Decisão foi motivada pelo fato de Marcelo Casimiro não ter sido transferido para reserva e ter continuado em serviço
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, decretou uma nova prisão do coronel da PMDF Marcelo Casimiro, réu por omissão nos atos golpistas do dia 8 de janeiro, e o militar foi preso nesta quarta-feira (3/4), no 10º Batalhão da Polícia Militar, em Ceilândia.
A decisão foi motivada pelo fato de Casimiro não ter sido transferido para reserva e ter continuado em serviço. Ele estava preso desde agosto do ano passado.
O militar foi solto, junto com outros dois membros da ex-cúpula, na última quinta-feira (28/3) por determinação do próprio ministro. Na quarta-feira (3/4), Moraes decidiu pela liberação de outros três militares.
Em nota, a defesa do coronel disse que “irá analisar os fundamentos do novo decreto de prisão, mas desde já reitera o compromisso do acusado com a Justiça e reforça que não pretende de forma alguma tumultuar o processo e, a única coisa que deseja no momento é provar sua inocência sem o sacrifício da liberdade“, conforme mostra transcrição no ‘g1‘.
Em fevereiro, por unanimidade, a Primeira Turma do STF aceitou denúncia contra sete militares feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na denúncia, foram apresentadas trocas de mensagens entre os investigados antes e durante os atos golpistas.
Os diálogos obtidos pela PGR mostram, por exemplo, que havia policiais infiltrados no acampamento golpista instalado em frente ao Quartel General do Exército e que tudo o que os PMs observavam ali era transmitido em um grupo de mensagens criado pelos oficiais da corporação.
Para a PGR, havia, portanto, “alinhamento ideológico e de propósitos entre os denunciados e àqueles que pediam a intervenção das Forças Armadas“.
“A ‘falha’ operacional não decorreu de deficiências dos serviços de inteligência da PMDF. O que ocorreu, em verdade, foi omissão dolosa por parte dos denunciados que, com unidade de desígnios, aceitaram os resultados visados pela turba antidemocrática e aderiram ao intento criminoso dos insurgentes“, disse a Procuradoria.
Moraes substituiu as prisões dos seguintes militares, por medidas cautelares: Klepter Rosa Gonçalves: subcomandante-geral na época dos fatos; Fábio Augusto Vieira: comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal à época; Paulo José Ferreira de Sousa Bezerra: chefe interino do ‘Departamento de Operações‘ em 8 de janeiro de 2023.
Permanecem presos: Coronel Jorge Naime; Major Flávio Silvestre de Alencar e o Tenente Rafael Martins.
