O apresentador estava internado no hospital Albert Einstein desde o início de agosto e a informação foi confirmada pelo STB pelas redes sociais
O icônico apresentador de TV Silvio Santos faleceu aos 93 anos, na madrugada deste sábado (17/8). O dono do SBT estava internado no Hospital Albert Einstein desde o dia 1º de agosto, mas 15 dias antes ele havia passado por lá para receber cuidados médicos após contrair H1N1.
A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do SBT: “Hoje o céu está alegre com a chegada do nosso amado Silvio Santos. Ele viveu 93 anos para levar felicidade e amor a todos os brasileiros”, dizia o comunicado.
Silvio Santos deixa a esposa, Íris Abravanel, e as filhas Patrícia Abravanel, Rebeca Abravanel, Silvia Abravanel, Daniela Beyruti, Renata Abravanel e Cintia Abravanel.
A nota completa do SBT diz:
“Hoje o céu está alegre com a chegada do nosso amado Silvio Santos. Ele viveu 93 anos para levar felicidade e amor a todos os brasileiros. A família é muito grata ao Brasil pelos mais de 65 anos de convivência com muita alegria. Para nós, o Senor Abravanel é ainda mais especial e somos muito felizes pelo presente que Deus nos deu e por todos os momentos maravilhosos que tivemos juntos. Aquele sorriso largo e voz tão familiar será para sempre lembrada com muita gratidão. Descansa em Paz que você sempre será eterno em nossos corações”.
O féretro do apresentador não será velado e será enterrado em um cemitério próprio Silvio Santos, que afirmava que não queria homenagens, nem grandes velórios, o que será respeitado pela família. Por ser judeu, o comunicador será enterrado, já que não pode ser cremado, informou o Metrópoles. O dono do SBT também é dono de um cemitério, em São Paulo. O SBT não divulgará o endereço do local.
De origem humilde, ele se tornou um dos maiores nomes da televisão brasileira, além de se destacar como empresário de sucesso. Sua trajetória inclui o início como vendedor ambulante, a transformação em um magnata da comunicação e a presença marcante durante décadas nos lares brasileiros.
Apesar do carisma, Silvio Santos enfrentava obstáculos como camelô, mas isso o levou a uma oportunidade na Rádio Guanabara, onde venceu um concurso de locutores. No entanto, logo decidiu retornar à venda ambulante, pois acreditava que ganharia mais dinheiro dessa forma, conforme resume matéria da CNN Brasil.
Ao completar 18 anos, Silvio Santos teve que dedicar parte de sua atenção aos negócios para cumprir o serviço militar obrigatório. Durante esse tempo, ele teve que reduzir suas atividades como camelô. Apesar de ter mencionado ter feito cinco saltos considerados bons, um documento do Ministério da Defesa contradiz essa afirmação, sugerindo que a escola de paraquedismo ainda estava em processo de implementação naquela época. Enquanto estava no Exército, ele usava os domingos para trabalhar de forma não remunerada na Rádio Mauá. Ao completar o serviço militar, estava determinado a voltar à locução radiofônica, mantendo seu espírito empreendedor.
Silvio mudou-se de emprego e notou uma oportunidade de negócio ao usar as barcas para ir trabalhar. Investiu em alto-falantes nas barcas, tornou-se corretor de anúncios e implementou novas ideias para aumentar os lucros. Aprovado em um teste da Rádio Nacional, mudou-se para São Paulo e adotou o nome artístico “Silvio”. Além de locutor, apresentava shows de circo e a Caravana do Peru que Fala. Este sucesso atraiu a atenção e o levou a participar de um programa de rádio, aumentando sua popularidade.
Quase no final da década de 1950, Nóbrega investiu na ideia do Baú da Felicidade, mas o principal sócio da iniciativa perdeu o dinheiro, deixando o negócio em prejuízo. Nóbrega pediu ajuda de Silvio para encerrar a empreitada e atender as reclamações dos clientes. Ao conhecer melhor o negócio, Silvio percebeu que poderia torná-lo rentável. Em 1958, eles se tornaram sócios no Baú da Felicidade e o Grupo Silvio Santos começou a tomar forma.
Três anos depois, Silvio adquiriu a participação do parceiro e virou o acionista majoritário. No início da década de 1960, o apresentador investiu os primeiros rendimentos em um horário na TV e migrou do rádio para a televisão. O “Vamos brincar de forca” e o “Prá ganhar é só rodar” foram comandados por Silvio na TV Paulista, que foi comprada pelas Organizações Globo (hoje, Grupo Globo), em 1966. Já popular à frente das câmeras, ele comandava o “Programa Silvio Santos”, um dos mais assistidos da TV brasileira, veiculado aos domingos com seis horas de duração.
Anos depois, Silvio Santos comprou 50% das ações da TV Record na década de 1970 e obteve a concessão da TVS, canal 11, em 1976. Depois da derrocada da TV Tupi, conquistou concessões em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belém, formando o SBT. O canal fez sua primeira transmissão em 19 de agosto de 1981 e virou a casa oficial do “Programa Silvio Santos”. Em 2011, Silvio Santos comentou a disputa com a concorrente na TV aberta, a TV Globo. Em uma batalha por bons índices, Silvio Santos perdeu Gugu Liberato para a Globo, no fim de 1987.
O apresentador não tinha contrato com o SBT, então a emissora carioca ofereceu um programa aos domingos. Gugu aceitou, mas não chegou a estrear. Em uma manobra para não perder o apresentador, Silvio fez uma proposta milionária e Gugu voltou ao SBT, onde assumiu o programa dominical Domingo Legal, que apresentou até 2009.
A vida pessoal de Silvio Santos teve momentos difíceis, como o sequestro de sua filha Patrícia Abravanel e o próprio sequestro do apresentador. Ele se casou duas vezes e teve seis filhas, que tiveram destaque na TV ou nos bastidores do SBT. Em uma entrevista, a filha Cíntia falou sobre a ausência de Silvio Santos na tela do SBT e a nova liderança de suas irmãs na empresa.
