade está deixando os hospitais em Gaza sem funcionar e, em alguns casos, “fora de serviço”, disse um alto funcionário da agência de ajuda humanitária.
A escassez de combustível está fazendo com que os residentes de Gaza recorram ao uso de água contaminada, já que a maior parte da água não é potável porque precisa de unidades de tratamento para processamento, o que requer combustível, disse Hiba Tibi, diretor da CARE na Cisjordânia e em Gaza, à CNN.
“Precisamos de combustível para transportar a água limpa para a população. Tudo isso está ficando muito complicado”, disse Tibi.
“O mais importante para nós é garantir que temos acesso a combustível, para hospitais e unidades de tratamento de água em Gaza”.
“Se tivermos água, eletricidade e combustível para gerar essas duas principais necessidades, a situação poderá parecer melhor… para permitir salvar vidas”, acrescentou Tibi.
