Investigação do STF revela conexões entre facções e autoridades, ampliando foco em obstrução de justiça e lavagem de dinheiro em escala transnacional – SAIBA MAIS
Brasília, 05 de dezembro 2025
Após a prisão preventiva do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, n quarta-feira (3/dez), as investigações ganham contornos de uma ofensiva nacional contra a infiltração do crime organizado no poder público.

A decisão, ancorada na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas, destaca “indícios concretos de crimes com repercussão interestadual e internacional”, incluindo a atuação de grupos violentos como o Comando Vermelho (CV) e suas ligações com agentes políticos.
Bacellar é acusado de obstruir a Operação Zargun, alertando o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva – conhecido como TH Joias e apontado como braço político do CV – sobre uma ação da Polícia Federal (PF) que o prenderia em setembro, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca.
A PF apreendeu R$ 90,84 mil em espécie no carro oficial da Alerj e três celulares do parlamentar, cujos conteúdos prometem revelar mais sobre manobras para proteger aliados, como a “estratégia imediata de controle de danos” orquestrada pelo governo Cláudio Castro (PL) para destituir TH Joias de seu mandato suplente, conforme mostra O Globo.
Essa nova frente de apuração, sob relatoria de Moraes desde outubro, não se limita ao Rio de Janeiro: o despacho cita explicitamente a necessidade de “repressão uniforme” a esquemas de lavagem de dinheiro e tráfico de fuzis rastreados pela força-tarefa da PF, composta por 25 especialistas em inteligência financeira em parceria com a Receita Federal.
Moraes, que como ex-secretário de Segurança de São Paulo comandou operações contra o crime e, no Ministério da Justiça, lançou o Plano Nacional de Segurança com ênfase em criminalidade transnacional, determinou o compartilhamento de provas de inquéritos sigilosos no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) e logs da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Rio.
A ação ocorre após megaoperação em outubro nos Complexos da Penha e do Alemão, que matou 121 pessoas e prendeu 113 ligadas ao CV, evidenciando o empenho de Moraes em uma reunião com autoridades fluminenses em novembro.
A Alerj avalia suspender a prisão em sessão extraordinária nesta sexta, enquanto aliados de Bacellar contam votos na CCJ para reverter o afastamento.
O contexto histórico da ADPF 635, protocolada em 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) e entidades de direitos humanos, remonta a restrições impostas pelo STF em 2020 para reduzir letalidade policial durante a pandemia, limitando operações em favelas a casos excepcionais e exigindo câmeras corporais e avisos prévios a escolas e hospitais.
Relatórios do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de abril de 2024 confirmam que, apesar do crescimento do CV – com expansão territorial em 1,7 mil localidades influenciadas por facções –, a medida poupou vidas: de 1.814 mortes em 2019 para 871 em 2023, com 5.833 operações de 2021 a 2024, uma queda de apenas 14% ante o período anterior.
Operações precursoras como Forja e Cartel (2024) desmantelaram redes empresariais do CV para distribuição de drogas sintéticas, enquanto a chacina no Jacarezinho (2021), com 28 mortes, acelerou o debate no STF.
Críticos como o governador Castro alegam que as regras fortalecem o crime, mas dados do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) mostram o oposto: mais ações com menos vítimas.
Moraes alerta para o “domínio territorial mediante uso da força” e a “capacidade de corromper agentes públicos em escala”, com infiltração em esferas municipal, estadual e federal – um padrão que Bacellar exemplifica ao influenciar nomeações na Polícia Militar e Civil do Rio.
A PF planeja avançar sobre vínculos semelhantes, priorizando rastreamento financeiro via Coaf, em uma operação que ecoa o compartilhamento de dados dos inquéritos da trama golpista.
Com orçamento reforçado pós-megaoperação de outubro, a força-tarefa ganha “dedicação exclusiva” para mapear lavagem de ativos do CV, potencialmente atingindo mais alvos políticos.
A prisão, executada em “emboscada” na superintendência da PF para evitar destruição de provas, sinaliza que o cerco se fecha: de TH Joias a Bacellar, o fio condutor é a proteção a facções via obstrução de justiça.
Essa escalada reflete a transição de Moraes dos casos de fake news para o combate ao narcoterrorismo, com repercussões que transcendem o Rio – de São Paulo, onde ele ganhou o apelido de “xerife”, ao cenário nacional.
Enquanto a Alerj cancela festas de fim de ano em clima de tensão e o governo Castro nega irregularidades, a sociedade fluminense cobra transparência em meio a um banho de sangue que, ironicamente, Bacellar ajudou a perpetuar.
A votação na Alerj nesta sexta pode definir o destino imediato, mas o inquérito sob sigilo promete mais revelações, consolidando 2025 como ano pivotal no desmonte de redes criminosas-políticas.

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