“…tem que manter esse negócio fechadíssimo“, diz Heleno em um trecho. “… a gente nunca sabe se alguém tá gravando alguma coisa“, diz Bolsonaro – LEIA E OUÇA A ÍNTEGRA DA REUNIÃO
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes retirou nesta segunda-feira (15/7) o sigilo sobre uma gravação colhida durante a investigação de um suposto esquema de espionagem ilegal na Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na gestão do então presidente, hoje inelegível, Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a Polícia Federal, o candidato à reeleição derrotado em 2022, o general Augusto Heleno, o delegado da PF Alexandre Ramagem e as advogadas Luciana Pires e Juliana Bierrenbachs mantiveram conversas sobre a investigação da suposta ‘rachadinha’ praticada por Flávio Bolsonaro na Alerj.
O filho de Bolsonaro era apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como o chefe de uma organização criminosa que atuou em seu gabinete no período em que foi deputado estadual, entre 2003 e 2018, período em que cumpriu quatro mandatos consecutivos.
A investigação levou à denúncia do senador por crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita, mas muitas provas foram anuladas pela Justiça e a denúncia do MP acabou sendo arquivada.
A PF transcreveu toda a conversa que afirma ter sido gravada por Ramagem. Nos diálogos foram debatidos dados produzidos pela Receita Federal e pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
A gravação revelou que as advogadas de Flávio Bolsonaro estavam em busca de provas que desqualificassem a investigação, alegando irregularidades na tentativa de anulá-la. A reunião mostra Bolsonaro preocupado com possíveis gravações.
No áudio, a advogada Luciana Pires menciona a possibilidade de descobrir quais funcionários da Receita estavam envolvidos na investigação e Heleno diz que tudo deve ser mantido em segredo.
O áudio mostra que, em determinado momento da reunião, Bolsonaro afirma que é importante deixar bem claro a confidencialidade do assunto e falar com pessoas de confiança, já que “a gente nunca sabe se alguém tá gravando alguma coisa”, conforme transcreveu o Correio Braziliense.
A declaração responde a uma fala de Heleno, que diz que “tem que alertar ele que ele tem que manter esse negócio fechadíssimo”. “Pegar gente de confiança dele. Se vazar…”, diz Heleno. Ao que Bolsonaro completou: “E , deixar bem claro, a gente nunca sabe se alguém tá gravando alguma coisa. Que não estamos procurando favorecimento de ninguém”. O grupo se referia ao ex-ministro do Desenvolvimento Regional na gestão passada, Gustavo Canuto.
O motivo para procurar Canuto seria perguntar ao advogado apontado por Bolsonaro como chefe do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), que estaria investigando Flávio, para tentar tirar a pessoa do processo. Também foi proposto que ele procurasse o ex-secretário da Receita Federal José Tostes Neto.
A gravação de uma hora e oito minutos foi obtida durante a investigação da “Abin Paralela”, que apura o uso da Abin para espionagem ilegal de opositores políticos.
O g1 disponibilizou a integra da transcrição da reunião. LEIA AQUI
O Correio Braziliense postou o áudio. Ouça a seguir:

POLÍCIA FEDERAL EM AÇÃO, “QUANTO MAIS MEXE, MAIS FEDE”.
DÁ-LHES XANDÃO !!!
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