Senador vai responder a uma ação penal em que os ministros vão decidir se o condenam pelo crime que é punido com seis meses a dois anos de detenção – A PGR pediu a perda do mandato
Por unanimidade, a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, nesta terça-feira (4/6), tornar réu o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes.
Moro foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República, após um vídeo viralizar mostrando o senador em um evento social e falando em “comprar um habeas corpus” do magistrado.
Relatora, Cármen Lúcia entendeu que há elementos para a abertura de uma ação penal contra o senador. Os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Alexandre de Moraes seguiram o voto da ministra
Imagens do ministro Cristiano Zanin dando seu voto de condenação ao ex-juiz viralizaram nas redes sociais.
Isso porque o magistrado foi advogado do hoje novamente Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a falida operação Lava Jato, em que Moro condenou o estadista à prisão sem provas: “Zanin julgando Moro não tem preço!“, disse o perfil abaixo.
Assista a seguir e leia mais depois.
Zanin julgando Moro não tem preço!
— Tânia Mandarino (@TaniaMandarino) June 4, 2024
Rejeitada a preliminar de incompetência de foro, mantida, por ora, a competência do STF para apreciar o recebimento ou não da denúncia contra Moro. #denúnciaPGR #GilmarMendes #MoroNaCadeia pic.twitter.com/0GWVJ2agGx
“Nessa fase do procedimento, na denúncia se demonstrou suficientemente a falsa imputação pelo denunciado de fato definido como crime a ministro deste Supremo Tribunal, tipificando o delito previsto no artigo 138 do Código Penal”, afirmou Cármen Lúcia, conforme transcreveu o ‘g1‘.
A relatora disse ainda que mesmo uma brincadeira não permite ofensa à honra de uma pessoa. O ministro Flávio Dino lembrou que Mendes votou diversas vezes contra decisões de Moro e que há uma diferença entre dizer que um juiz é burro e que um magistrado vende e trai a toga.
Dino afirmou que a retratação feita pelo senador não foi total. “Examinei a retratação, que deveria ser cabal, e não identifique isso nos autos. A soma disso me leva a considerar que há suporte empírico para que a peça atende aos requisitos do Código Penal”, disse.
Agora, Moro vai responder a uma ação penal, quando os ministros vão decidir se ele será absolvido ou condenado, após a apresentação das provas. A PGR pediu a perda do mandato do senador. O crime de calúnia é punido com seis meses a dois anos de prisão.
A defesa de Moro pediu a rejeição da denúncia da PGR alegando que os fatos analisados não constituem crime. Para os advogados, os fatos imputados pela PGR não correspondem ao que ocorreu e são fruto de edição equivocada e maldosa.
Denúncia da PGR
A Procuradoria-Geral da República apresentou denúncia por calúnia contra o senador Sergio Moro em abril do ano passado, por conta da fala contra Gilmar Mendes.
No texto, a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, pede a condenação de Moro citando como agravantes que o suposto crime ocorreu contra funcionário público, na presença de várias pessoas e contra pessoa com mais de 60 anos.
Segundo a PGR, Moro atribuiu falsamente a prática do crime de corrupção passiva a Gilmar Mendes com a intenção de macular a imagem e a honra do ministro, tentando descredibilizar sua atuação.
Lindôra defende ainda que Sergio Moro “não se retratou” após as declarações que ofenderam e imputaram falsamente fatos criminosos ao ministro da Corte.
