O jornalão prevê a cassação e inelegibilidade do “hoje (ainda) senador da República, que foi ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, juiz da Lava Jato e, nessa condição, algoz de políticos e empresários de variados carizes”
O ‘Estadão’ (jornal ‘O Estado de S. Paulo’), afirma, em editorial deste domingo (21/1), que o ex-juiz federal de Curitiba, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Bolsonaro e atual senador da República pelo União Brasil do Paraná, Sergio Moro, está em “decomposição” após sua completa “aniquilação moral“, por seus insistentes confrontos com a verdade.
O jornalão prevê a cassação e inelegibilidade do “hoje (ainda) senador da República, que foi ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, juiz da Lava Jato e, nessa condição, algoz de políticos e empresários de variados carizes”.
“O hoje (ainda) senador da República, que foi ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, juiz da Lava Jato e, nessa condição, algoz de políticos e empresários de variados carizes, está em acelerado processo de decomposição“, diz o primeiro parágrafo do texto.
A mídia lembra que em dezembro passado o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli determinou a abertura de um inquérito contra Moro & Cia da falida república de Curitiba devido às acusações de do empresário e ex-deputado estadual paranaense Tony Garcia, que se disse “obrigado a atuar como uma espécie de “agente infiltrado” para grampear políticos“.
Segundo o jornal, “o que veio a público é assustador – o suficiente para dizimar o pouco que ainda restava de credibilidade” de Moro, que agia em paralelo com procuradores do MPF (Ministério Público Federal), quando da persecução judicial contra o hoje novamente, pela terceira vez, Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), bem como outros membros do partido que ajudou a fundar na década de 1980.
“…o estrago para a reputação dos envolvidos já estará feito“, diz o editorial. “… a Lava Jato, consciente e ativamente, usou o vazamento de pormenores picantes das investigações como uma espécie de antecipação do julgamento dos suspeitos, levando a opinião pública a relacioná-los implacavelmente à corrupção e a outros crimes diversos mesmo antes de qualquer comprovação, quase sempre com base apenas em delações e muitas vezes ao arrepio das garantias constitucionais“, diz outro trecho.
“…o infortúnio de Sérgio Moro e do time da Lava Jato não parece ser um fato isolado, e sim parte de uma espiral de desmoralização total…”
O Estadão lembra ainda a opinião de Toffoli sobre a Lava Jato e a prisão de Lula: “um dos maiores erros judiciários da história do País”, fruto de uma “armação” da Lava Jato – cujos operadores tinham um “projeto de poder”, de “conquista do Estado”, chocando o “ovo da serpente dos ataques à democracia”. Ou seja: a Lava Jato resumia, em si mesma, tudo o que de pior havia no País.
Mas não é apenas Toffoli que tem essa opinião. Além, claro, de Cristiano Zanin, que defendeu Lula em todos os processos contra seus algozes, o decano do STF, Gilmar Mendes, afirmou em 2023, durante encontro do grupo de advogados ‘Prerrogativas’, que “o modelo Moro-Dallagnol deu errado. Vamos organizar uma fuga para frente, vamos salvar o Judiciário desse grande escândalo”.
“O Ministério Público continua a ser uma instituição extremamente importante. O combate à corrupção no Brasil é fundamental. Agora, não acreditem que são o 4º Poder porque não são. Não queiram ter papel auxiliar do sistema político-partidário”, afirmou Gilmar Mendes.
De volta ao editorial em que o ‘Estadão’ massacra Moro, o texto passa a uma ironia, claro, por se tratar de um jornal a serviço do corporativismo e do lucro: “A julgar pelo andar da carruagem, descobriremos em breve que nunca houve corrupção na Petrobrás, que todas as provas e confissões foram inventadas e que tudo não passou de um plano doentio para destruir reputações e para arruinar o Brasil – como, aliás, voltou a afirmar o presidente Lula da Silva na quinta-feira passada, quando declarou que a Petrobrás foi vítima de “mancomunação” entre a turma da Lava Jato e o governo americano“.
“…é inevitável constatar que há poucos insatisfeitos com o destino de Sérgio Moro – desmoralizado por Bolsonaro, desqualificado pelo Supremo e possivelmente despejado do Congresso. Que fim melancólico para aquele que se dispôs a ser a palmatória do mundo“.
