📷 Veto de Moraes a Bolsonaro nas redes sociais representou sua “morte digital”, esvaziando seu poder de pautar o debate público, incitar apoiadores e manter forte engajamento nas redes sociais; medida imposta em 18 de julho de 2025 completa um ano neste sábado |•| Arte URBS MAGNA
| Brasília (DF)
18 de julho de 2026
A proibição imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que Jair Bolsonaro utilize redes sociais completa um ano neste sábado (18/jul).
A medida, batizada por aliados de “morte digital”, antecedeu em dois meses a condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista, e volta ao centro do debate após uma nova restrição imposta a seu filho Flávio Bolsonaro.
A informação consta de reportagem assinada por Rafael Moraes Moura na coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo, publicada neste sábado.
A origem da restrição, em julho de 2025
Moraes determinou o veto em 18 de julho de 2025, alegando que Bolsonaro usava suas redes para amplificar o discurso do então deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que buscava o apoio do governo de Donald Trump para pressionar autoridades brasileiras e mobilizar apoiadores contra o Poder Judiciário — uma tentativa, segundo a decisão, de encurralar o STF antes do julgamento da trama golpista.
Integrantes do PL avaliam que a medida esvaziou a capacidade de Bolsonaro de pautar o debate público e manter engajamento direto com sua base, em uma arena digital onde a direita brasileira ainda mantém vantagem sobre a base aliada do presidente Lula.
“Alexandre de Moraes criou o exílio virtual”, resumiu um interlocutor do ex-presidente ouvido pela coluna.
Um ano depois: a proibição de visitas a Flávio
A controvérsia sobre o uso das redes sociais do clã Bolsonaro ganhou novo capítulo na última segunda-feira (13/jul), quando Moraes proibiu o pré-candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de visitar o pai por 90 dias.
Na prática, a decisão impede o encontro entre os dois até 14 de setembro, já dentro do período decisivo de fechamento de alianças estaduais e definição de vice na chapa presidencial.
A restrição partiu da divulgação, no sábado anterior (11/jul), de uma carta manuscrita atribuída a Jair Bolsonaro, na qual o ex-presidente definia o filho como “porta-voz” e pedia à militância que se unisse em torno de sua candidatura.
Para Moraes, houve “patente” desrespeito à medida cautelar que veda ao ex-presidente qualquer manifestação nas redes, direta ou por terceiros.
Na sexta-feira (17/jul), o ministro manteve a proibição e ampliou as restrições, vetando também contatos políticos e a divulgação de novos manifestos até o primeiro turno das eleições.
Um padrão que já se repetiu antes
Não é a primeira vez que Moraes identifica descumprimento de restrições por parte de Flávio. Em agosto do ano passado, o senador colocou o pai em viva-voz durante um ato em Copacabana, episódio usado pelo ministro para determinar a prisão domiciliar de Bolsonaro antes mesmo da conclusão do julgamento da trama golpista, ocorrida somente em setembro.
Os dois episódios seguem uma mesma lógica jurídica: para o STF, restringir o acesso de Bolsonaro às redes sociais só tem efeito prático se a vedação alcançar também os intermediários que poderiam servir de porta-voz — no caso, os próprios filhos.
A sequência de decisões expõe como a disputa pelo espólio político do bolsonarismo, hoje fragmentado entre Flávio, Eduardo e a família em geral, segue condicionada às próprias regras impostas pela Justiça ao patriarca do grupo.
O capítulo Eduardo Bolsonaro
A proibição de uso de redes sociais imposta a Jair Bolsonaro nasceu, na origem, de um processo distinto: o que investigou a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde articulou sanções contra ministros do STF para tentar barrar a condenação do pai.
Em depoimento à Polícia Federal, Jair Bolsonaro afirmou ter repassado R$ 2 milhões ao filho para custear despesas no exterior, dizendo textualmente: “Botei dinheiro na mão dele, bastante até”.
Em junho deste ano, a Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro, por unanimidade, a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, tornando-o inelegível pelos próximos 12 anos.
FAQ rápido
O que é a “morte digital” de Bolsonaro?
É como aliados do ex-presidente chamam a proibição, imposta por Alexandre de Moraes em julho de 2025, de que Jair Bolsonaro utilize redes sociais, diretamente ou por meio de terceiros.
Por que Flávio Bolsonaro foi proibido de visitar o pai?
Porque Moraes entendeu que ele usou uma visita para obter uma carta manuscrita do ex-presidente com o único objetivo de divulgá-la nas redes, burlando a restrição judicial.
Até quando dura a proibição de visitas?
90 dias a partir de 13 de julho de 2026, com previsão de encerramento em 14 de setembro, já após o primeiro turno das eleições presidenciais.
Atualização: a defesa de Jair Bolsonaro ainda pode se manifestar sobre o possível descumprimento adicional de medidas cautelares apontado por Moraes nesta sexta-feira (17/jul).
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:
