Em julgamento histórico no Supremo, relator vincula relatório fraudulento sobre urnas a crimes contra a democracia, reacendendo apurações sobre atos antidemocráticos pós-eleições de 2022
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Valdemar Costa Neto de volta ao banco dos réus sob risco de prisão
Brasília, 21 de outubro de 2025
Num voto que ecoa como um terremoto no coração da direita brasileira, o ministro Alexandre de Moraes, relator das ações penais sobre a tentativa de golpe de Estado, defendeu nesta terça-feira (21/out) a reabertura imediata da investigação contra Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL).
A decisão pode catapultar o veterano político de volta ao epicentro de um dos maiores escândalos da democracia recente no Brasil.
No coração da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), Moraes concluiu seu voto pela condenação unânime dos sete réus do núcleo 4, grupo acusado de orquestrar ataques à credibilidade das urnas eletrônicas e disseminar narrativas que pavimentaram o caminho para os atos de 8 de janeiro de 2023.
Entre os condenados, destaca-se Carlos Cesar Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (IVL), flagrado produzindo um relatório técnico – encomendado diretamente por Valdemar – que questionava, sem qualquer prova, a segurança do sistema eleitoral.
“Uma das coisas mais bizarras que a Justiça Eleitoral já recebeu desde sua criação”, disparou Moraes, ao classificar o documento como peça central de uma milícia digital que atacou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o próprio STF.
Condenado por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa, o caso de Rocha serve de ponte explosiva: Moraes determinou a extração de cópias de toda a prova para remeter à Procuradoria-Geral da República (PGR), forçando a reabertura do inquérito contra Valdemar pelos mesmos crimes.
A decisão ainda pende de ratificação pelos demais ministros da Turma – Luiz Fux, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin –, mas o relator já pavimentou o terreno para uma denúncia iminente.
O voto bombástico pode custar a liberdade ao líder do PL.
Condenado no escândalo do Mensalão em 2012, o ex-deputado pelo PL (então PP), Valdemar Costa Neto, cumpriu pena por corrupção e lavagem de dinheiro, mas ressurgiu como mentor da ascensão de Jair Bolsonaro.
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Em 2022, com a derrota nas urnas para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Valdemar mergulhou de cabeça na contestação: o PL, sob sua batuta, contratou o IVL (Instituto Voto Legal) para o relatório fraudulento, usado em ação no TSE para pedir “verificação extraordinária” das urnas – uma manobra que a PF qualificou como dolosa, ou seja, intencional.
A virada veio em fevereiro de 2024, com a Operação Tempus Veritatis, deflagrada por ordem de Moraes.
Valdemar foi preso em flagrante por porte ilegal de arma durante buscas na sede do PL, onde a PF encontrou minutas de decretos golpistas e indícios de que o partido serviu de QG do golpe.
Indiciado ao lado de Bolsonaro, Augusto Heleno e Walter Braga Netto, ele foi liberado por liberdade provisória, mas sob medidas cautelares draconianas: proibição de contato com investigados, entrega de passaporte e bens apreendidos, como um Rolex e celulares.
Em março de 2025, Moraes revogou parte das restrições – devolvendo o passaporte e autorizando papos com Bolsonaro – justamente porque a PGR, sob Paulo Gonet, não o denunciou inicialmente, por falta de “elementos suficientes”.
Mas o relatório final da PF, enviado em novembro de 2024, mudou o jogo: dos 37 indiciados, Valdemar desponta como figura central no núcleo de desinformação, financiando narrativas falsas e usando a estrutura partidária para pressionar militares e juízes.
Ele “endossou ações judiciais” sabendo da falsidade das fraudes eleitorais, criando um “clima de instabilidade” que explodiu nos atos de 8 de janeiro – invasão ao Congresso, STF e Planalto.
Se referendada, a reabertura pode levar Valdemar a réu em meses, com risco de prisão preventiva – especialmente se provas do núcleo 4 ligarem o PL diretamente à organização criminosa.
Para o partido de Bolsonaro, é um golpe duplo: o líder preso enfraquece a oposição no Congresso e nas municipais de 2026.
O voto de Moraes não é só uma reabertura: é um lembrete de que a democracia brasileira, ferida em 2023, cobra contas antigas.
Valdemar, o sobrevivente do Mensalão, agora enfrenta o fantasma do Golpe – e o Brasil, atento, espera o próximo capítulo.







