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“O homem que mata também morre. Morre o pai e nasce um assassino”: filha comenta morte de Lindomar Castilho

    “Rei do Bolero”, que faleceu neste sábado (20), matou em 1981 a cantora Eliane de Grammont, mãe da psicóloga e coreógrafa Liliane de Grammont. Lili desabafou nas redes sociais, destacando a complexidade de uma relação marcada pelo crime – LEIA A ÍNTEGRA

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    Liliane de
    Liliane de Grammont e seu pai Lindomar Castilho / Foto reprodução- instagram

    Brasília, 20 de dezembro 2025

    A morte de Lindomar Castilho, aos 85 anos, neste sábado (20/dez), reacendeu memórias dolorosas de um dos episódios mais controversos da música brasileira.

    Conhecido como o Rei do Bolero, o cantor faleceu de causas não reveladas.

    Sua filha, a psicóloga e coreógrafa Liliane (Lili) de Grammont, quebrou o silêncio com um desabafo nas redes sociais, destacando a complexidade de uma relação marcada pelo crime cometido pelo pai em 1981 contra sua mãe, a cantora Eliane de Grammont.

    No cerne da manifestação de Liliane, está a ideia de uma morte antecipada: ela afirmou que o homem que mata também morre no instante do ato, sugerindo que seu pai morreu em vida ao assassinar Eliane.

    Essa perspectiva reflete o impacto psicológico profundo da tragédia, ocorrida quando Liliane tinha menos de dois anos.

    A perda, segundo ela, não se limitou à mãe: transformou o pai em um assassino, roubando-lhe a figura paterna e deixando um vazio que perdurou por décadas.

    Apesar da dor evidente, Liliane revelou uma busca ativa por reconciliação. Durante a juventude, ela procurou o pai em tentativas de redenção, um processo que, embora desafiador, culminou em uma aceitação madura da finitude da vida.

    Em sua postagem, ela expressou o desejo de que a alma dele encontre cura, enfatizando que cumpriu sua parte com amor, mesmo carregando o peso emocional ao longo dos anos.

    Essa despedida não ignora o trauma, mas o integra a uma narrativa de resiliência.

    Uma carta aberta divulgada

    Liliane abordou o conceito de perdão, indicando que espera uma segunda chance para o pai junto à mãe no além, um elemento que adiciona uma camada espiritual à reflexão, conforme publicou o Extra.

    Outra publicação destacou como o pai incorporava traços de masculinidade tóxica, conectando o crime a padrões culturais mais amplos de violência, o que oferece uma análise social ao desabafo pessoal.

    LEIA A ÍNTEGRA DO DESABATO DE LILI:

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    Liliane de

    “Hoje um ciclo se encerra… O que te faz ser quem você é? As palavras não são suficientes para explicar o que estou sentindo!

    Só sinto uma humanidade imensa, sinto o tanto que estamos nesta terra para evoluir. Sinto o poder das coisas que verdadeiramente importam.

    Meu pai partiu! E como qualquer ser humano, ele é finito, ele é só mais um ser humano que se desviou com sua vaidade e narcisismo. E ao tirar a vida da minha mãe também morreu em vida. O homem que mata também morre. Morre o pai e nasce um assassino, morre uma família inteira.

    O que fica é: Somos finitos, nem melhores e nem piores do que o outro, não somos donos de nada e nem de ninguém, somos seres inacabados, que precisamos olhar pra dentro e buscar nosso melhor, estar perto de pessoas que nos ajudem a trazer a beleza pra fora e isso inclui aceitarmos nossa vulnerabilidade.

    Assim me despeço do meu pai, com a consciência de que a minha parte foi feita com dor sim, mas com todo o amor que aprendi a sentir e expressar nesta vida.

    Se eu perdoei? Essa resposta não é simples como um sim ou não, ela envolve tudo e todas as camadas das dores e delícias de ser, um ser complexo e em evolução.

    Diante de tudo isso, desejo que a alma dele se cure, que sua masculinidade tóxica tenha sido transformada.

    Pai, tudo é fugaz, não somos donos de nada e nem de ninguém. O que fica é a essência! O que fica é o religar, das almas que se conectam. O poder exige responsabilidade. Escolha sua melhor parte! Somos luz e sombra, tenha coragem de escolher sua luz.

    Me despeço com a certeza de que essa vida é uma passagem e o tempo é curto para não sermos verdadeiramente felizes, e ser feliz é olhar pra dentro e aceitar nossa finitude e fazer de cada dia um pequeno milagre.

    Pai, descanse e que Deus te receba, com amor… E que a gente tenha a sorte de uma segunda chance.

    Lili”.


    O legado de Lindomar Castilho permanece dúbio: ícone da música romântica com hits como “Tapas e Beijos”, sua carreira foi ofuscada pelo homicídio passional que o levou à condenação.

    A reação de Liliane não apenas humaniza a figura pública, mas também convida a uma discussão sobre justiça, memória e cura familiar em casos de violência doméstica.

    A morte de Lindomar comove admiradores, enquanto o desabafo da filha ecoa como um chamado à empatia em meio ao luto coletivo.

    ASSASSINATO DE GRAMMONT

    O assassinato de Eliane de Grammont por seu ex-marido, o cantor Lindomar Castilho, em 30 de março de 1981, é considerado um dos casos de feminicídio mais emblemáticos do Brasil, impulsionando o movimento feminista e o lema “Quem ama não mata”.

    Eliane, então com 26 anos, apresentava-se no bar Café Belle Époque, em São Paulo, acompanhada pelo violonista Carlos Randall (primo de Lindomar).

    Lindomar entrou no estabelecimento e disparou cinco tiros contra Eliane. Ela morreu no local logo após cantar os versos da música “João e Maria”, composição de Chico Buarque e Sivuca.

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    Lindomar Castilho
    Lindomar Castilho após ter assassinado a sua mulher em 30 de março de 1981 / Foto: Arquivo Estadão / Estadão

    Carlos Randall também foi atingido e ferido durante o ataque.

    O crime foi motivado por ciúmes excessivos e pela recusa de Lindomar em aceitar o fim do relacionamento e a retomada da carreira artística de Eliane. 

    Julgamento e Condenação

    Em 1984, durante o julgamento que durou 36 horas, a defesa tentou utilizar a tese de “legítima defesa da honra” e “forte emoção” para justificar o ato. Lindomar foi condenado a 12 anos de reclusão por homicídio e dois anos de detenção por lesão corporal.

    Ele cumpriu cerca de sete anos em regime fechado na Casa de Detenção de São Paulo antes de progredir para o regime semiaberto em Goiás e, posteriormente, obter liberdade condicional em 1988. 

    O caso gerou grande comoção pública, pois Lindomar era um artista de imenso sucesso, conhecido como o “Rei do Bolero”. Após sair da prisão, ele tentou retomar a carreira, mas nunca recuperou o prestígio anterior devido ao estigma do crime. 

    Lili de Grammont tornou-se psicóloga e ativista contra a violência doméstica, utilizando sua história para ajudar outras mulheres. 

    ELIANE DE GRAMMONT
    (por @colorindoahistoria)

    Eliane de Grammont (1955-1981) era uma talentosa cantora e compositora brasileira que se destacou na década de 1970 com suas canções românticas. Em 1977 ela conheceu Lindomar Castilho e se casaram após dois anos.

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    Eliade de Grammont e Lindomar Castilho
    Eliade de Grammont e Lindomar Castilho / @colorindoahistoria/Instagram

    Após diversos casos de violência e ciúmes, eles se separaram. Infelizmente, sua trajetória foi interrompida de forma trágica em 1981, quando foi vítima de feminicídio, um crime cometido por seu ex-marido que a matou com cinco tiros pelas costas enquanto ela se apresentava em um bar.

    Ele acreditava que ela estava se envolvendo com o músico Carlos Randall, primo de Lindomar, que também se feriu. Eles tinham uma filha, Liliane, que na época tinha 1 ano e 8 meses.

    Lindomar foi julgado e condenado a 12 anos de prisão. Ele alegou a “defesa da honra” . Ele cumpriu parte da pena e tentou, sem sucesso, retomar a carreira. Esse caso teve um grande impacto na história do Brasil, ajudando a chamar a atenção para a violência contra mulheres.

    O assassinato de Eliane representou um momento crucial na luta contra a violência de gênero no Brasil. O caso causou grande comoção nacional e evidenciou a seriedade dos chamados “crimes passionais”, que frequentemente eram encarados de forma passiva pela sociedade e pelo sistema de justiça na época.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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    2 comentários em ““O homem que mata também morre. Morre o pai e nasce um assassino”: filha comenta morte de Lindomar Castilho”

    1. Essa nódoa no espírito dele, ele vai levar para a eternidade, quando lá ele se conscientizar do mal que ele fez também a ele, ele vai chorar lágrimas torrencial. Mas a justiça divina pune, mas não eternamente, actedit9 que o Espírito daxEliane, já o perdouo por esse crime.

    2. José Paulo Ximenes da Silva

      Quanta sensibilidade! Que pessoa doce e elevada você é Liliane! Existe perdão pra tudo e todos! Abraço afetuoso!

    Os comentários estão fechados.

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