Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

A reunião urgente de Moraes com PGR e Motta para avançar ADPF das Favelas contra crime organizado

    Clickable caption
    Moraes e Gonet
    Moraes e Gonet |22.8.2024| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | Hugo Motta / Foto: Ton Molina/Estadão


    Encontro no STF na segunda (10/nov) reforça protocolos para ações policiais em comunidades, com foco em transparência e redução de letalidade após megaoperação no Rio



    Brasília, 11 de novembro 2025

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), comandou nesta segunda-feira (10/nov) reuniões estratégicas em Brasília para debater o futuro da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas.

    O foco: equilibrar o combate ao crime organizado com a proteção aos direitos humanos em comunidades vulneráveis, especialmente após a megaoperação no Rio de Janeiro que resultou em 121 mortes e reacendeu críticas à letalidade policial.

    A agenda de Moraes, que assumiu a relatoria da ação após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso no mês passado, começou às 16h com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e os 27 procuradores-gerais de Justiça dos estados e do Distrito Federal.

    O encontro, realizado na sala de sessões da Primeira Turma do STF, abordou a implementação de protocolos para operações em favelas, preservação de evidências como imagens de câmeras corporais e laudos de autópsia, e um plano nacional para retomar territórios dominados por facções.

    Em despacho recente, o ministro determinou que o governo fluminense envie esses materiais relativos à Operação Contenção, que expôs falhas na adesão às regras judiciais.

    Logo em seguida, às 17h, Moraes se reuniu com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir o Projeto de Lei 5582/2025, o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado.

    A pauta ganhou urgência no Congresso após a operação no Complexo do Alemão e na Penha, onde facções como o Comando Vermelho demonstraram poder de fogo superior, forçando uma resposta integrada entre Judiciário, Ministério Público e Legislativo.

    “O momento é de união das instituições contra o crime organizado”, declarou Motta em postagem nas redes sociais, enfatizando a necessidade de cooperação para evitar o colapso da ordem pública.


    Anteriormente no dia, o ministro também ouviu representantes de movimentos sociais de direitos humanos, como o Movimento Mães de Manguinhos e a Rede Nacional de Mães e Familiares de Vítimas de Terrorismo de Estado, partes interessadas na ADPF.

    Esses diálogos pavimentaram o anúncio da entrada da Polícia Federal nas investigações sobre redes criminosas no Rio, com repercussão interestadual e internacional, alinhando-se a recomendações da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) no caso Favela Nova Brasília.

    Para contextualizar, a ADPF 635 foi ajuizada em novembro de 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), com apoio de entidades civis, denunciando a “excessiva letalidade policial” em favelas do Rio de Janeiro.

    Inicialmente relatada por Edson Fachin, a ação impôs restrições durante a pandemia de Covid-19, como a proibição de operações ostensivas exceto em casos excepcionais, comunicados previamente ao Ministério Público.

    Em junho de 2020, o STF concedeu liminar que reduziu em 50% as incursões armadas, mas gerou controvérsias: associações de delegados argumentam que as medidas estimularam alianças entre facções rivais, como o Terceiro Comando Puro e o Comando Vermelho, fortalecendo o controle territorial do crime.

    O julgamento de mérito, concluído em abril de 2025 sob decisão per curiam — um voto coletivo unânime do Plenário (11×0) —, homologou parcialmente o plano do governo estadual apresentado pelo governador Cláudio Castro (PL).

    O STF exigiu complementações, como um cronograma para recuperação de áreas ocupadas por organizações criminosas, uso obrigatório de body cams, perícias independentes e transparência em dados de letalidade.

    Essa decisão inédita, sem individualização de votos, simbolizou a coesão da Corte em temas sensíveis, mas não evitou críticas: o indicado de Lula ao STF herdará a relatoria futura, potencializando debates sobre viés político noticias.

    Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) ilustram o impacto: entre 2020 e 2025, as mortes por intervenção policial caíram 30%, mas o número de tiroteios em áreas residenciais explodiu, com sete das dez operações mais letais da história ocorrendo nesse período.

    Críticos, como a Associação de Delegados do Rio, apontam que as restrições criaram um “vácuo de autoridade”, permitindo que o crime se reorganize.

    A atual ofensiva de Moraes surge em resposta direta à operação de 28 de outubro, que deixou o Rio em luto e sob escrutínio internacional.

    O ministro determinou inquérito federal para apurar execuções sumárias e omissões, enquanto o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) discute um plano unificado de retomada territorial.

    Especialistas veem no Marco Legal uma saída legislativa: o PL de Motta propõe tipificação federal de organizações criminosas, compartilhamento de inteligência e sanções a estados que descumprem protocolos.

    Para moradores de favelas como o Complexo da Maré, a ADPF representa não só freios à violência estatal, mas uma demanda por presença qualificada do Estado — com educação, saúde e policiamento comunitário.

    Como destacou o relator original, Fachin, em voto de 2025: “A Constituição deve chegar às periferias”.

    Com a entrada da PF e o diálogo interinstitucional, o Brasil avança para um modelo de segurança que priorize a vida sobre o confronto, mas o teste real virá nas ruas do Rio e além.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    1 comentário em “A reunião urgente de Moraes com PGR e Motta para avançar ADPF das Favelas contra crime organizado”

    1. REINALDO GONCALVES DA CRUZ

      Valeu, Moraes. O Hugo Motta não defende a vida; defende as facções.

    Os comentários estão fechados.

    🗣️💬

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading