Decisão do ministro do STF mira lavagem de dinheiro, infiltração no poder público e desmonte financeiro de facções criminosas no estado governado por Cláudio Castro
Brasília, 06 de novembro 2025
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (5/nov) que a Polícia Federal (PF) instaure um inquérito permanente para apurar a atuação de milícias e facções de tráfico no Rio de Janeiro.
A medida histórica para o combate ao crime organizado tem como foco principal o rastreamento de esquemas de lavagem de dinheiro, a identificação de ligações com políticos e agentes públicos, além do sufocamento das fontes de financiamento que sustentam essas organizações.
Durante audiência pública no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, Moraes enfatizou que “o enfraquecimento econômico das milícias e do tráfico é condição essencial para a redução da violência”.
A investigação macro, conduzida pela PF, priorizará a desarticulação financeira dessas grupos, considerada o “principal sustentáculo do poder das facções”.
O ministro também requisitou imagens de operações recentes para verificar eventuais abusos e criticou a falta de independência da Polícia Técnico-Científica do estado, subordinada à Polícia Civil, o que compromete perícias imparciais.
A decisão surge uma semana após a Operação Contenção, a mais letal da história do Brasil, com 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, deflagrada contra o Comando Vermelho (CV).
Moraes, relator temporário da ADPF enquanto o substituto de Luís Roberto Barroso não é nomeado, reforçou a necessidade de presença permanente do Estado em áreas dominadas pelo crime: “O Estado deve entrar para ficar”.
Contexto histórico e desdobramentos anteriores
Essa não é a primeira intervenção de Moraes no tema. Em agosto, uma petição sigilosa no STF já investigava preliminarmente o crime organizado no RJ, agora convertida em inquérito formal.
Em 2023, o ministro alertou para uma “corrupção institucionalizada” no estado, com infiltração de milícias na política e no Judiciário, comparando-a à lavagem em estatais combatida pela Lava Jato.
A ADPF das Favelas, em tramitação desde 2019 pelo PSB, impôs regras para operações policiais, como uso proporcional de força e plano de reocupação de territórios com serviços públicos.
Em abril deste ano, o STF autorizou ações com redução de letalidade, mas cobrou investigação federal sobre nexos interestaduais de milícias e narcotráfico com o poder público.
Recentemente, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciou um “inquérito macro” inspirado na Operação Carbono Oculto contra o PCC.
A medida reforça o acompanhamento próximo do STF e pode impactar eleições futuras, ao expor financiamentos ilícitos de campanhas.
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