Investigação no STF pode resultar em medidas cautelares contra governador de São Paulo após denúncia de interferência no julgamento da trama golpista
Brasília, 16 de setembro de 2025
Em uma decisão tomada nesta terça-feira (16/set), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu um prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre uma representação apresentada pelo deputado federal Rui Falcão (PT-SP) contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A acusação central é de obstrução de justiça, motivada pela articulação do gestor paulista em favor de um projeto de lei que visa anistiar réus envolvidos na trama golpista de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com a petição protocolada por Falcão, as ações de Tarcísio configuram uma interferência direta no exercício do Poder Judiciário, ocorrida justamente no momento em que o STF iniciava o julgamento histórico sobre a tentativa de ruptura institucional.
O deputado petista argumenta que o governador viajou a Brasília no primeiro dia da sessão do tribunal, em 2 de setembro, para se reunir com lideranças do Congresso Nacional, como os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, além de parlamentares do Centrão, com o objetivo de acelerar a tramitação do PL da anistia.
Essa manobra, segundo Falcão, representaria um atalho político para enfraquecer a persecução penal em curso, fragilizando a autoridade da Corte.
A representação, inicialmente protocolada em 3 de setembro, pede a aplicação imediata de medidas cautelares rigorosas contra Tarcísio de Freitas, como a retenção de passaportes, proibição de comunicação com investigados na ação penal do golpe e abstenção de qualquer pressão sobre ministros do STF em julgamentos relacionados, sob pena de prisão preventiva.
Moraes, relator da ação penal que julga Bolsonaro e aliados, determinou a abertura de uma petição autônoma para apurar os fatos, encaminhando o caso à PGR para análise inicial.
Cabe ao procurador-geral, Paulo Gonet, avaliar se há indícios suficientes para o instauração de um inquérito formal contra o governador.
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A iniciativa de Falcão busca punir o que seria uma suposta obstrução de justiça no processo sobre a tentativa de golpe, com foco nas reuniões de Tarcísio em Brasília para mobilizar apoio à anistia.
O governo de São Paulo foi procurado, mas não se manifestou até o momento. Após o parecer da PGR, um inquérito contra Tarcísio pode ser aberto, potencializando o impacto na candidatura presidencial do governador para 2026.
A conduta de Tarcísio seria uma interferência direta no exercício do Poder Judiciário, mas contextualiza as articulações como defesa de aliados de Bolsonaro, incluindo o próprio ex-presidente condenado pelo STF.
Desde meados de 3 de setembro, as movimentações iniciais de Tarcísio em Brasília eram destaque nas mídias, incluindo diálogos com o Centrão para viabilizar a anistia ampla, o que poderia beneficiar Bolsonaro mesmo após condenação, mantendo-o inelegível mas fora da prisão.
As ações do governador visavam um pedágio político para pavimentar sua própria ambição presidencial com o apoio da extrema-direita.
Tarcísio circulou intensamente pelos corredores do poder em Brasília, conversando diretamente com Alcolumbre e Motta, o que reforça a tese de lobby coordenado.
Até o momento, não há posicionamento oficial do Palácio dos Bandeirantes, mas o caso pode escalar tensões entre o Executivo estadual e o Judiciário federal, especialmente em meio ao julgamento que pode selar o destino político de figuras bolsonaristas.
Esse desdobramento reforça o debate sobre os limites da atuação política em relação à independência dos poderes, com implicações que transcendem São Paulo e alcançam o cenário nacional rumo às eleições de 2026.








Esse trem descarrilado quer ser presidente do Brasil . Se isso acontecer vai ser a ruína do nosso país!!!
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