Brasília (DF)
12 de setembro de 2026
O senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, acompanhou de um ponto lateral o comício de Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado (12/set), em Curitiba, segundo o Blog do Esmael.
O relato interessa porque recoloca, a 22 dias do primeiro turno, o embate direto entre o petista e o ex-juiz da Lava Jato no mesmo centro urbano em que Lula ficou preso por 580 dias.
De acordo com o site paranaense, Moro permaneceu no tradicional Bar Stuart, na Praça Osório, a cerca de 50 metros do palanque montado na Boca Maldita. Segundo a publicação, o senador estava acompanhado de Messias Obama e do marqueteiro Helisson Schiavinato e assistiu ao ato “de um ponto privilegiado, sem entrar no meio da multidão”.
A fórmula escolhida pelo blog — “Moro ficou atrás do toco” — resume o contraste geográfico e político: a distância física era curta; a distância entre os projetos em disputa, não.
A presença de Sergio Moro no Bar Stuart durante o comício é um relato do Blog do Esmael. Veículos nacionais confirmaram, no mesmo sábado (12/set), os ataques feitos no palanque.
A expressão “atrás de um toco” é linguagem jornalística do site, não uma declaração de Lula.
O ato “Brasil pronto pra mais” ocorreu na Boca Maldita, palco também usado por Lula em 2022 e, décadas antes, no primeiro grande comício nacional das Diretas Já, em 12 de janeiro de 1984.
A campanha estimou cerca de 20 mil pessoas, segundo a Banda B.
No palanque, Lula defendeu Requião Filho (PDT) e, sem nomear o adversário do PL: “A gente não tem que ficar discutindo se vai levar o Requião Filho para o segundo turno, não. A eleição começou agora. Temos 22 dias para ganhar porque o nosso adversário é muito frouxo. Nosso adversário é muito mentiroso e eu sou vítima da mentira dele.”
“Ele foi alimentado pela imprensa nacional, que quase fez ele virar Deus”, completou.
Lula retomou a prisão e as acusações do tríplex e do sítio: “Eu fiquei 580 dias na cadeia por conta de uma mentira. Estou até agora esperando: cadê a minha chácara e cadê o meu apartamento no Guarujá?”
Antes do presidente, a candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) chamou o senador de “algoz desqualificado” e de juiz que “roubou para colocá-lo injustamente na cadeia”.
Gleisi também criticou o fato de Moro ter buscado, em 2022, candidatura primeiro em São Paulo, e não no estado natal.
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, repetiu o termo “algoz” e disse que não pronunciaria o nome, “pois seria tudo que ele quer”.
O Blog do Esmael registrou a mesma recusa: Janja afirmou que não diria o nome do “algoz” do presidente.
Os candidatos já parlamentares, ambos delegados e do PL, Tito Barichello e Tathiana Guzella, estavam em um prédio filmando Lula.
O Presidente reagiu com um convite provocativo: “Não fique escondido atrás da janela ou abaixado. Venha para cá. Venha com a gente, aqui terá lugar de destaque porque quero te convencer de que está errado.”
O peso de Curitiba
Curitiba não é um palanque qualquer para os dois. Foi na 13ª Vara Federal da cidade que Moro conduziu processos da Lava Jato contra Lula. O STF reconheceu a suspeição do então juiz e anulou condenações. Lula cumpriu 580 dias na Superintendência da Polícia Federal no bairro Santa Cândida, entre 2018 e 2019.
O senador Moro agora tenta o Palácio Iguaçu pelo PL, no mesmo campo de Flávio Bolsonaro. Pesquisas recentes, com metodologias distintas, o mantêm à frente no Paraná: o Paraná Pesquisas de 3 de setembro mostrou Moro com 45% das intenções de voto e Requião Filho com 24%. Na sequência está Sandro Alex (PSD) com 17,5%. O Real Time Big Data desta semana apresenta Moro com 35% e Sandro Alex com 23%.
O Bar Stuart, reaberto em 4 de junho de 2026 na Praça Gen. Osório, 427, é um dos endereços mais antigos da boemia paranaense. Fica na vizinhança imediata da Boca Maldita. A geografia ajuda a entender o relato do blog: da esquina do Stuart ao palanque, o comício era visível.
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